O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), por meio de sua iniciativa global Generation Unlimited – GenU – Geração Sem Limites abriu uma convocação estratégica para o setor de tecnologia.

O objetivo é selecionar uma empresa ou consórcio capaz de desenvolver e implementar um programa piloto focado em ampliar a empregabilidade juvenil em escala global.
Com o prazo de submissão de propostas encerrando-se em 16 de fevereiro de 2026, a iniciativa busca solucionar um gargalo crítico: a fragmentação de certificados de aprendizagem que, por não serem transferíveis, impedem que jovens convertam conhecimento em renda.
A “Carteira de Competências”: Identidade Digital a Serviço do Futuro
A essência do projeto é a criação de uma infraestrutura baseada em Credenciais Verificáveis (VCs). Inspirada no conceito do LearnerID, a solução funcionará como uma carteira digital onde o jovem poderá armazenar e gerenciar suas conquistas educacionais. LearnerID é um conceito ligado à identidade digital do estudante — um identificador único, verificável e persistente atribuído a uma pessoa ao longo de sua jornada educacional.
Em termos práticos, trata-se de um ID digital individual que permite:
Integrar dados educacionais a políticas públicas
Identificar o aluno de forma inequívoca
Consolidar históricos acadêmicos
Registrar certificados e diplomas
Facilitar transferência entre instituições
Validar credenciais de forma segura
Diferente dos métodos tradicionais, este sistema foca em:
- Inclusão de Marginalizados: Permitir que jovens sem acesso à educação formal comprovem habilidades adquiridas em cursos técnicos ou artesanais.
- Segurança e Privacidade: Uso de padrões de identidade descentralizada para garantir o controle dos dados pelo usuário.
- Interoperabilidade Global: Garantir que uma competência adquirida em uma região seja reconhecida por governos e empregadores em qualquer lugar do mundo.
Responsabilidades do Parceiro Tecnológico
O parceiro selecionado terá um papel consultivo e técnico fundamental, sendo responsável por:
- Construção da Infraestrutura: Desenvolver uma plataforma segura, escalável e alinhada aos padrões globais de biometria e identificação civil.
- Colaboração Estratégica: Trabalhar junto ao GenU e ao UNICEF para garantir que a tecnologia atenda às normas de proteção de dados.
- Capacitação: Treinar instituições e jovens para o uso eficaz da ferramenta.
- Testes Regionais: Implementar o piloto em localidades selecionadas antes da expansão global.
Estrutura de Implementação em Fases
Para garantir a viabilidade do sistema, o projeto será dividido em quatro etapas principais:
- Fase 1: Descoberta e design colaborativo.
- Fase 2: Estruturação do design do sistema.
- Fase 3: Desenvolvimento técnico e integração do produto.
- Fase 4: Testes pré-piloto e lançamento oficial da implementação piloto.
O Impacto até 2030
Lançada originalmente em 2018, a iniciativa Geração Sem Limites tem a meta ambiciosa de conectar 1,4 bilhão de jovens a oportunidades reais até 2030. Ao adotar sistemas de identidade digital e credenciamento moderno, o UNICEF não apenas moderniza a educação, mas combate a desigualdade ao tornar o talento visível e verificável, independentemente das fronteiras geográficas ou sociais.
FAQ Técnico: Edital UNICEF GenU para Credenciamento Digital
Este guia esclarece os pontos fundamentais para empresas que atuam com identidade digital, biometria e blockchain que desejam participar da licitação.
1. Quais são os padrões técnicos de interoperabilidade exigidos?
O UNICEF exige que a solução esteja alinhada aos padrões globais de Credenciais Verificáveis (VCs) e Identificadores Descentralizados (DIDs). O objetivo é evitar o vendor lock-in (dependência de um único fornecedor). A tecnologia deve permitir que as credenciais emitidas pelo sistema sejam lidas e verificadas por qualquer plataforma que siga os padrões do W3C.
2. O sistema deve suportar biometria?
Embora o foco principal seja o LearnerID (carteira de competências), a segurança e a unicidade do usuário são cruciais. Empresas com experiência em biometria e identificação civil são valorizadas para garantir que a identidade do jovem seja vinculada de forma segura à sua carteira digital, prevenindo fraudes em certificações e garantindo o acesso em áreas com baixa infraestrutura documental.
3. Como deve ser tratada a questão da proteção de dados de menores?
Este é um ponto crítico do edital. A solução deve prever:
- Privacidade por Design: Minimização de dados coletados.
- Gestão de Consentimento: Fluxos específicos para menores de idade, incluindo a transição de consentimento parental para autonomia plena conforme o jovem atinge a maioridade legal de sua jurisdição.
- Soberania de Dados: O jovem deve ter o controle total sobre quais credenciais deseja compartilhar e com quem.
4. A solução precisa funcionar offline?
Sim. Como o piloto visa atingir jovens em situações de vulnerabilidade ou em regiões com conectividade instável, o parceiro implementador deve demonstrar como a carteira digital pode armazenar e apresentar credenciais de forma segura sem dependência constante de internet (armazenamento local seguro e verificação via QR Code ou protocolos similares).
5. O projeto exige integração com sistemas legados?
Sim. Na Fase 3 (Integração), o parceiro deverá conectar a carteira digital a plataformas de emissão já existentes em instituições de ensino técnico e órgãos governamentais, além de prever integração opcional com o ecossistema Yoma e o YoID.
6. Quais são as fases obrigatórias de entrega?
O contrato será executado em quatro marcos:
- Descoberta: Mapeamento de jornadas e requisitos legais/técnicos.
- Arquitetura: Definição de taxonomias e modelos de governança.
- Desenvolvimento: Entrega do MVP (Produto Mínimo Viável) para emissão e gestão.
- Piloto: Testes de campo com organizações membros do GenU.
7. Qual o prazo final e onde submeter?
As propostas devem ser enviadas até o dia 16 de fevereiro de 2026. O anúncio oficial e o envio de documentos ocorrem via Portal de Parceiros da ONU.
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