O venture capital é voltado principalmente a startups e empresas em fase de expansão significamente acelerada
O mercado de venture capital voltou ao centro das estratégias de crescimento no Brasil. Depois de um período de retração, os investimentos direcionados a startups e empresas de alto potencial apresentaram forte recuperação ao longo do último ano.
Segundo relatório global da KPMG, o volume aportado em venture capital no país somou US$ 3,04 bilhões no ano, um crescimento de 62,6% em relação aos US$ 1,87 bilhão registrados em 2024. Trata-se do maior patamar desde 2022, período ainda marcado pela euforia pós-boom de 2021, quando os aportes alcançaram US$ 7,90 bilhões.
Os dados indicam não apenas retomada do apetite por risco, mas também uma nova fase do mercado, mais seletiva e orientada a fundamentos financeiros sólidos. No terceiro trimestre de 2025, por exemplo, os aportes em startups brasileiras já haviam avançado cerca de 47% na comparação anual, sinalizando uma recuperação consistente ao longo do período.

“O movimento ocorre em um cenário global de reorganização de capital. Com a expectativa de redução de juros em economias desenvolvidas, investidores internacionais voltam a buscar oportunidades em mercados emergentes. O Brasil passa a ser visto como destino estratégico, especialmente diante de ativos considerados descontados e perspectivas de crescimento“, explica Gabriel Capano, CEO da HubCount.
Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial tem provocado ajustes nas avaliações de empresas de tecnologia, ao mesmo tempo em que abre espaço para novos modelos de negócios e oportunidades de inovação.
Dados financeiros como ponto de partida
Para especialistas, a nova fase do venture capital combina maior disponibilidade de capital com um nível mais alto de exigência por governança e transparência. “Quando um investidor começa a avaliar uma empresa, a primeira coisa que ele quer ver são os números. Demonstrativos financeiros, indicadores de crescimento, margens e histórico de receita precisam estar muito claros. Sem isso, o investidor simplesmente não consegue entender o negócio“, afirma Gabriel Capano.
Segundo o CEO da HubCount, a organização prévia das informações financeiras deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico para qualquer negociação. “Você pode ter um produto excelente e um mercado enorme, mas se não conseguir demonstrar isso com números claros, o investidor não consegue avaliar o risco do negócio. A transparência dos dados acaba sendo um dos fatores mais importantes para que uma captação avance“, diz.
Como funciona a captação
O venture capital é voltado principalmente a startups e empresas em fase de expansão acelerada. Fundos especializados aportam recursos em troca de participação societária, normalmente por meio de rodadas de investimento. Em cada etapa, os investidores costumam adquirir entre 10% e 20% do negócio, gerando diluição progressiva da participação dos fundadores.
Além do modelo tradicional, há o Corporate Venture Capital, no qual empresas consolidadas investem diretamente em startups com recursos próprios. Também existem fundos focados na aquisição de empresas maduras e lucrativas, com geração de caixa previsível.
Independentemente do formato, o processo segue etapas bem definidas. A captação começa com a elaboração do pitch deck, apresentação estratégica com informações sobre mercado, modelo de receita e projeções financeiras. Em seguida ocorre o roadshow, quando os empreendedores apresentam o negócio a diferentes fundos.
Se houver interesse, inicia-se a due diligence, fase de análise detalhada de dados financeiros, contratos e estrutura societária, geralmente por meio de ambientes restritos conhecidos como data rooms. “O investidor vai validar se os números apresentados realmente refletem a realidade da empresa. Por isso é fundamental que as informações estejam organizadas desde o início do processo“, afirma Gabriel Capano, CEO da HubCount.
Mercado mais maduro
A recuperação de 62,6% no volume anual mostra que o capital voltou a circular, mas dentro de uma lógica mais criteriosa do que a observada no auge de 2021. A prioridade agora está na consistência dos indicadores, na previsibilidade de receita e na capacidade de crescimento sustentável.
Nesse contexto, empresas que estruturam dados, acompanham métricas estratégicas e mantêm governança clara tendem a ter vantagem competitiva na disputa por recursos em um mercado que voltou a crescer, mas com regras mais rígidas.
Acesse a coluna na qual falamos sobre Dados!

Cadastre-se para receber o IDNews e acompanhe o melhor conteúdo do Brasil sobre Identificação Digital! Aqui!































