Soluções como o Gêmeo Digital e a IA têm ajudado as empresas a se tornarem mais flexíveis, resilientes e eficientes
Tornar-se uma empresa digital deixou de ser opcional. A escassez de mão de obra e a redução das margens de lucro têm levado os fabricantes de máquinas da indústria de manufatura industrial a embarcar em jornadas de transformação digital.
Soluções como o Gêmeo Digital e a IA — incluindo a tradicional, a generativa e agora a agentic — têm ajudado as empresas a se tornarem mais flexíveis, resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que estabelecem as bases para uma automação ampliada, mantendo o ser humano no centro do processo.
A digitalização é hoje a chave para a competitividade; e o Gêmeo Digital abrangente, combinado às digital threads (trilhas digitais), é a base da digitalização, conectando todas as etapas do ciclo de vida de um produto — do conceito à manufatura — em uma única fonte confiável de dados. Além disso, as digital threads unificam processos e sistemas, permitindo colaboração fluida entre departamentos e promovendo a integração de novas tecnologias.
IA e Gêmeo Digital abrangente: democratizando a transformação digital
A mudança dinâmica no setor de máquinas industriais — impulsionada pela integração da IA em design, operações e cadeias de suprimentos — continuará a transformar o setor nos próximos anos. A acessibilidade é fundamental à medida que as capacidades de IA avançam, e empresas de todos os portes buscam modernizar seus sistemas e processos. Atualizar processos de negócio pode parecer intimidador inicialmente para PMEs e ambientes brownfield, mas já existem soluções que facilitam o acesso à automação e aos processos de IA, algo cada vez mais importante à medida que as lacunas de talentos continuam a crescer.
Os modelos de linguagem de grande escala (LLMs), por exemplo, têm capacitado os trabalhadores a experimentar a IA. Apenas no último ano, muitos fabricantes começaram a implantar LLMs para preencher lacunas de conhecimento e fazer a ponte entre operações humanas e de máquinas.
Começar com essas ferramentas mais simples dá tempo para que designers e engenheiros se adaptem a novas soluções, permitindo que a empresa identifique suas necessidades específicas de IA e evolua a partir disso. O uso incremental de soluções com IA embarcada, voltadas às necessidades de engenharia e manufatura, acabará simplificando a adoção de soluções mais complexas e poderosas que estão por vir.
Quando uma empresa identifica onde e quando incluir IA em suas operações, a partir de casos de uso que geram valor, ela pode começar a treinar modelos de IA internos. Nesse estágio, fabricantes de máquinas, por exemplo, podem integrar totalmente a IA generativa e agentes aos seus processos para criar novos conteúdos de engenharia e manufatura e até automatizar fluxos de trabalho complexos.
Alcançar uma fábrica mais automatizada, preparada para enfrentar um cenário volátil, começa com um plano. Para criar um plano sólido, os OEMs devem recorrer ao Gêmeo Digital para o comissionamento virtual.
É fundamental testar como e onde determinados processos funcionarão antes de integrar novas máquinas ou processos a fluxos de trabalho mais tradicionais. O Gêmeo Digital da fábrica cria uma representação virtual precisa e em tempo real do ambiente fabril, acessível a trabalhadores de diferentes equipes e disciplinas.
Harmonizando humanos, robôs e automação por meio da digitalização
Digitalização nem sempre significa descartar equipamentos antigos e confiáveis para substituí-los por novas máquinas. Muitos OEMs já obtiveram retorno sobre o investimento ao integrar robôs colaborativos (cobots), que auxiliam os trabalhadores humanos durante a produção.
Os cobots permitem uma integração fluida entre sistemas automatizados e manuais, possibilitando que os fabricantes os utilizem onde são necessários, sem interromper processos que já funcionam bem. Ao adotar cobots, um ambiente brownfield pode avaliar rapidamente como modernizar suas operações e se transformar em uma instalação de última geração.
Uma fábrica que integrou totalmente o Gêmeo Digital também pode implementar IA em conjunto para potencializar as operações. Fabricantes de máquinas podem criar ambientes imersivos que reproduzem fielmente fábricas físicas e linhas de produção, acelerando o treinamento e a programação de robôs. Nessa sala de aula virtual, os robôs podem praticar tarefas, enfrentar desafios comuns e desenvolver habilidades de resolução de problemas em poucas horas, em vez de meses ou até anos.
As capacidades do Gêmeo Digital e da IA também estabelecem as bases para tecnologias emergentes, como os robôs humanoides. Os humanoides têm potencial para transformar a manufatura industrial e provavelmente chegarão ao chão de fábrica nos próximos anos.
Como resultado, o comissionamento virtual impulsionado pelo Gêmeo Digital se tornará ainda mais importante. Ele estará no centro de operações harmoniosas entre humanos, cobots, robôs inteligentes e humanoides, permitindo que a fábrica antecipe interações humanas com sistemas e equipamentos automatizados.
A transição do hardware para o software
Com os rápidos avanços tecnológicos, a manufatura industrial enfrenta pressão para lidar com a escassez de habilidades, cadeias de suprimentos imprevisíveis e a crescente demanda por uma produção mais eficiente em recursos e sustentável. Operações autônomas ajudam os fabricantes de máquinas a enfrentar os desafios atuais e a se posicionar para os futuros.
Como parte dessa mudança, a automação está migrando de dispositivos baseados em hardware para funcionalidades definidas por software. A automação definida por software (Software-Defined Automation – SDA) combina a flexibilidade da tecnologia da informação (TI) com a robustez da tecnologia operacional (TO).
Agora, em vez de depender de hardware fixo para funcionalidades específicas, a SDA utiliza software para controlar, aprimorar e atualizar recursos, tornando-os mais adaptáveis e escaláveis. Ambientes brownfield, por exemplo, podem se beneficiar especialmente da SDA, pois ela permite conectar equipamentos e sistemas legados a serviços e aplicações modernas orientadas por dados. Uma vez conectadas, fábricas mais antigas podem começar a construir sua própria digital thread e avançar rumo a níveis mais elevados de automação e operações aceleradas.
Jornada, não destino
As máquinas industriais estão entrando em sua próxima era dourada. O sucesso em 2026 dependerá da capacidade do setor de se manter resiliente enquanto a revolução da IA mantém — ou até acelera — seu ritmo. Para fabricantes de máquinas, equipamentos e componentes, o modelo de empresa digital representa uma abordagem transformadora, na qual todos os aspectos do negócio são interconectados por meio de dados, automação e insights em tempo real.
Ao integrar o Gêmeo Digital e alavancar a IA, as organizações podem ir além de sistemas fragmentados e ultrapassados, construindo estruturas flexíveis que respondem tanto aos desafios atuais quanto aos futuros. À medida que mais empresas adotam essa abordagem, torna-se claro que abraçar a transformação digital é essencial para garantir agilidade contínua e sucesso de longo prazo nesta nova era da manufatura.
Sobre o autor

Rahul Garg é Vice-Presidente de Estratégia de Software para o Vertical de Máquinas Industriais na Siemens Digital Industries Software. Como líder focado no cliente, uma de suas maiores satisfações é ajudar a simplificar problemas complexos e viabilizar o sucesso dos clientes, entregando soluções poderosas e eficazes que apoiam pequenas e médias empresas. Ao longo de sua carreira, que inclui passagens por três startups e, atualmente, por uma grande empresa, Rahul trabalhou de perto com PMEs e indústrias orientadas por tecnologia para superar desafios-chave e impulsionar o crescimento de receita por meio de soluções estratégicas, serviços mais inteligentes e melhores práticas de negócio.
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