Mais do que certificados digitais, a ICP-Brasil é um sistema de confiança e, a confiança, é o elemento central na economia digital
Transações eletrônicas, assinaturas digitais, identificação remota, autenticação de usuários e o intercâmbio seguro de dados só são possíveis porque existe uma infraestrutura técnica, normativa e institucional que sustenta essa confiança. Sem ela, o ambiente digital seria marcado pela incerteza, pelo aumento de fraudes e pela fragilização das relações jurídicas.
No Brasil, essa infraestrutura é chamada de ICP-Brasil – Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira. Mais do que um conjunto de certificados digitais, a ICP-Brasil é um sistema nacional de confiança, baseado em criptografia de chave pública, governança institucional e um arcabouço jurídico rigoroso, que garante autenticidade, integridade, validade jurídica e não repúdio nas relações digitais.
Em 2025, a ICP-Brasil passou por atualizações normativas e avanços estruturais que reforçam ainda mais sua relevância, segurança e alinhamento com padrões internacionais, abrindo caminho para novas formas de credenciais digitais e sistemas de emissão mais modernos.
As recentes mudanças na ICP-Brasil reforçam a relevância de discutir a tecnologia e seu impacto atual no país, evidenciando como a atualização normativa e estrutural é fundamental para manter a infraestrutura de certificação digital alinhada às necessidades contemporâneas.
Este artigo propõe um olhar conceitual e técnico sobre o funcionamento dessa cadeia de confiança, analisando o papel dos diferentes entes e destacando as razões pelas quais o modelo permanece moderno, robusto e estratégico, desmistificando a ideia de que se trata de uma tecnologia inventada no Brasil, ultrapassada, excessivamente complexa ou inacessível — especialmente diante das transformações recentes que renovam seu protagonismo no cenário digital brasileiro.
O que é a ICP-Brasil e por que ela existe

A ICP-Brasil foi instituída pela Medida Provisória nº 2.200-2, de 2001, com um objetivo claro: criar um padrão nacional de confiança para o uso de documentos eletrônicos e assinaturas digitais no país. Entre suas finalidades estão:
- Garantir a autenticidade e a integridade de documentos eletrônicos
- Conferir validade jurídica às assinaturas digitais
- Estabelecer um modelo seguro de identificação digital
- Criar um ambiente confiável para transações eletrônicas no Brasil
Diferentemente de outras formas de autenticação e assinatura eletrônica, a ICP-Brasil opera como uma infraestrutura hierárquica e regulada, com regras claras, responsabilidades bem definidas, auditorias periódicas e supervisão estatal. Trata-se de um sistema construído para sustentar relações jurídicas digitais de longo prazo, inclusive em ambientes de alta criticidade, como governo, sistema financeiro, saúde, justiça e grandes corporações.
Um dos destaques recentes na ICP-Brasil é a introdução de novos tipos de credenciais, como o Certificado de Selo Eletrônico e AR Eletrônica, A Implementação do Selo Eletrônico teve a regulamentação formalizada no início de 2025 pela Resolução CG ICP-Brasil nº 212, de 30 de janeiro de 2025, que define, por exemplo, o prazo máximo de validade para o certificado de selo eletrônico em hardware (SE-H).
Alinhamento internacional e padrões globais
A ICP-Brasil não é uma exceção no cenário global. Ao contrário, ela se baseia nos mesmos princípios técnicos que sustentam as infraestruturas de confiança adotadas por diversos países. O modelo de Public Key Infrastructure (PKI) é amplamente utilizado por estados e governos ao redor do mundo como base para identificação digital e assinaturas com validade legal.
Na Europa, por exemplo, o regulamento eIDAS 2.0 estabelece diretrizes definindo níveis de segurança, responsabilidades institucionais e requisitos técnicos para serviços de confiança qualificados.
Embora cada país tenha suas particularidades legais e administrativas, os fundamentos são convergentes: criptografia forte, cadeia de confiança, auditoria e governança.
Desta forma a ICP-Brasil é modelo internacionalmente reconhecido, adaptado à realidade jurídica e institucional mundial o que viabiliza o reconhecimento mútuo das assinaturas como homologado recentemente entre as nações membro do MERCOSUL.
Em 2025 as tratativas com o BRICS que é um fórum de cooperação entre grandes economias emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã) e com a União Europeia (UE) é um bloco político-econômico integrado por 27 países europeus, com um mercado comum.
A base técnica: criptografia e cadeia de confiança
A ICP-Brasil é fundamentada na criptografia de chave pública, conhecida como PKI. Nesse modelo, cada certificado digital está associado a um par de chaves criptográficas matematicamente relacionadas:
Chave privada, de uso exclusivo do titular, utilizada para assinar digitalmente e Chave pública, que pode ser compartilhada e usada por terceiros para verificar a assinatura

A infraestrutura de confiança
A confiança não está no certificado isoladamente, mas na cadeia de certificação que permite verificar se aquele certificado foi emitido por uma entidade legítima, devidamente autorizada e auditada. Essa cadeia cria um encadeamento de responsabilidades técnicas e jurídicas, tornando possível confiar em uma assinatura mesmo sem conhecer diretamente quem a realizou.
No topo da estrutura institucional está o Comitê Gestor da ICP-Brasil, responsável pela definição das políticas, diretrizes e normas que regem toda a infraestrutura. Sua composição envolve representantes de diferentes órgãos do Estado, refletindo o caráter estratégico da ICP-Brasil para o país.
Confira no final desse artigo o quadro com algumas das principais atividades de cada entidade participante da ICP-Brasil.
Evolução normativa e arcabouço regulatório

Desde sua criação em 2001, a ICP-Brasil passou por diversas modernizações. Essas evoluções ocorreram por meio de novas legislações sobre documentos eletrônicos, resoluções do Comitê Gestor e instruções normativas de órgãos como a Receita Federal do Brasil e o Conselho Federal de Medicina, entre outros.
Esse conjunto de normas demonstra que a ICP-Brasil é um sistema vivo, constantemente atualizado para acompanhar a transformação digital, novas ameaças e novos modelos de negócio.
A segurança jurídica
Nos últimos anos, tem-se observado um crescimento expressivo de casos na justiça brasileira envolvendo a contestação de operações realizadas sem o uso do certificado digital ICP-Brasil. Esse aumento evidencia a importância de todo ecossistema da ICP-Brasil.
Em contrapartida, assinaturas eletrônicas baseadas em métodos menos robustos têm sido facilmente questionadas, resultando em disputas judiciais, contratos anulados e insegurança regulatória.
O uso do certificado ICP-Brasil eleva a presunção de validade jurídica e reduz significativamente o risco financeiro e jurídico, tanto no ambiente corporativo quanto pessoal. Além disso, os custos do certificado digital no Brasil são acessíveis, especialmente em comparação com plataformas internacionais, tornando-o uma solução econômica e confiável.
Por trás da ICP-Brasil existe muito mais do que tecnologia. Existe um rigoroso arcabouço jurídico, requisitos técnicos específicos e constantemente atualizados, processos de auditoria, governança institucional e um conjunto de profissionais e instituições comprometidos com a entrega de uma credencial digital poderosa e confiável.
Compreender a ICP-Brasil é compreender como o Brasil estruturou um modelo sólido de confiança digital, alinhado a padrões internacionais, mas adaptado à sua realidade. Em um cenário de crescente digitalização das relações sociais, econômicas e governamentais, a ICP-Brasil se consolida como uma infraestrutura crítica, essencial para o presente e para o futuro do país.
Principais Atividades – Estrutura Hierárquica da ICP-Brasil
| Entidade | Atividades Principais |
| Comitê Gestor da ICP-Brasil | • Define políticas, diretrizes e normas • Composição: órgãos do Estado e iniciativa privada • Papel: Normativo |
| ITI – Instituto Nacional de Tecnologia da Informação | • Define parâmetros criptográficos • Credencia ACs, ARs, PSCs e outros entes da ICP-Brasil • Audita a cadeia de confiança |
| Autoridade Certificadora Raiz (AC Raiz) | • Executada pelo ITI • Ser o ponto máximo de confiança • Emite certificados apenas para ACs de 1º nível |
| Autoridades Certificadoras de 1º Nível | • Audita atividades das ARs e ACs de 2º nível Define processos e políticas de certificação • Emite, renova e revoga certificados digitais para pessoas físicas, jurídicas, sistemas e aplicações |
| Autoridades Certificadoras de 2º Nível | • Audita atividades das ARs • Emite, renova e revoga certificados digitais para pessoas físicas, jurídicas, sistemas e aplicações |
| Autoridade de Registro (AR) | • Valida identidade do titular presencialmente ou remotamente • Não emite certificados • Garante legitimidade da identidade |
| Agente de Registro (AgR) | • Valida identidade do titular presencialmente ou remotamente • Confere e autentica documentos • Registra dados do titular no sistema da AR • Não emite certificados digitais diretamente • Garante legitimidade e conformidade do processo • Atua como elo entre usuário final e AR |
| Prestador de Serviço de Confiança (PSC) | • Prover serviços de assinatura digital em nuvem • Armazenar chaves criptográficas de forma segura • Garantir disponibilidade, integridade e confidencialidade dos serviços • Submeter-se a auditorias periódicas • Atuar em conformidade com normas da ICP-Brasil |
| Prestador de Serviço de Suporte (PSS) | • Apoia ACs e ARs em atividades técnicas e operacionais • Mantém infraestrutura auxiliar • Não emite certificados |
| Prestador de Serviço Biométrico (PSBio) | • Realiza coleta e validação biométrica (digitais, face, etc.) • Garante autenticidade da identidade por meios biométricos • Integra dados biométricos ao processo de certificação |
| Autoridade de Carimbo do Tempo (ACT) | • Emite carimbos do tempo para documentos e transações digitais • Garante a validade temporal de assinaturas digitais • Assegura integridade e não repúdio em registros eletrônicos |
| Usuários Finais – Pessoas Físicas | • Utilizam certificados digitais para autenticação e assinatura digital |
| Usuários Finais – Pessoas Jurídicas, Sistemas e Aplicações | • Utilizam certificados digitais para autenticação e assinatura digital |
Sobre Grupo Qualitycert

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