Em artigo publicado pela Exame, Sérgio Muniz analisa por que a aceleração da inteligência artificial está expondo falhas básicas de segurança e colocando a gestão de identidades no centro do risco cibernético em 2026
Em artigo publicado na Exame, Sérgio Muniz, Vice-presidente de Vendas de Identity & Access Management da Thales na América Latina, sustenta que a chamada “corrida do ouro” da inteligência artificial tem levado organizações a avançar rapidamente em novas camadas tecnológicas sem assegurar o essencial. O resultado, segundo o executivo, é um ambiente com mais superfície de ataque, menos controle real e vulnerabilidades cada vez mais exploradas.
A distração tecnológica e o retorno ao essencial
Ao longo do artigo, Sérgio Muniz defende que, embora as ameaças de cibersegurança se tornem mais sofisticadas, 2026 representa uma oportunidade clara de voltar aos fundamentos. Para ele, a proteção eficaz dos sistemas depende menos de inovação isolada e mais de disciplina, continuidade e resiliência.
A inteligência artificial, nesse contexto, não é apresentada como vilã. O problema, segundo o autor, está na forma como sua adoção acelerada tem desviado a atenção de conceitos básicos de segurança e privacidade — muitas vezes sem que funcionários estejam devidamente conscientizados, enquanto atacantes já exploram essas mesmas capacidades.

“Sem uma estratégia consistente de identidade, a inteligência artificial apenas potencializa vulnerabilidades que já existem nas organizações”‘ afirma,” Sérgio Muni, Vice-presidente de Vendas de Identity & Access Management da Thales na América Latina
Identidade como principal vetor de risco
Sérgio Muniz é categórico ao afirmar que as ameaças relacionadas à identidade explicam hoje a maior parte das brechas graves. Não por genialidade dos atacantes, mas pela recorrência de portas abertas: identidades mal geridas, acessos excessivos, configurações incorretas e falhas de atualização.
Ele observa que a “febre do ouro” da IA está levando muitas organizações a implantar novas tecnologias sem resolver esses pontos estruturais, criando um desequilíbrio perigoso entre inovação e controle.
A visão convergente dos executivos da Thales
O artigo também incorpora a visão de outros executivos da Thales, que reforçam esse diagnóstico sob diferentes perspectivas.
Haider Iqbal, diretor de Marketing de Produto em gestão de identidades e acessos, alerta que o maior risco para 2026 não é a inteligência artificial em si, mas a distração que ela gera. Na avaliação dele, a obsessão por novas capacidades tecnológicas tem adiado decisões fundamentais sobre governança de acessos e disciplina operacional.
Marco Venuti, diretor de Aceleração de Negócios de Gestão de Identidades e Acessos, aponta que as equipes de segurança passam mais tempo integrando ferramentas do que gerenciando riscos. Para ele, esse modelo já se mostra insustentável e tende a se agravar se não houver uma mudança clara de prioridades.
Já Daniel Ion, vice-presidente da área de engenharia da Thales, defende que as organizações precisam projetar seus ambientes assumindo falhas — de fornecedores, da nuvem e de configurações de acesso. Essa abordagem, segundo ele, é essencial em um cenário em que dependências não mapeadas e confiança implícita em terceiros continuam sendo exploradas.
Cadeia de suprimentos, cultura e quantificação do risco
Outro ponto central do artigo é o risco persistente da cadeia de suprimentos, frequentemente destacado em relatórios globais. Sérgio Muniz associa esse problema a controles baseados em fundamentos mal resolvidos, como visibilidade limitada, acessos herdados e dependências não documentadas.
Ele também chama atenção para a necessidade de uma mudança cultural. A segurança, argumenta, deve deixar de ser vista como um custo técnico e passar a ser tratada como uma responsabilidade empresarial mensurável. Em 2026, os conselhos não perguntarão apenas se a organização está protegida, mas qual é o custo real de não estar.
Fazer bem o essencial
O artigo se encerra com uma mensagem direta: o futuro da cibersegurança não será definido por soluções futuristas, mas pela capacidade de fazer bem o essencial, de forma disciplinada e contínua. Validar identidades, monitorar comportamentos e reduzir privilégios internos será tão importante quanto se defender de ameaças externas.
Na corrida do ouro da inteligência artificial, o alerta de Sérgio Muniz é claro: sem identidade, não há segurança.
Por que esse alerta importa para o Brasil
A discussão reforça um ponto central: não há confiança digital, inovação ou escala sem identidade bem governada.
Do ponto de vista do Crypto ID, o alerta trazido no artigo dialoga diretamente com a agenda de transformação digital no Brasil. A expansão de serviços digitais, identidades governamentais, plataformas financeiras e ecossistemas baseados em dados exige que identidade seja tratada como infraestrutura crítica — não como camada acessória.
À medida que a IA passa a operar decisões, autenticações e fluxos sensíveis, a ausência de governança sólida de identidade deixa de ser um risco técnico e passa a ser um risco sistêmico, com impactos econômicos, regulatórios e sociais.
Sobre a Thales

A Thales (Euronext Paris: HO) é líder global em tecnologias avançadas especializadas em três domínios de negócios: Defesa e Segurança, Aeronáutica e Espaço e Segurança Cibernética e Identidade Digital. Ela desenvolve produtos e soluções que ajudam a tornar o mundo mais seguro, mais verde e mais inclusivo. O Grupo investe perto de € 4 bilhões por ano em Pesquisa e Desenvolvimento, particularmente em áreas-chave de inovação, como IA, segurança cibernética, tecnologias quânticas, tecnologias de nuvem e 6G. A Thales tem perto de 81.000 funcionários em 68 países. Em 2023, o Grupo gerou vendas de € 18,4 bilhões.
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