A resposta óbvia: porque continuam a ser a segunda cripto com maior valor do mercado. Basta olhar para a cotação ethereum dólar e ver que, apesar do grande tombo, continua a ser negociada em torno 2930 dólares ao dia 17 de dezembro, bastante acima de quase todas as restantes criptomoedas. Porém, há aqui muitas nuances.
Importa olhar para os números com um olhar mais crítico e perceber o que eles representam. É isso que vamos fazer neste artigo, não esquecendo claro o Merge. Se não sabe o que é, continue a ler. Iremos também aprofundar um pouco nas questões dos Layers e vamos terminar com a relação dos brasileiros com eth.
O que é Ethereum hoje, depois do Merge (Fusão)
Ethereum é uma blockchain programável, desenhada para executar contratos inteligentes e suportar aplicações descentralizadas (dApps), tokens e sistemas financeiros inteiros sem intermediários tradicionais. Desde a transição para proof‑of‑stake, concluída com o Merge, a rede reduziu drasticamente o consumo energético e ganhou maior eficiência operacional.
Na prática, Ethereum funciona como a camada base para grande parte do universo cripto: DeFi, NFTs, stablecoins, jogos blockchain e infraestruturas financeiras continuam maioritariamente ancorados na sua segurança. Milhares de aplicações utilizam Ethereum direta ou indiretamente, movimentando dezenas de mil milhões de dólares em valor bloqueado, o que reforça o seu papel estrutural no setor.
Dados de mercado e performance em 2025
Os números ajudam a contextualizar a posição de Ethereum no atual ciclo. Com o preço estabilizado na casa dos 2,9 mil dólares, o ativo apresenta um volume diário de negociação superior a 20 mil milhões de dólares, mantendo elevada liquidez nos principais mercados globais. O market cap ronda os 360 mil milhões de dólares, abaixo dos cerca de 484 mil milhões registados um ano antes.
A volatilidade recente continua evidente. Entre novembro e dezembro, o valor de mercado de Ethereum oscilou aproximadamente entre 340 e 480 mil milhões de dólares, refletindo movimentos rápidos associados a fatores macroeconómicos, expectativas regulatórias e fluxos institucionais. Mesmo consolidado como ativo de referência, o ETH mantém um perfil típico de ativo de risco.
Ecossistema: DeFi, NFTs e a ascensão das Layer 2
Apesar da fragmentação crescente do mercado, a maior parte dos protocolos DeFi, stablecoins e aplicações financeiras consideradas “blue chips” continua a operar diretamente em Ethereum ou em soluções de segunda camada ligadas à rede. Grande parte da liquidez global em finanças descentralizadas permanece ancorada neste ecossistema.
Em paralelo, as Layer 2 tornaram-se centrais na estratégia de escalabilidade. Rollups e outras soluções como Optimism, Arbitrum, Base e zk‑rollups, processam transações fora da rede principal, reduzindo custos e aumentando a capacidade. Estas redes já concentram milhares de milhões de dólares em valor bloqueado e processam dezenas de milhões de transações mensais, alterando profundamente a dinâmica de utilização da mainnet.
A narrativa da “queda de poder” da Layer 1
Do ponto de vista analítico, a migração de atividade para Layer 2 levanta debates relevantes. Por um lado, reduz a congestão da Layer 1 e melhora a experiência do utilizador. Por outro, muda a forma como taxas são geradas e como o valor económico é capturado pelo token ETH.
Este contexto alimenta a narrativa de uma nova fase do setor, muitas vezes chamada de “DeFi 2.0”, em que protocolos nascem diretamente em L2, oferecendo taxas mais baixas e maior velocidade, mas mantendo a segurança garantida por Ethereum. O desafio passa por equilibrar escalabilidade, incentivos económicos e sustentabilidade de longo prazo.
Ethereum e o investidor brasileiro
Ethereum já faz parte do radar de investidores no Brasil há vários anos. O acesso ocorre tanto via corretoras de cripto, como através de fundos, ETFs internacionais e produtos listados na B3, incluindo ETPs de Ethereum oferecidos por gestoras estrangeiras.
Nos últimos meses, a oferta de produtos ligados ao ETH tem-se expandido, com o lançamento de ETFs e ETPs que utilizam estratégias com derivativos, prometendo rendimento elevado e maior sofisticação financeira. Este movimento reforça o interesse institucional no ativo e consolida a presença de Ethereum no mercado financeiro regulado local.
Riscos, desafios e concorrência
Apesar da sua posição dominante, Ethereum enfrenta riscos claros. A concorrência com outras blockchains de camada 1, como Solana e redes focadas em alta performance, é cada vez mais intensa. Soma-se a isso a pressão regulatória global, especialmente sobre DeFi e stablecoins, e o risco tecnológico associado a atualizações complexas.
Há ainda debates sobre concentração de validadores, dependência crescente das Layer 2 e possíveis impactos dessas dinâmicas na atratividade do ecossistema para desenvolvedores e capital no longo prazo.
Ethereum continua a ser o “blue chip” cripto?
Em 2025, Ethereum mantém-se como o principal ativo de infraestrutura do mercado cripto, com o maior ecossistema de desenvolvedores, diversidade de aplicações e presença consistente em produtos regulados, incluindo no Brasil.
A questão central para investidores é se o ETH continuará a consolidar-se como a camada base da nova internet financeira ou se a combinação de concorrência, regulação e mudanças no modelo económico limitará o seu potencial de valorização. Como sempre, a resposta exige análise cuidadosa de risco, horizonte de investimento e compreensão profunda do papel estrutural do ativo no ecossistema.

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