Ao citar a Carteira de Identidade Nacional, ministra Esther Dweck apresenta a experiência brasileira no centro do debate global sobre governança digital
A participação do Brasil no Fórum Econômico Mundial, em Davos, reforçou a maturidade da agenda nacional de governo digital e o papel crescente do país nas discussões globais sobre infraestrutura pública digital, identidade, interoperabilidade e confiança. Representando o governo brasileiro, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, esteve à frente de dois momentos estratégicos: a Reunião de Alto Nível da Global Digital Collaboration (GDC) e um painel dedicado às fronteiras da governança digital no Fórum Econômico Mundial.
Em ambas as agendas, a ministra defendeu que a transformação digital do Estado só se sustenta quando coloca as pessoas no centro, avança na integração segura de dados e é construída sobre mecanismos claros de confiança — um eixo que dialoga diretamente com os desafios contemporâneos da identidade digital.
Interoperabilidade como capacidade de entrega do Estado
Eleito em dezembro de 2025 para coordenar o núcleo governamental da Global Digital Collaboration, composto por dez países, o Brasil passa a exercer papel central na articulação internacional de temas como identidade digital, carteiras e credenciais, padrões de interoperabilidade e confiança no ambiente digital. A presidência do grupo é compartilhada com o Banco Mundial, Google e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), reforçando o caráter multissetorial da iniciativa.
Ao abordar o papel da Global Digital Collaboration (GDC), Esther Dweck destacou que a interoperabilidade não deve ser tratada apenas como um desafio técnico, mas como um elemento estruturante da capacidade do Estado de entregar políticas públicas. Para a ministra, a interoperabilidade se torna efetiva quando está ancorada em casos de uso bem definidos, dentro de um ecossistema claro de emissores, carteiras e verificadores, permitindo que diferentes bases de dados — como educação, saúde e trabalho — conversem de forma segura e integrada.
A ausência dessa integração, alertou, tende a gerar fragmentação, duplicação de custos e a transferência de uma burocracia invisível para cidadãos e empresas.
Experiências brasileiras e economia gerada pela integração de dados
Como exemplos concretos de interoperabilidade em escala, a ministra citou o Pix — hoje amplamente difundido no país — e o Conecta.GOV, iniciativa que promove a troca automática e segura de informações entre sistemas públicos, evitando que cidadãos precisem reapresentar dados já disponíveis ao Estado.
Segundo dados apresentados, apenas nos últimos dois anos, o Conecta.GOV gerou uma economia estimada em R$ 9,5 bilhões, distribuída entre governos e cidadãos. Para o Crypto ID, esses casos evidenciam que infraestrutura pública digital é, sobretudo, um arranjo de governança, confiança e padronização, e não apenas uma camada tecnológica.
Confiança e interoperabilidade além das fronteiras
Outro ponto central da participação brasileira em Davos foi a defesa da interoperabilidade transfronteiriça. Em um ambiente digital globalizado, a confiança precisa ser capaz de atravessar fronteiras para que identidades, credenciais e dados sejam reconhecidos de forma segura entre países. Sem isso, o risco é a criação de “ilhas digitais” em escala global, limitando mobilidade, serviços e direitos.
Como presidente do grupo governamental da GDC, Esther Dweck propôs uma agenda de debates voltada à definição de componentes mínimos de interoperabilidade, à transformação de princípios em resultados concretos e à estruturação de parcerias capazes de dar escala e sustentabilidade à transformação digital com foco nas pessoas.
Governo digital centrado no cidadão
No painel “Fronteiras da Governança Digital: da Infraestrutura Pública Digital à GovTech de Próxima Geração”, a ministra ressaltou que a aceleração digital observada durante a pandemia não foi, necessariamente, centrada no cidadão. A partir de 2023, segundo ela, o governo brasileiro passou a priorizar a simplificação de serviços, a redução de entraves burocráticos e a ampliação da inclusão.
Nesse contexto, destacou a construção da Estratégia Nacional de Governo Digital, coordenada pelo MGI, que busca alinhar União, estados e municípios em torno de uma visão comum, respeitando o pacto federativo. Em um país com 27 estados e mais de 5 mil municípios, a interoperabilidade institucional se torna tão relevante quanto a tecnológica.
Inclusão digital e letramento como pilares da confiança
A ministra também chamou atenção para os desafios estruturais impostos pela desigualdade no Brasil. Embora o uso de dispositivos móveis seja amplamente disseminado, o letramento digital ainda é um obstáculo para o exercício pleno da cidadania digital.
Para enfrentar esse desafio, o MGI vem estruturando espaços físicos de apoio, como o Balcão GOV.br, que oferecem atendimento presencial, acesso gratuito à internet e capacitação em habilidades digitais. Há também iniciativas específicas voltadas a povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, com adaptação cultural e linguística dos sistemas, reforçando a importância de uma transformação digital inclusiva.
Infraestrutura pública digital, GOV.BR e CIN
Ao apresentar a Infraestrutura Pública Digital brasileira, Esther Dweck destacou a plataforma GOV.BR como base estruturante do modelo nacional de governo digital. Atualmente, o ambiente reúne cerca de 5 mil serviços federais e mais de 12 mil serviços estaduais, centralizando o acesso dos cidadãos.

Nesse contexto, a ministra citou a Carteira de Identidade Nacional (CIN) como um dos pilares dessa arquitetura. Mais de 43 milhões de brasileiros já possuem o novo documento, que simplifica o acesso a serviços públicos e benefícios sociais e reforça a confiança na identificação do cidadão. Inserida na lógica de interoperabilidade, a CIN foi apresentada como um elemento essencial para a integração de serviços e para a consolidação de uma identidade digital mais eficiente e confiável.
Dados, inteligência artificial e comunicação direta
A ministra também abordou o uso estratégico de dados e inteligência artificial para avançar em serviços públicos mais personalizados e proativos, sempre com foco na confiança da população. Ferramentas como a caixa postal digital do GOV.BR — que hoje conta com cerca de 172 milhões de contas ativas — permitem uma comunicação direta e personalizada com os cidadãos, complementada pelo uso de canais como WhatsApp e chatbots baseados em IA.
Segundo Dweck, essas soluções não apenas ampliam o acesso, mas também contribuem para o letramento digital, ao permitir que as pessoas aprendam, na prática, a utilizar os serviços públicos digitais.
Confiança como base do Estado digital
Ao concluir sua participação em Davos, Esther Dweck reforçou que a construção de um Estado digital só é possível quando sustentada pela confiança pública. Infraestrutura, dados, identidade e inteligência artificial só geram valor quando acompanhados de governança, segurança e foco nas pessoas.
A agenda brasileira no Fórum Econômico Mundial, entre os dias 20 e 22 de janeiro, sinaliza que o país não apenas acompanha o debate global sobre governança digital, mas busca influenciá-lo a partir de experiências concretas em interoperabilidade, identidade e infraestrutura pública digital.
Hoje, 19 de janeiro, tem início Davos 2026: 56º encontro anual do Fórum Econômico Mundial -WEF
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