Dinheiro físico no varejo ainda exige segurança, rastreabilidade e automação, mesmo em um Brasil cada vez mais digital
Muito se fala sobre o avanço do Pix, das carteiras digitais, dos pagamentos por aproximação e da transformação dos meios de pagamento no Brasil. O país, de fato, tornou-se uma referência global em pagamentos instantâneos. Mas a digitalização não eliminou o dinheiro físico da rotina do varejo.
Ao contrário. O Brasil ainda pode ser definido, no vocabulário internacional de meios de pagamento, como uma cash society, ou seja, uma sociedade em que o dinheiro em espécie continua circulando em volume relevante e sustentando parte importante das transações presenciais, especialmente em regiões periféricas, pequenos municípios e cidades do interior.
Esse ponto é importante porque há uma diferença entre uma cashless society, expressão usada para mercados em que os pagamentos digitais predominam fortemente, e uma cash-based economy, ou economia ainda apoiada de forma relevante no dinheiro físico. O Brasil avança rapidamente no digital, mas ainda convive com uma realidade híbrida: consumidores cada vez mais digitais e operações varejistas que continuam recebendo, contando, armazenando, transportando e conciliando numerário todos os dias.
O próprio Crypto ID já registrou esse fenômeno em análises anteriores sobre a convivência entre o físico e o digital no sistema financeiro brasileiro. A digitalização cresce, mas o papel-moeda ainda cumpre uma função econômica, cultural e operacional que não desaparece apenas porque novas tecnologias de pagamento ganham escala.
Em países altamente digitalizados, como a China, os pagamentos móveis se tornaram predominantes e criaram uma cultura de transações mais rastreáveis. Para governos, esse movimento pode trazer vantagens como maior formalização da economia, redução de circulação informal de valores e mais capacidade de fiscalização. Não por acaso, organismos internacionais já mapearam políticas públicas usadas em diferentes países para estimular pagamentos eletrônicos, como incentivos fiscais, limites para transações em espécie, formalização de comerciantes e uso obrigatório de registros eletrônicos.
Mas a transição para economias menos dependentes de dinheiro físico também tem limites. A própria China, frequentemente citada como exemplo de cashless society, já precisou reforçar que o dinheiro em espécie não pode ser recusado em determinadas situações, justamente para evitar exclusão de idosos, turistas e pessoas com menor acesso a meios digitais.
No Brasil, portanto, a questão não é simplesmente decretar o fim do numerário. O desafio é administrar uma economia híbrida, na qual o Pix avança, mas supermercados, atacadistas, farmácias, lojas de conveniência, postos de serviços e redes varejistas continuam operando diariamente com valores em espécie.

Como diz Hailton Santos, diretor Comercial da Sesami, referência em soluções efetivas e inovadoras para segurança, produtividade e gestão nos segmentos de varejo, bancos e numerário, o problema já não é mais a existência do dinheiro vivo, mas a complexidade da sua gestão.
Dados do Banco Central mostram que o dinheiro em circulação no Brasil ultrapassa R$ 349 bilhões entre cédulas e moedas em 2025.
A Sesami cita o levantamento atribuído ao Banco Mundial segundo o qual cerca de 38% das compras no varejo brasileiro ainda são feitas em dinheiro, índice que ultrapassa 60% em regiões periféricas e no interior.
Na prática, isso significa que muitas empresas ainda precisam lidar diariamente com perdas financeiras, divergências de caixa, falhas na reconciliação, riscos de segurança, custos elevados com transporte de valores, erros humanos e interrupções operacionais. Segundo Hailton Santos, o custo para controlar dinheiro em espécie pode consumir até 20% do valor movimentado.
Segundo a 9ª Pesquisa de Perdas no Varejo Brasileiro, elaborada pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas, Abrappe, em parceria com a Protiviti, as perdas com a gestão de numerário, incluindo dinheiro falso, furto e roubo, tiveram participação de 19,59% nas perdas financeiras do varejo. O índice ficou atrás somente das perdas geradas pelo cartão de crédito, com 28,79%, mas à frente de cartão de débito, com 18,24%, Pix, com 11,77%, e outros meios de pagamento, com 11,59%.
O varejo brasileiro registrou R$ 42,1 bilhões em perdas em 2025, segundo a Abrappe. Há estudos também que apontam que as perdas no manuseio e transporte de dinheiro representam entre 0,3% e 0,7% do faturamento anual do varejo. Em uma empresa que fatura R$ 1 bilhão por ano, isso pode significar até R$ 7 milhões em prejuízo.
Tecnologia à disposição do varejo
É nesse cenário que cresce a demanda por soluções de automação e gestão de numerário, capazes de reduzir riscos e aumentar a eficiência operacional das empresas.
“Por isso, contar com a ajuda da tecnologia é essencial. Muitas empresas ainda tratam a gestão de numerário de forma manual, vulnerável e pouco estratégica. Isso gera perdas silenciosas todos os dias”, comenta o diretor da Sesami.
Segundo o executivo, o crescimento dos pagamentos digitais não eliminou os desafios relacionados ao numerário.
“O Pix certamente revolucionou a experiência de pagamento do consumidor, mas o varejo ainda movimenta numerário diariamente e precisa administrar tudo isso com eficiência, segurança e rastreabilidade”, explica Santos.
Na Sesami, a demanda por cofres inteligentes cresceu cerca de 20% no último ano, refletindo a urgência de modernização da segurança, rastreabilidade e controle de caixa no segmento.
Além dos riscos financeiros, a má gestão do dinheiro impacta diretamente a produtividade das equipes e a operação das lojas.
“Quando existe excesso de processos manuais, aumentam os erros, o tempo de conferência, as divergências de caixa e até os riscos de segurança. A tecnologia permite automatizar esse fluxo, reduzir perdas e dar mais inteligência operacional para o varejista”, destaca.
Para Santos, a discussão ganha relevância justamente em um momento em que o varejo busca aumentar eficiência, reduzir custos operacionais e melhorar a experiência do consumidor sem comprometer a rentabilidade.
“O dinheiro físico não morreu. E ignorar os desafios operacionais ligados ao numerário pode custar caro para o varejo”, conclui o diretor.
O desafio não é escolher entre Pix e dinheiro físico
A transformação dos meios de pagamento no Brasil não deve ser lida como uma substituição simples do dinheiro físico pelo digital. O que existe é uma convivência entre canais, meios e comportamentos de consumo.
O Pix reduziu fricções, ampliou a inclusão financeira e acelerou pagamentos. Mas o numerário continua cumprindo papel relevante em determinados segmentos, territórios e perfis de consumo. Para o varejo, essa convivência cria um desafio concreto: operar em um ambiente cada vez mais digital sem negligenciar o custo do dinheiro físico.
É por isso que a gestão de numerário deixou de ser uma atividade meramente operacional. Ela passou a fazer parte da agenda de segurança, prevenção de perdas, inteligência financeira e rastreabilidade das empresas.
Em uma economia híbrida, o varejista que ainda trata o caixa físico como um processo manual fica mais exposto a perdas, fraudes, inconsistências e custos invisíveis. Já quem automatiza esse fluxo transforma o dinheiro em espécie em uma operação mais controlada, auditável e integrada ao negócio.
Sobre a Sesami
A Sesami Cash Management Technologies Corp. é uma empresa criada a partir da união da sueca Gunnebo Cash Management, das norte-americanas Tidel e ARCA e da alemã Planfocus. Com capacidade para atendimento global, a Sesami, que integra o grupo canadense GardaWorld Security Corp., é uma plataforma aberta, integrada e sofisticada de business intelligence, BI, que oferece serviços personalizáveis, incluindo software, dispositivos inteligentes e serviços gerenciados para ecossistemas de caixa de ponta a ponta e operações de automação de PDV.
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