Hackers do Bem, programa executado executado pela RNP, amplia acesso aos cursos de Nivelamento e Básico com novas turmas para 2026
Após a alta procura e o preenchimento de todas as vagas da primeira onda de inscrições, o programa Hackers do Bem abre 25 mil novas vagas para os cursos de Nivelamento e Básico. A iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), executada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), amplia o acesso à formação em cibersegurança e reforça a estratégia de qualificar profissionais para atender à crescente demanda do mercado brasileiro. As inscrições são feitas exclusivamente pelo site do programa.

A ampliação das vagas ocorre em um cenário de forte demanda por profissionais da área. O déficit global de especialistas em cibersegurança já ultrapassa 4,8 milhões de pessoas, segundo o Cybersecurity Workforce Study, da organização ISC², que aponta ainda a segurança de aplicações (AppSec) entre as áreas mais críticas.
No Brasil, a situação também chama a atenção: dados da Fortinet indicam que o país precisa de cerca de 750 mil profissionais de segurança cibernética, enquanto a ISC² alerta para um déficit de 140 mil especialistas apenas neste ano.
Totalmente gratuito, o programa é destinado a qualquer pessoa que pretenda seguir carreira na área, desde que estejam cursando ou que já tenham concluído o Ensino Médio. Não há limite de idade ou necessidade de conhecimento prévio em segurança da informação. Desde seu lançamento, em janeiro de 2024, o Hackers do Bem já certificou mais de 38 mil alunos.
“O Hackers do Bem já se consolidou como uma das maiores iniciativas nacionais e internacionais de formação em cibersegurança. Os resultados até aqui demonstram o impacto positivo e a relevância da iniciativa para o fortalecimento das competências digitais no Brasil. Esse sucesso permitiu a abertura de novas vagas, ampliando o acesso de jovens e profissionais às oportunidades de capacitação e inserção no mercado de trabalho em cibersegurança. Seguimos firmes no compromisso de fortalecer a segurança digital no país e preparar talentos para um futuro mais seguro e conectado”, afirma Leandro Guimarães, diretor-adjunto da Escola Superior de Redes (ESR).
Diversidade
Além de ampliar o número de profissionais formados, o programa também tem se destacado por alcançar perfis diversos em um setor historicamente masculino. Em um mercado em que apenas 22% dos profissionais são mulheres, cinco participantes da Residência Tecnológica do Hackers do Bem foram premiadas por excelência técnica durante o Fórum RNP 2025. Nadianne Galvão, Vanessa Araújo, Caroline Lima, Ana Laís Duarte e Elisangela Silva de Mendonça se destacaram em cada uma das cinco áreas de especialização da última fase do programa.
A Residência Tecnológica permite que os participantes apliquem, na prática, os conhecimentos adquiridos em cibersegurança, vivenciando o dia a dia de um profissional da área nos escritórios regionais da RNP. A etapa tem duração de seis meses e oferece uma bolsa mensal de R$ 3 mil.
O programa também atrai pessoas em transição de carreira e profissionais sêniores. Patrícia Monfardini, aos 52 anos, chegou à fase de especialização mesmo sem experiência prévia em tecnologia. Incentivada por uma colega de trabalho, ela ingressou no Hackers do Bem e se especializou em Red Team, área voltada à segurança ofensiva.
“Foi um desafio enorme. Não sabia nada sobre TI, mas, com muita persistência, cheguei à especialização. Chorei, estudei e, no final, venci”, relata. Servidora pública em Contagem (MG), Patrícia vê na Residência Tecnológica a oportunidade de migrar para a área de cibersegurança e, após concluir o programa, passou a cursar Engenharia de Software para dar continuidade à nova trajetória profissional.
Além de formar profissionais tecnicamente preparados para lidar com os mais diversos golpes digitais, o Hackers do Bem também busca ampliar a conscientização sobre a importância da segurança digital. “Muitas pessoas ignoram o quanto é necessário proteger nossas informações, mas o programa pode mudar isso. É uma iniciativa que não só prepara indivíduos, mas fortalece toda a sociedade”, afirma Patrícia.
As 25 mil novas vagas são para os cursos que abordam a cibersegurança de forma ampla, objetiva e introdutória. No módulo Nivelamento, com 80 horas de carga horária, os alunos terão uma introdução ao universo da cibersegurança e a temas como hardware, internet, redes, sistemas operacionais (Windows e Linux) e lógica de programação.
Já o curso Básico, com carga horária de 64 horas, apresenta conceitos de computação em nuvem, desenvolvimento, identificação de ameaças e vulnerabilidades, criptografia e fundamentos de Governança, Risco e Compliance (GRC).
Ao final de cada curso, os participantes recebem um certificado reconhecido e passam a integrar o Hub Hackers do Bem, espaço virtual que conecta alunos, especialistas, empresas e o governo, promovendo troca de conhecimento, networking e acesso a oportunidades profissionais no setor de cibersegurança.
Sobre a RNP
A RNP é a rede brasileira para educação e pesquisa. Disponibiliza internet segura e de alta capacidade, serviços personalizados e promove projetos de inovação. Seu sistema inclui universidades, institutos educacionais e culturais, agências de pesquisa, hospitais de ensino, parques e polos tecnológicos, beneficiando quatro milhões de alunos, professores e pesquisadores. A RNP ajudou a trazer a internet para o Brasil e hoje sua rede chega a todas as unidades da federação. Também está conectada às demais redes de educação e pesquisa na América Latina, América do Norte, África, Europa, Ásia e Oceania por meio de cabos de fibra óptica terrestres e submarinos. A entidade é qualificada como Organização Social Federal. É mantida pelos ministérios de Ciência, Tecnologia e Inovação, da Educação, das Comunicações, Turismo, Saúde e Defesa, que participam do Programa Interministerial RNP (PRO-RNP).
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