A criptografia está presente em transações financeiras, comunicações corporativas e na autenticação de usuários
Por Teogenes Panella

A criptografia sempre foi um dos pilares da economia digital. Está presente em transações financeiras, comunicações corporativas e na autenticação de usuários.
Embora muitas vezes opere de forma invisível, é ela que sustenta a confiança nas operações digitais.
Pela primeira vez em décadas, esse pilar começa a enfrentar uma ameaça estrutural, impulsionada pela evolução da computação quântica.
Hoje, os principais algoritmos de criptografia assimétrica, como RSA e ECC, foram projetados com base na dificuldade computacional de determinados problemas matemáticos para máquinas clássicas. Esse modelo começa a ser desafiado.
Avanços recentes em computação quântica, liderados por grandes empresas de tecnologia, indicam uma evolução consistente na capacidade de processamento, aproximando o mercado de cenários que antes eram considerados apenas teóricos.
O risco, no entanto, não está apenas no momento em que um computador quântico funcional for capaz de quebrar a criptografia atual. Ele já começou. O modelo conhecido como “harvest now, decrypt later” parte de uma coleta de dados sensíveis no presente para posterior decodificação, quando essa capacidade estiver disponível. Isso é especialmente relevante para setores com longos ciclos de confidencialidade, como financeiro, saúde, governo e propriedade intelectual.
Esse cenário exige uma mudança na forma como as organizações avaliam a proteção de dados. Nem todas as informações têm o mesmo tempo de sensibilidade, e a escolha dos mecanismos de proteção precisa considerar por quanto tempo esses dados precisam permanecer seguros. Em outras palavras, a estratégia de criptografia deve estar alinhada ao ciclo de vida das informações.
Ao mesmo tempo, já há movimentos concretos de adaptação. O National Institute of Standards and Technology (NIST) avançou na seleção de algoritmos para padrões pós-quânticos, e grandes provedores de tecnologia iniciam testes em ambientes reais.
Ainda assim, existe um desalinhamento relevante: enquanto a tecnologia evolui rapidamente, a governança de criptografia nas empresas ainda é, em muitos casos, limitada ou fragmentada. Muitas organizações não têm visibilidade clara sobre onde utilizam criptografia, quais algoritmos estão em produção ou qual seria o impacto de uma eventual quebra.
Diante desse contexto, a criptografia deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a ocupar um papel estratégico. Não se trata apenas de atualizar algoritmos, mas de revisar a arquitetura de confiança digital. A transição para modelos pós-quânticos envolve impactos em desempenho, compatibilidade, gestão de chaves e investimento, exigindo planejamento e coordenação em escala.
No curto prazo, o risco mais relevante é a inércia. Empresas que tratam o tema como distante tendem a acumular complexidade , e aumentar o custo de adaptação no futuro . No médio prazo, a tendência é de maior pressão regulatória, especialmente em setores críticos, exigindo planos claros de criptografia resistente a ataques quânticos.
A questão para os executivos de tecnologia é objetiva: a organização sabe onde sua criptografia está aplicada, por quanto tempo ela precisa proteger os dados e qual seria o impacto de sua quebra? Se a resposta não for clara, o risco já deixou de ser futuro e passou a fazer parte do presente.
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