Setor elétrico brasileiro registrou mais de 535 mil tentativas de ataques cibernéticos no primeiro semestre de 2025, segundo dados da Energy Future
O setor elétrico brasileiro está no centro de uma preocupação crescente em cibersegurança. Somente no primeiro semestre de 2025, empresas do segmento registraram mais de 535 mil tentativas de ataques cibernéticos, segundo dados da Energy Future.
O avanço das ameaças ocorre em um momento em que o Brasil aparece entre os países mais visados por malwares na América Latina, enquanto ataques de ransomware seguem em expansão global. Para especialistas, o volume de ocorrências reforça a vulnerabilidade de uma infraestrutura considerada essencial para a economia, os serviços públicos e a vida cotidiana da população.

Para Cláudio Calonge, CEO da Briskcom, empresa com mais de duas décadas de atuação em tecnologia e adequação regulatória para o setor elétrico, o aumento das tentativas de invasão mostra que a proteção digital deixou de ser um tema restrito à área de tecnologia e passou a integrar a agenda estratégica das organizações.
“A cibersegurança não é mais uma opção, mas uma exigência inegociável para garantir a continuidade e a segurança do fornecimento de energia. O setor precisa adotar uma postura preventiva e entender que a resiliência operacional depende diretamente da maturidade dos seus processos de proteção digital”, afirma.
O risco não se limita à interrupção de sistemas
Estudos internacionais indicam que ataques de ransomware contra o setor de energia podem gerar prejuízos milionários, considerando paralisações operacionais, perda de produtividade, custos de recuperação e danos à reputação das empresas atingidas.
Em um ambiente cada vez mais conectado e dependente de dados, falhas de segurança podem afetar desde operações de geração e transmissão até processos críticos de monitoramento, controle e tomada de decisão.
A preocupação também encontra respaldo em episódios recentes. Em 2024, o Operador Nacional do Sistema Elétrico conseguiu bloquear aproximadamente 539 milhões de ataques cibernéticos, dado que evidencia a intensidade da atividade criminosa direcionada à infraestrutura energética.
Ao mesmo tempo, relatórios recentes apontam que parte relevante dos agentes do setor ainda opera com sistemas legados e enfrenta dificuldades para alcançar os níveis de adequação exigidos pelas normas aplicáveis. O próprio Tribunal de Contas da União já alertou para vulnerabilidades regulatórias e de fiscalização, reforçando a necessidade de investimentos contínuos em proteção digital, governança e gestão de riscos.
Nesse contexto, Calonge avalia que o principal desafio dos próximos anos será transformar a cibersegurança em uma cultura permanente dentro das organizações. Segundo ele, não basta investir em ferramentas se os processos não evoluírem na mesma velocidade das ameaças.
“O setor elétrico precisa compreender que cada vulnerabilidade pode representar riscos que ultrapassam os limites de uma única empresa e impactam toda a cadeia de fornecimento de energia. As melhorias precisam ser implementadas com rigor técnico e visão de longo prazo para proteger não apenas os negócios, mas também a estabilidade de um serviço essencial para a sociedade”, conclui.
Sobre a Briskcom
A Briskcom é uma provedora de soluções de conectividade via satélite para negócios que operam em locais remotos. Fundada em 2003, a empresa é especializada em projetos complexos para ambientes de missão crítica, oferecendo tecnologia de ponta e suporte personalizado para diversos setores da indústria, sobretudo o de energia.
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