Executivo da HID analisa em ID Talk com Crypto ID como identificação digital, biometria e integração entre físico e digital redefinem a segurança no setor financeiro, governo e saúde
Durante entrevista concedida ao Crypto ID, André Richter Reis, Head of Sales in Latin America, Biometric Identity Technologies da HID, detalhou como a identificação digital deixou de ser apenas uma camada operacional e passou a ocupar posição estratégica nas operações críticas de bancos, governos, saúde.
A conversa também antecipou os movimentos da companhia para o Febraban Tech 2026, evento no qual a HID pretende reforçar sua visão de integração entre biometria, software, autenticação.
ID Talk: HID detalha como identidade se tornou infraestrutura crítica para segurança digital
A entrevista conduzida por Regina Tupinambá e Susana Taboas partiu de um ponto central: identificação já não pode mais ser tratada como um componente periférico da tecnologia.
Segundo André, a autenticação passou a ser o ponto de partida das operações digitais modernas, conectando cidadãos, bancos, serviços públicos e ambientes corporativos. A privacidade e a segurança dos dados devem ser incorporadas desde a concepção (embedded by design), servindo como a base fundamental para a autenticação biométrica em setores altamente regulados, tais como financeiro, saúde, governo e segurança pública.
Brasil se consolida como referência global em biometria e identificação digital
Ao abordar o cenário brasileiro, André Richter Reis ressaltou que o país se tornou um dos ambientes mais avançados do mundo em biometria aplicada ao setor financeiro. Pix, Open Finance, autenticação bancária, biometria facial e integração com plataformas governamentais foram citados como exemplos de uma maturidade que já começa a influenciar projetos em outros países da América Latina.
A análise apresentada durante o ID Talk reforça uma percepção cada vez mais presente no mercado: o Brasil se transformou em laboratório global de tecnologias de autenticação em larga escala. Bases biométricas com dezenas de milhões de usuários, integração entre canais físicos e digitais e operações críticas de alta disponibilidade criaram um ambiente extremamente exigente para fornecedores de tecnologia.
Nesse contexto, André destacou que a HID atua como fornecedora de componentes de identificação e segurança que atravessam diferentes gerações tecnológicas, desde caixa eletrônico e biometria digital até Open Finance, aplicativos bancários e autenticação em dispositivos móveis.
A convergência entre físico e digital mudou o papel da identificação
Um dos pontos centrais da entrevista foi a convergência entre experiências físicas e digitais. Segundo o executivo, a jornada de identificação e autenticação atual exige operações fluidas, rápidas e praticamente invisíveis para o usuário legítimo, mas ao mesmo tempo extremamente robustas contra fraudes.
A discussão avançou sobre um tema cada vez mais presente no setor financeiro: o retorno estratégico das agências físicas. Na avaliação apresentada durante a conversa, o movimento não representa um retrocesso digital, mas uma evolução da experiência híbrida, onde biometria, autenticação multifatorial e integração entre canais passam a ser essenciais.
André observou que a HID possui uma vantagem estrutural importante nesse cenário por ter surgido originalmente no mundo físico e posteriormente expandido sua atuação para o digital. Segundo ele, essa trajetória permite à companhia compreender simultaneamente as demandas de segurança presencial e as exigências da experiência digital moderna.
Segurança sem fricção se tornou a principal demanda dos bancos
Outro ponto relevante da entrevista foi a discussão sobre equilíbrio entre experiência e segurança. Segundo André Richter Reis, os provedores de serviço hoje buscam reduzir ao máximo a fricção para o usuário, sem comprometer os níveis de proteção contra fraude.
A biometria facial em caixa eletrônico, autenticação em dispositivos móveis e operações financeiras baseadas em identificação digital foram apresentadas como exemplos de aplicações que exigem respostas quase instantâneas, mas com mecanismos robustos de validação e criptografia.
O executivo destacou que consumidores se tornaram cada vez mais exigentes em relação à experiência digital e que isso força fornecedores de tecnologia a elevar continuamente os níveis de fluidez operacional.
HID quer ampliar presença em software e backend de gestão de identidades
Ao falar sobre Febraban Tech 2026, André antecipou que a HID pretende ampliar a percepção do mercado sobre seu portfólio. Segundo ele, a companhia não atua apenas na captura biométrica ou nos dispositivos físicos, mas também na camada de retaguarda responsável pela gestão, processamento e integração das operações de identificação.
A proposta apresentada pela empresa é consolidar um modelo mais próximo de “one stop shop”, oferecendo soluções integradas que conectam captura biométrica, autenticação, software de backend e infraestrutura de gerenciamento de identidades em uma arquitetura única.
O executivo também indicou que a biometria facial continuará sendo uma das apostas centrais da companhia para os próximos anos, especialmente em ambientes financeiros e governamentais.
América Latina avança em ritmos diferentes, mas Brasil lidera maturidade
Na parte final da entrevista, André compartilhou sua experiência na liderança regional da HID para América Latina. Segundo ele, embora o bloco latino-americano seja frequentemente tratado como um mercado homogêneo, existem níveis muito distintos de maturidade tecnológica entre os países.
México, Brasil e Argentina foram citados como mercados avançados em biometria financeira, enquanto outros países apresentam evolução mais acelerada em projetos governamentais de identificação civil. Ainda assim, o executivo afirmou que muitos dos cases brasileiros já começam a ser utilizados como referência internacional.
A entrevista completa reforça uma transformação que vem se consolidando em toda a indústria: identificação deixou de ser apenas autenticação. Hoje, ela se tornou infraestrutura crítica de confiança, segurança e operação digital.
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