Professores da PUC-Rio participam de encontro da rede SACRU no Vaticano e reforçam o alerta, alinhado ao Papa Francisco, de que o avanço da Inteligência Artificial precisa preservar a essência do ser humano
Por Redação Crypto ID
A discussão global sobre os impactos éticos da Inteligência Artificial ganhou protagonismo no Vaticano durante a conferência “Inteligência Artificial e o Cuidado da Nossa Casa Comum”, promovida pela Fondazione Centesimus Annus Pro Pontifice, em parceria com a Strategic Alliance of Catholic Research Universities (SACRU). O encontro reuniu pesquisadores, lideranças religiosas e especialistas de diferentes áreas para refletir sobre como alinhar o avanço tecnológico aos princípios da doutrina social da Igreja.

Entre os participantes esteve a PUC-Rio, representada pelos professores Clarisse Sieckenius de Souza, emérita da área de Informática, e Edgar Lyra, professor do Departamento de Filosofia e coordenador central de Integridade da universidade. Ambos integraram a comitiva que apresentou pesquisas inéditas sobre os impactos sociais, éticos e civilizatórios da Inteligência Artificial, dialogando diretamente com as preocupações expressas pelo Papa Francisco e, mais recentemente, pelo Papa Leão XIV.
A presença da universidade brasileira no debate reforça um ponto central da agenda internacional: a necessidade de que a tecnologia esteja a serviço do bem comum, e não da concentração de poder ou da desumanização das relações sociais.
O alerta do Papa Francisco e o sentido humano da tecnologia
Em diferentes pronunciamentos sobre Inteligência Artificial e ética, amplamente divulgados por veículos oficiais do Vaticano, como o Vatican News, o Papa Francisco tem advertido que “a tecnologia não deve desfigurar a essência profunda do ser humano”. Para o pontífice, o progresso técnico precisa caminhar junto com a responsabilidade moral, a justiça social e a preservação da dignidade humana.
Esse entendimento permeou toda a conferência, que buscou alinhar o desenvolvimento de algoritmos e sistemas inteligentes aos valores da solidariedade, da inclusão e do cuidado com as pessoas e com o planeta.
Riscos invisíveis e impactos civilizatórios da IA

Durante o encontro, Clarisse Sieckenius e Edgar Lyra apresentaram contribuições baseadas no livro Artificial Intelligence and Care of Our Common Home, produzido no âmbito da SACRU.
O capítulo assinado pelos professores da PUC-Rio trata dos chamados riscos menos visíveis das tecnologias baseadas em IA, como disfunções discursivas e epistemológicas capazes de afetar profundamente o tecido social.
Edgar Lyra destacou, de forma direta, que a tecnologia contemporânea não pode mais ser compreendida como uma simples ferramenta neutra. Segundo o professor, aplicações digitais e sistemas automatizados estão hoje em toda parte, condicionando comportamentos individuais e coletivos e exigindo que a sociedade retome uma pergunta essencial: qual deve ser a relação humana com tecnologias capazes de transformar o próprio conceito de humanidade.
De forma complementar, Clarisse Sieckenius enfatizou que a reflexão ética sobre a IA precisa envolver todos os atores que desenvolvem e utilizam sistemas digitais, desde aplicações administrativas até projetos avançados de pesquisa. Para ela, trata-se de um debate necessariamente coletivo, que atravessa toda a comunidade acadêmica.
Universidade, pensamento crítico e responsabilidade social
Outro ponto central do debate foi o papel das universidades na formação de indivíduos críticos, capazes de compreender a tecnologia para além do uso instrumental. Edgar Lyra alertou para o risco de estudantes se tornarem meros consumidores de soluções tecnológicas, pressionados por lógicas de produtividade e eficiência, sem espaço para reflexão mais profunda sobre consequências sociais e éticas.
Clarisse Sieckenius acrescentou que, embora o desenvolvimento da IA esteja sob controle humano, esse controle permanece concentrado em poucos atores, muitas vezes distantes do controle social. Para ela, devolver esse controle à sociedade é uma missão que passa, necessariamente, pelas universidades e pela educação transdisciplinar.
Um significado especial para o Crypto ID
Para o Crypto ID, a participação da PUC-Rio nesse debate internacional tem um significado particular. As cofundadoras do portal, Regina Tupinambá e Susana De Paula Taboas são graduadas pela PUC-Rio, instituição que marcou profundamente a formação acadêmica e profissional delas.
Mais do que a excelência técnica, a universidade foi um espaço fundamental para a consolidação de seus aprendizados sobre ética, pensamento crítico e responsabilidade social — valores que hoje orientam a atuação editorial do Crypto ID na cobertura de temas como identidade digital, governança, segurança da informação e uso responsável de tecnologias emergentes.
A presença da PUC-Rio no Vaticano, discutindo os limites éticos da Inteligência Artificial, reafirma a atualidade desse legado formativo e reforça a importância de uma abordagem humanista diante de transformações tecnológicas cada vez mais profundas.
Foto de capa: Professores da PUC-Rio na Conferência Inteligência Artificial e o Cuidado da Nossa Casa Comum, no Vaticano – Foto: © Vatican Media
Com informações da PUC-Rio
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