Fintech brasileira desenvolve plataforma que conecta redes bancárias e stablecoins em um único ambiente, utilizando inteligência artificial para encontrar as rotas mais eficientes de transferências internacionais
A infraestrutura de pagamentos internacionais passa por um momento de transformação. Tecnologias baseadas em blockchain, stablecoins e inteligência artificial começam a ocupar espaço em um sistema que, em grande parte, ainda depende de estruturas criadas décadas atrás.
Nesse contexto surge a proposta da Oxus Finance, fintech brasileira que desenvolveu um agregador de stablecoins com inteligência artificial para simplificar transferências internacionais corporativas. A empresa anunciou recentemente uma rodada seed de US$ 2,4 milhões, que deve acelerar o desenvolvimento da plataforma e ampliar sua operação.
O investimento foi liderado pela Echo3 Participações e contou também com a Underblock, Boost Research e Defiers, empresas com atuação no ecossistema blockchain no Brasil. A rodada incluiu ainda investidores-anjo como Lucas Amendola (Defiverso), Luísa Pires (Luisapirescrypto), Luiz Fernando Benkendorf (LZ Academy), Orlando Telles (Orlando On Crypto), Diego Aguiar (ex-Goldman Sachs) e Ernani Assis (Nomad).
Mais do que uma nova fintech de pagamentos, a proposta da Oxus aponta para uma tendência maior: o surgimento de novas camadas de infraestrutura financeira digital capazes de integrar redes bancárias tradicionais e sistemas baseados em criptoativos.
Uma camada inteligente para pagamentos globais
Fundada em 2025, a Oxus Finance desenvolveu uma plataforma que funciona como um orquestrador de liquidez e rotas de pagamento.
A solução reúne diferentes operadores, redes de liquidação, moedas e meios de transferência em um único ambiente digital. A partir daí, algoritmos de inteligência artificial analisam as possibilidades disponíveis e selecionam automaticamente a rota mais eficiente para cada transação.
Isso significa que uma transferência internacional pode ser processada utilizando diferentes infraestruturas — bancárias ou baseadas em blockchain — de acordo com fatores como custo, velocidade, liquidez e disponibilidade da rede.
Na prática, a plataforma conecta sistemas de pagamentos locais como Pix (BRL), Wire (USD) e SEPA (EUR) a soluções baseadas em stablecoins, como USDT e USDC.
O resultado é uma experiência de transferência internacional que pode levar minutos, enquanto operações realizadas pelo sistema bancário tradicional — geralmente por meio da rede SWIFT — podem levar dias para serem concluídas.

Segundo Fillipe Trentin “Coruja”, fundador e CEO da Oxus Finance, o objetivo da empresa é reduzir a fricção que ainda marca as transações financeiras internacionais.
“O sistema financeiro global ainda opera com processos fragmentados e tecnologias que não acompanham a velocidade da economia digital. Quando uma transferência simples leva dias para ser liquidada, fica claro que há espaço para inovação. Nosso objetivo é tornar o envio de recursos para qualquer lugar do mundo tão simples quanto o Pix é hoje no Brasil”, afirma.
Stablecoins como nova infraestrutura financeira
O crescimento das stablecoins tem chamado atenção de empresas de tecnologia financeira, bancos e reguladores ao redor do mundo.
Atualmente, esses ativos digitais — normalmente lastreados em moedas fiduciárias como o dólar — já movimentam trilhões de dólares por ano e começam a desempenhar um papel relevante na liquidação de transações internacionais.

Para Rafael Castaneda, cofundador e COO da Oxus Finance, o impacto das stablecoins tende a ir além do universo cripto.
“As stablecoins já funcionam, em muitos casos, como um ‘Pix global’. O que estamos vendo agora é a transição desses ativos de um instrumento de pagamento alternativo para uma camada real de infraestrutura financeira digital”, afirma.
Essa mudança vem sendo impulsionada por três fatores principais: crescimento da liquidez em stablecoins; evolução da infraestrutura blockchain e integração com sistemas financeiros tradicionais.
A proposta da Oxus se insere justamente nesse ponto de convergência.
Casos de uso: empresas globais e operações internacionais
A plataforma foi projetada principalmente para empresas que realizam operações financeiras internacionais com frequência.
Entre os principais casos de uso estão; pagamento de fornecedores no exterior, transferências entre filiais de empresas multinacionais, remessas para colaboradores que trabalham remotamente em outros países e operações de comércio internacional
Neste primeiro momento, a plataforma da Oxus permite remessas para mais de 100 países, incluindo Estados Unidos, Suíça, França, Espanha, Emirados Árabes Unidos e Índia.
A expectativa da empresa é ampliar gradualmente o portfólio de serviços, incluindo soluções mais sofisticadas baseadas em blockchain, como tokenização de ativos e produtos financeiros digitais.
Os fundadores por trás da Oxus
A combinação de competências tecnológicas, jurídicas e financeiras sustenta a proposta da empresa de conectar infraestruturas bancárias tradicionais e redes blockchain para simplificar transações globais
A Oxus Finance foi fundada por profissionais com experiência em tecnologia, blockchain, direito e mercado financeiro. A empresa é liderada por Fillipe Trentin “Coruja”, CEO e formado pelo MIT, com passagens por organizações como FWA Group, R3 Corda, Kaleido/Microsoft Azure e Solana.
O time fundador inclui ainda Rafael Castaneda, cofundador e COO, mestre em Sistemas e Computação pelo IME/RJ e com mais de 20 anos de experiência em projetos de software; Gustavo Nogueira, cofundador e CLO, advogado formado pela PUC-SP e especialista em Direito Empresarial; e Thiago Barbosa, cofundador e CCO, professor universitário e doutor em Tributação de Criptoativos pela USP.
Nos últimos anos, o avanço de tecnologias como blockchain, identidade digital, inteligência artificial e tokenização tem impulsionado o surgimento de novas infraestruturas financeiras mais rápidas, programáveis e interoperáveis. Nesse cenário, agregadores de liquidez e plataformas capazes de integrar diferentes sistemas de pagamento podem se tornar peças importantes na próxima geração da economia digital.
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