Processos que antes eram físicos passaram a ser digitais; essa mudança ampliou papel da certificação digital e abriu espaço para a confiança digital
O avanço da transformação digital mudou a forma como pessoas, empresas e governos se relacionam. Processos que antes dependiam de presença física, documentos em papel e validações presenciais passaram a acontecer em ambientes digitais, exigindo novos mecanismos de autenticação, segurança e governança. Essa mudança ampliou o papel da certificação digital e abriu espaço para um conceito mais abrangente: a confiança digital.
O tema esteve no centro das discussões do CertForum-ID 2026, realizado em Brasília nos dias 9 e 10 de junho. Com o tema “Infraestrutura de Confiança”, o evento reuniu representantes do setor público, especialistas, entidades e empresas para debater os caminhos da identidade digital, da segurança jurídica e da escalabilidade dos serviços digitais no Brasil.
Um dos destaques do evento foi o painel “Inovações: IA, Nuvem e Serviços de Confiança”, que trouxe uma reflexão sobre a evolução do mercado e os desafios que surgem em uma economia cada vez mais conectada. O painel contou com a participação de Vinicius Sousa, CEO e cofundador da Soluti e presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional de Certificação Digital (ANCD); Daniel Fabre Afonso, CEO da Safeweb; Jean Everson Martina, professor e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina, Mauricio Augusto Coelho, diretor de Tecnologias de Identificação do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) e José Rodrigues Gonçalves Júnior (mediador), diretor de Infraestrutura Tecnológica do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI).

Uma infraestrutura consolidada diante de novos desafios
Ao completar 25 anos de existência, a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) se consolidou como uma das principais infraestruturas de confiança digital do mundo. O marco foi celebrado durante o CertForum-ID 2026, ao lado de outro indicador que demonstra a dimensão da transformação digital brasileira: a emissão de 55 milhões de Carteiras de Identidade Nacional (CIN).
O país construiu, ao longo de duas décadas e meia, uma base sólida para garantir autenticidade, integridade e validade jurídica em transações eletrônicas. Hoje, mais de 16 milhões de certificados digitais ativos sustentam milhões de operações realizadas diariamente em diversos setores da economia. Mas o crescimento das interações digitais trouxe desafios que vão além da assinatura de documentos.

“A gente já avançou muito com a ICP-Brasil, e celebramos 25 anos de conquistas. É uma história construída a muitas mãos. Então, de um lado a gente tem essa estrutura muito bem consolidada, com 16 milhões de certificados ativos. Mas, por outro lado, a gente ainda tem um grande desafio relacionado a fraudes, roubo de identidade e golpes envolvendo identificação”, afirmou Vinicius Sousa durante sua apresentação.
O contraste ajuda a compreender o momento atual do mercado. Enquanto o Brasil possui uma das mais maduras infraestruturas de certificação digital do planeta, os índices de fraude digital continuam elevados, demonstrando que a expansão da economia digital exige mecanismos de confiança capazes de acompanhar sua crescente complexidade.
Da certificação digital aos serviços de confiança
Durante muitos anos, a discussão sobre confiança digital esteve concentrada na emissão de certificados digitais e na assinatura eletrônica. Hoje, porém, o debate internacional caminha em outra direção.
Na Europa, por exemplo, a evolução regulatória promovida pelo eIDAS 2.0 ampliou o conceito de serviços de confiança para incluir identidade digital, autenticação, credenciais verificáveis, compartilhamento seguro de atributos, carteiras digitais e mecanismos avançados de preservação eletrônica.
A confiança deixou de ser vista como um recurso aplicado a situações específicas e passou a ser tratada como uma infraestrutura essencial para o funcionamento da economia digital. Essa mesma tendência começa a ganhar força no Brasil.
O sucesso da ICP-Brasil não representa um ponto final, mas a base sobre a qual uma nova camada de serviços está sendo construída. A lógica que garantiu segurança jurídica para documentos eletrônicos agora pode ser aplicada a novas jornadas digitais, envolvendo cidadãos, empresas, sistemas, dispositivos e, futuramente, agentes autônomos de inteligência artificial.
A evolução da própria Soluti acompanha esse movimento. Fundada em um momento em que a certificação digital ainda dava seus primeiros passos de expansão, a empresa ampliou sua atuação ao longo dos anos para oferecer um conjunto mais abrangente de soluções voltadas à identidade digital, assinaturas eletrônicas, infraestrutura crítica, autenticação e confiança digital. Mais do que uma transformação empresarial, essa trajetória reflete a evolução do próprio mercado.
A confiança como camada da economia digital
À medida que serviços públicos, operações financeiras, contratos, prontuários médicos e processos corporativos migram para ambientes digitais, cresce a necessidade de mecanismos capazes de garantir quem está realizando determinada ação e em quais condições ela acontece.
A confiança digital passa a atuar como uma camada transversal da economia. Assim, empresas e governos demandam cada vez mais autenticação contínua, interoperabilidade entre sistemas, gestão de identidades, compartilhamento seguro de informações e mecanismos de governança que acompanhem a velocidade da transformação digital.
A expansão da computação em nuvem também acelera essa mudança. Mais do que alterar a forma de armazenamento de credenciais digitais, a nuvem modifica a experiência de acesso aos serviços de confiança, tornando-os mais escaláveis, integrados e acessíveis. Essa combinação entre identidade digital, autenticação e infraestrutura tecnológica tem potencial para se tornar uma das principais vantagens competitivas do Brasil na economia digital global.
Os desafios regulatórios da próxima etapa
Embora o país possua uma estrutura sólida para certificação digital e assinaturas eletrônicas qualificadas, especialistas apontam que ainda existem oportunidades importantes de evolução regulatória.
Diversos serviços já contemplados em legislações internacionais ainda não possuem enquadramento equivalente no Brasil, como modelos avançados de preservação eletrônica, entrega eletrônica registrada, atestação qualificada de atributos e estruturas voltadas à identidade digital soberana.

Para Vinicius Sousa, CEO da Soluti, esse debate precisa avançar para acompanhar as novas demandas do mercado.
“As leis que nos respaldam são muito robustas, mas muitos serviços de confiança que estão em volta da certificação digital e da assinatura eletrônica ainda não estão cobertos por essa legislação. A sociedade precisa se mobilizar para uma consolidação da legislação que existe e a ampliação dos serviços relacionados à certificação digital.”
A discussão ganha relevância em um contexto de crescente integração internacional e de expansão das transações digitais entre países, exigindo níveis cada vez maiores de interoperabilidade e reconhecimento mútuo de mecanismos de confiança.
A identidade na era da inteligência artificial
Se a transformação digital ampliou a importância da identidade, a inteligência artificial está acelerando esse processo. Ferramentas baseadas em IA já são utilizadas para biometria avançada, detecção de fraudes, autenticação comportamental e identificação de anomalias. Ao mesmo tempo, a tecnologia também aumenta a sofisticação das ameaças, impulsionando a criação de deepfakes, identidades sintéticas e novos modelos de fraude.
O desafio deixa de ser apenas tecnológico. Questões relacionadas à rastreabilidade, responsabilização e governança passam a ocupar papel central. Durante o painel, Vinicius Sousa destacou que a evolução da identidade digital não se limita mais a pessoas físicas e jurídicas. Sistemas, dispositivos conectados e agentes autônomos também passam a demandar mecanismos de identificação confiáveis.
A pergunta que começa a surgir não é apenas o que a inteligência artificial é capaz de fazer, mas quem responde por suas ações e quais mecanismos serão utilizados para garantir confiança em ambientes cada vez mais automatizados.
O próximo capítulo da transformação digital
O CertForum-ID 2026 mostrou que o Brasil alcançou um estágio de maturidade raro no cenário internacional. Poucos países conseguiram combinar uma infraestrutura nacional de identificação civil, uma estrutura consolidada de certificação digital, segurança jurídica para transações eletrônicas e adoção em larga escala por cidadãos, empresas e governos.
Ao mesmo tempo, o evento deixou claro que a próxima fase da transformação digital exigirá uma visão mais ampla. A identidade digital está deixando de ser apenas uma credencial de acesso para se tornar um elemento estratégico na prevenção a fraudes, na interoperabilidade de serviços, na segurança das transações e na governança da inteligência artificial.
Se os últimos 25 anos foram dedicados à construção da infraestrutura brasileira de certificação digital, os próximos serão definidos pela expansão dessa base para um ecossistema mais abrangente de confiança digital. Uma infraestrutura invisível para a maioria das pessoas, mas essencial para sustentar a próxima geração da economia digital brasileira.
Sobre Soluti
A Soluti é uma IDTech que fornece soluções inovadoras em Identidade Digital e Assinaturas Eletrônicas.

O Grupo Soluti nasceu em abril de 2008 como uma pequena prestadora de serviço na área de Certificação Digital, em Goiânia (GO). Começou com o sonho de 3 irmãos empreendedores: Cassio Sousa, Flavia Sousa e Vinicius Sousa. A empresa deu seu primeiro grande salto ao se tornar produtora e vendedora de Certificados Digitais, concorrendo diretamente com os grandes players do mercado. Em 2012, se tornou uma Autoridade Certificadora de Nível 1, a primeira fora de São Paulo.
Com uma política comercial agressiva, em pouco tempo já estava praticamente em todos os Estados brasileiros. O Grupo Soluti detém hoje 40% do mercado nacional de Certificados Digitais, com aumento médio anual de 15% a 20% desde 2015.
Nos últimos anos, o Grupo Soluti vem mudando o seu perfil, ampliando-o para uma empresa de soluções tecnológicas. Com aproximadamente 600 colaboradores diretos no País, tem expandido a sua atuação no mercado por meio de aquisições de empresas que são referências no setor. Neste ano de 2024, criou a Everest Digital e passou a oferecer aos seus clientes o primeiro Data Center Tier III na Região Centro-Oeste do Brasil. Também neste ano adquiriu a empresa Identity del Peru S.A, proprietária da plataforma de assinatura Intellisign, dando um importante passo para a sua internacionalização.
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Eventos que moldam o futuro da confiança digital
Estamos presentes nos principais palcos de tecnologia do Brasil e do mundo. Acreditamos que compartilhar conhecimento é essencial para o fortalecimento do ecossistema. Por isso, nossa cobertura destaca tendências, soluções, especialistas e empresas que lideram essa transformação.
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