Para Giovanna Velloso, em um cenário onde algoritmos e IA filtram informação, reputação deixa de ser percepção e passa a ser um ativo estratégico validado por dados
Por Giovanna Velloso, fundadora da Velloso Press

Existe uma mudança acontecendo agora que a maioria das marcas ainda não entendeu. A inteligência artificial não está apenas transformando a forma como consumimos informação. Ela está redefinindo quem tem o poder de ser visto, lembrado e considerado relevante.
Durante anos, a lógica do mercado foi baseada em visibilidade. Quem aparecia mais, crescia mais. Redes sociais, tráfego pago e produção constante de conteúdo criaram a sensação de que presença digital era suficiente para construir autoridade. Esse modelo começa a dar sinais claros de desgaste.
Segundo a PwC, a inteligência artificial deve contribuir com até 15,7 trilhões de dólares para a economia global até 2030. Ao mesmo tempo, dados da McKinsey indicam que empresas que utilizam IA de forma estratégica apresentam ganhos significativos em eficiência e tomada de decisão. O ponto central não é apenas o crescimento da tecnologia, mas o fato de que ela já está mediando escolhas em escala.
Com a evolução das ferramentas de inteligência artificial, especialmente nos mecanismos de busca e assistentes digitais, o processo de decisão deixou de ser exclusivamente humano. Hoje, sistemas interpretam, organizam e entregam respostas prontas, baseadas em critérios próprios de relevância e confiabilidade. Isso muda profundamente a dinâmica de construção de reputação.
A disputa não é mais apenas por atenção. É por validação. E essa validação não acontece dentro do perfil de uma marca, mas fora dele, em ambientes que carregam legitimidade editorial e reconhecimento público.
Quando uma inteligência artificial sintetiza informações, ela não escolhe qualquer fonte. Ela prioriza conteúdos que já possuem histórico de credibilidade. Isso significa que a autoridade deixa de ser apenas uma percepção construída diretamente com o público e passa a ser um ativo estruturado a partir de referências externas.
Nesse cenário, a presença em veículos de imprensa ganha um novo papel. Não se trata apenas de visibilidade ou alcance. Trata-se de construir um repertório público que será lido, indexado e interpretado por sistemas que influenciam decisões em escala.
Empresas que ainda concentram seus esforços apenas em canais próprios correm um risco silencioso. Podem até manter engajamento, mas perdem relevância nos ambientes onde decisões são filtradas antes mesmo de chegar ao usuário.
Ao mesmo tempo, marcas que investem em posicionamento estratégico, com presença consistente em veículos relevantes, constroem uma vantagem competitiva difícil de replicar. Elas passam a existir não apenas para o público, mas também para os sistemas que organizam o acesso à informação.
Estamos entrando em uma nova lógica de mercado, onde autoridade não é mais sobre quem fala mais alto, mas sobre quem é reconhecido nos lugares certos. E, cada vez mais, também por quem decide o que será ouvido.
Ignorar esse movimento não significa ficar para trás imediatamente. Significa perder espaço de forma progressiva, em um cenário onde a relevância deixa de ser visível a olho nu, mas impacta diretamente percepção, influência e, no fim, resultado de negócio.
A pergunta que fica não é mais como ganhar atenção. É como construir relevância em um ambiente onde até a confiança passou a ser mediada por inteligência artificial.
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