ID Talk com Fernanda Beato explora como identidade digital se tornou estratégica no mercado de apostas, abordando deepfakes, prevenção a fraudes, conversão e os desafios regulatórios no Brasil
O avanço acelerado das fraudes digitais, impulsionado por deepfakes, identidades sintéticas e o uso crescente de IA generativa, está redefinindo o papel da identidade no mercado de apostas online. Em um cenário de alto risco e rápida expansão, potencializado por grandes eventos como a Copa do Mundo, garantir que o usuário é quem diz ser deixou de ser apenas uma exigência regulatória e passou a ser um fator crítico para a sustentabilidade do negócio.
Em nosso ID Talk, Fernanda Beato, Diretora Executiva Sênior de Vendas na unico IDtech, explora como o setor vem lidando com o aumento expressivo de ataques sofisticados e de que forma tecnologias como biometria, prova de vida e inteligência baseada em efeito de rede estão evoluindo para mitigar essas ameaças sem comprometer a experiência do usuário. A executiva também detalha como processos mais eficientes de verificação de identidade impactam diretamente indicadores como conversão, retenção e receita, mostrando que segurança e usabilidade não são mais forças opostas.
Além disso, a conversa aborda os avanços e desafios do ambiente regulatório brasileiro, o papel da identidade na prevenção ao acesso de menores e as tendências que devem moldar o futuro do betting, com destaque para modelos multicamadas e contínuos de autenticação. Nesse contexto, a identidade digital se consolida não apenas como uma barreira contra fraudes, mas como uma alavanca estratégica para crescimento, confiança e competitividade no setor.
Leia entrevista na íntegra!

Crypto ID: Considerando o crescimento exponencial de fraudes com uso de deepfakes e identidades sintéticas, quais são hoje os principais vetores de ataque observados no segmento de apostas online? Em que medida as tecnologias atuais de prova de vida e biometria comportamental estão, de fato, conseguindo mitigar essas ameaças?
Fernanda Beato: Temos observado uma sofisticação crescente das tentativas de fraude em todo no ambiente digital, incluindo ataques com uso de deepfakes e outros mecanismos que buscam simular legitimidade em etapas críticas da jornada. No caso do mercado de apostas, isso não tem sido diferente.
Em 2025, vimos um crescimento de mais de 1.000% nas tentativas de fraudes sofisticadas, e neste cenário, realizamos mais de 1,5 bilhão de verificações. Esse volume recorde de autenticações alimenta um poderoso efeito de rede em que cada transação aprimora ainda mais a inteligência do sistema utilizado e reforça a segurança dos clientes, mesmo diante de ameaças crescentes.
Esses dados reforçam a necessidade de tecnologias robustas de verificação e autenticação, capazes de operar com precisão sem gerar atrito desnecessário para usuários legítimos. Do ponto de vista prático, no setor de apostas, isso se traduz em autenticação segura e rápida, com menor fricção do cadastro ao saque, gerando assim mais conversão para as operadoras de apostas de quota fixa.
Crypto ID: O discurso de que identidade digital impacta conversão e retenção é cada vez mais presente. Tecnicamente, quais são os indicadores que sustentam essa correlação? É possível isolar o ganho de receita diretamente atribuído à melhoria nos processos de KYC/IDV?
Fernanda Beato: Existe uma percepção de que segurança e experiência competem entre si, mas, na prática, quando a verificação de identidade é bem estruturada, é possível melhorar os dois lados. O usuário consegue avançar rápido, e a operação ganha eficiência e controle.
No setor de apostas, por exemplo, vemos onboarding em menos de 30 segundos, com mais de a reativação de apostadores inativos sendo feita de forma até sete vezes mais rápida (do que outras soluções do mercado). Além disso, a prova de vida da Unico, realizada sem interação, leva apenas 2,5 segundos e possui uma taxa de aprovação de 97% na primeira tentativa, um indicador de eficiência fundamental para a retenção de usuários.
Outro destaque é o reaproveitamento de documentos já validados. Com o consentimento do usuário e em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), mais de 67% dos apostadores reutilizam suas informações, o que reduz em 70% o nível de desistências no cadastro/onboarding. Todos esses recursos reduzem significativamente o abandono durante o cadastro e aceleram a ativação nas plataformas.
Desta forma, podemos comprovar que a verificação de identidade impacta diretamente variáveis como o aumento da conversão, satisfação do cliente e eficiência operacional, com crescimento de receita. A partir daí, cada operador consegue medir tangivelmente o efeito financeiro conforme sua jornada e modelo de operação.
Crypto ID: Na visão da Unico, o arcabouço regulatório brasileiro para apostas – especialmente no que tange à verificação de identidade e prevenção à fraude — já atingiu um nível adequado de maturidade? Onde ainda existem lacunas críticas?
Fernanda Beato: A legislação brasileira é muito recente em bets, mas amadureceu muito rápido. É um fenômeno tipicamente brasileiro, se tomarmos como exemplo o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados. O brasileiro, individualmente, é top 3 em qualquer plataforma da internet, o que obriga o regulador a atender de forma muito rápida às demandas dessa sociedade, que é tão digital.
Ao mesmo tempo, o ambiente ainda exige evolução contínua. Em um mercado regulado e de alta exposição, a verificação de identidade precisa ser tratada como infraestrutura crítica. Ela ajuda a dar mais segurança e transparência às operações, além de contribuir para impedir acessos indevidos e práticas ilegais.
A regulamentação dos fornecedores tecnológicos do setor, especialmente os provedores de verificação de identidade (KYC – Know Your Customer), tende a fortalecer o ecossistema do mercado regulado. A regulamentação desses fornecedores cria um padrão mínimo de qualidade e segurança para as soluções que operam no setor.
Quando o regulador estabelece critérios claros, ele cria uma barreira técnica positiva. Isso dá previsibilidade para quem quer investir e operar de forma séria e, ao mesmo tempo, evita assimetrias competitivas entre empresas que seguem padrões elevados e aquelas que tentariam atuar com soluções de menor qualidade.
Mais do que apontar lacunas específicas, o principal desafio hoje é garantir que segurança, conformidade e fluidez avancem juntas. O mercado amadurece quando consegue equilibrar esses três elementos sem comprometer nenhum deles.
Crypto ID: Com a discussão do chamado “ECA Digital”, quais seriam os requisitos mínimos de identificação para garantir, de forma efetiva, a não participação de menores em plataformas de apostas? A biometria, isoladamente, resolve esse desafio? A discussão sobre o ECA Digital reforça a importância de mecanismos robustos de verificação para impedir o acesso de menores a plataformas de apostas. Para que esse controle seja efetivo, a identificação precisa ser confiável, escalável e integrada à jornada real do usuário.
Fernanda Beato: A verificação de identidade é uma camada essencial para impedir o acesso de pessoas que a lei proíbe de apostar, incluindo menores de idade. Isso significa que a tecnologia precisa ser capaz de confirmar que a pessoa é quem diz ser e que está apta, do ponto de vista regulatório, a acessar aquele serviço.
Crypto ID: Como equilibrar, na prática, jornadas ultra rápidas (onboarding em segundos) com níveis elevados de segurança, especialmente em ambientes de alto risco como o betting? Existe um limite técnico para essa equação?
Fernanda Beato: Esse equilíbrio é justamente o centro da discussão atual no setor. Existe uma percepção antiga de que, para ganhar segurança, é preciso impor mais etapas e mais fricção. Mas, na prática, a tecnologia evoluiu para mostrar que é possível melhorar os dois lados ao mesmo tempo.
O limite técnico existe quando a experiência é desenhada sem inteligência contextual. Quanto mais a solução conhece a jornada e aplica verificação com precisão, menor tende a ser o atrito para o usuário legítimo e maior a capacidade de bloquear tentativas suspeitas.
Crypto ID: Modelos baseados em efeito de rede e identidade reutilizável ganham força. Como a Unico enxerga a interoperabilidade entre diferentes plataformas e operadores? Há risco de concentração excessiva ou dependência de um único provedor de identidade?
Fernanda Beato: Modelos baseados em identidade reutilizável e efeito de rede têm um papel importante na redução de fricção e no ganho de eficiência. No nosso caso, isso se traduz em alta cobertura da base, possibilidade de reaproveitamento de documentos com consentimento e jornadas mais rápidas para os usuários legítimos.
No efeito de rede da Unico cada verificação aprimora ainda mais a inteligência do nosso sistema, aumentando a precisão na detecção de anomalias e a velocidade de resposta contra ameaças emergentes, além de ajudar a aumentar a certeza de bons consumidores em toda a sua base de clientes.
A maturidade de mercado da Empresa, comprovada por 18 anos de operação com os maiores bancos e varejistas do País, confere uma camada extra de robustez e conformidade, validada em setores altamente regulados. A Unico opera com tecnologia proprietária, respeita integralmente a LGPD e não realiza sob hipótese nenhuma compartilhamento de base.
Crypto ID: Considerando as discussões recentes no BiS SiGMA Americas, quais mercados hoje são referência na aplicação de identidade digital para iGaming? O Brasil está mais próximo de modelos europeus, norte-americanos ou ainda em estágio inicial quando comparado a essas jurisdições?
As discussões no BiS SiGMA Americas mostraram que o mercado brasileiro está avançando rapidamente em temas que já são centrais em outras jurisdições, como experiência do usuário, segurança e conformidade. O que temos visto é um movimento claro de profissionalização e busca pelos mais altos padrões globais de operação e performance.
Fernanda Beato: Do lado da Unico, levamos para o setor de apostas a experiência acumulada em mercados altamente regulados no Brasil, como financeiro, pagamentos e varejo. Essa bagagem é importante porque ajuda a acelerar a maturidade do setor de apostas de quota fixa em temas como autenticação, prevenção à fraude e jornadas digitais com menor fricção. O Brasil está em uma fase de aceleração e amadurecimento, com discussões cada vez mais sofisticadas sobre identidade digital aplicada ao iGaming.
Crypto ID: Considerando o avanço da IA generativa e ataques cada vez mais sofisticados, qual é o próximo estágio da identificação humana no betting? Caminhamos para múltiplos fatores contínuos (biometria + comportamento + contexto) como padrão?
Fernanda Beato: O avanço da IA generativa e de ataques cada vez mais sofisticados tende a reforçar uma visão mais ampla de identidade digital. O futuro (próximo) passa menos por uma checagem isolada e mais por uma combinação de fatores que permita validar o usuário com segurança e fluidez ao longo da jornada.
A identidade deixou de ser apenas uma barreira contra o crime para se tornar também uma alavanca de receita. Isso exige soluções que atuem não só no cadastro, mas também em etapas como login, reativação e transações críticas, combinando tecnologia, inteligência e experiência do usuário.
Então, sim, a tendência é caminhar para modelos cada vez mais contextuais e multicamadas. Mais do que adicionar etapas, o objetivo é usar melhor os sinais disponíveis para autenticar com precisão o usuário legítimo.
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