MWC26 Shanghai destacou IA, 6G, eSIM, IoT e segurança pós-quântica como pilares da próxima infraestrutura digital
O MWC26 Shanghai terminou em 26 de junho de 2026 deixando claro que a próxima fase da conectividade não será definida apenas por redes mais rápidas, mas por infraestruturas capazes de sustentar inteligência artificial, dispositivos conectados, autenticação, segurança criptográfica e resiliência cibernética em escala global.
Realizado no Shanghai New International Expo Centre, o evento reuniu 37.300 participantes de 143 países e territórios, crescimento de 33% em relação ao ano anterior, além de mais de 400 expositores, patrocinadores e parceiros e cerca de 300 palestrantes.
Segundo a GSMA, 33% dos participantes vieram de setores além do ecossistema móvel tradicional, o que reforça a transformação do MWC Shanghai em uma vitrine de infraestrutura digital para indústrias, governos e empresas de tecnologia.
A conectividade como base da IA
A leitura central do evento foi que 5G, 5G-Advanced e 6G estão deixando de ser apresentados apenas como evolução de telecomunicações para ocupar o papel de base operacional da economia de IA. A GSMA destacou que as conferências e o piso de exposição foram dominados por inovação habilitada por conectividade, incluindo IA, 6G, robótica e redes via satélite.
John Hoffman, CEO da GSMA Ltd., afirmou que 5G e 5G-Advanced são a camada fundacional do stack de IA, por oferecerem capacidade, latência e confiabilidade para sistemas e serviços mais exigentes. A organização também citou aplicações em manufatura, saúde e economia de baixa altitude, setor que inclui drones e sistemas autônomos.
Na abertura, a GSMA destacou ainda robótica humanoide, economia de baixa altitude e veículos autônomos como frentes relevantes da conectividade asiática. O evento teve demonstrações de IA incorporada, incluindo o Humanoid Robot Football Penalties Challenge e uma demonstração do governo de Pudong em que drone, barco, veículo e robô humanoide participaram de uma entrega sem intervenção humana.
Identidade, autenticação e eSIM ganham dimensão estratégica
Para o Crypto ID, um dos pontos mais relevantes do MWC26 Shanghai foi o avanço do eSIM como peça de infraestrutura de confiança.
O evento teve uma eSIM Zone e sessões dedicadas ao tema, com discussões sobre adoção em smartphones, IoT, eletrônicos de consumo e soluções corporativas.
No AI+eSIM China Solution Salon, apresentado pela China Unicom, a programação afirmou que celulares com eSIM entraram em fase de lançamento comercial experimental e que 2026 marca um ano importante para aplicações de IA ponta a ponta. A sessão também classificou o pavilhão de eSIM do MWC Shanghai 2026 como uma vitrine de resultados da cadeia completa do eSIM, de avanços tecnológicos à implantação comercial em larga escala.
Já o eSIM Summit tratou a entrada da China na era do eSIM como um marco de transformação digital, após avanços em wearables, tablets e dispositivos IoT. O programa destacou que a adoção em smartphones deve acelerar a integração do eSIM em eletrônicos de consumo e soluções empresariais, abrindo espaço para novas aplicações de conectividade e IoT.
Cibersegurança e criptografia pós-quântica entram no centro da discussão
Outro eixo de interesse da nossa audiência foi a segurança das comunicações móveis na era pós-quântica.
A sessão “Mobile Communication Security and GSMA Compliance Practices in the Post-Quantum Cryptography (PQC) Era”, apresentada por Thales & SafePloy, tratou dos riscos trazidos pela proliferação de 5G, eSIM e IoT, além da pressão que a computação quântica impõe sobre mecanismos tradicionais de criptografia.
A agenda abordou arquitetura de segurança alinhada a especificações da GSMA, proteção de dados ao longo de todo o ciclo de vida para SIM, eSIM e IoT, implantação híbrida de algoritmos clássicos e pós-quânticos e caminhos graduais de migração para PQC.
Entre os cenários citados estavam proteção de redes centrais de operadoras, dados de usuários, provisionamento remoto de eSIM com desenho quantum-safe e autenticação de identidade para IoT em larga escala.
O Cyber Leaders Dialogue também colocou a criptografia pós-quântica entre os três pilares do debate, ao lado de segurança de redes móveis e segurança de IA. A programação mencionou riscos como ataques “harvest now, decrypt later”, envenenamento de dados, prompt injection, governança de IA e resiliência de redes 5G e futuras redes 6G.
Hardware seguro e chips entram na camada de confiança
A discussão sobre segurança não ficou restrita ao software. No eSIM Summit, a presença de empresas como Tongxin Microelectronics, Eastcompeace, Kigen, Redtea Mobile e Valid mostrou a relevância de chips, tecnologias embarcadas seguras e orquestração de conectividade para a expansão internacional de dispositivos conectados.
O perfil de John Zou, EVP da Tongxin Microelectronics, apresentado na programação do evento, informa que sua equipe obteve certificações como CC EAL6+ e GSMA SAS-UP em personalização em nível de wafer, além de atuar na aplicação global de chips de segurança chineses em comunicação, finanças e eletrônica automotiva.
IoT, regulação e resiliência cibernética
No IoT Summit, a programação tratou o eSIM como um “trust anchor” para continuidade, controle e conformidade em escala. A sessão mencionou o EU Cyber Resilience Act e expectativas crescentes de reporte de vulnerabilidadesDLMS e OM-BR: como a criptografia fortalece a medição inteligente no Brasil, gestão remota e resiliência cibernética, além de regulações emergentes na China e na América do Norte.
A mensagem é clara: para produtos conectados, especialmente os de borda e IA, segurança passa a ser requisito de mercado. A capacidade de atualizar, sustentar e gerenciar dispositivos ao longo de todo o ciclo de vida tende a se tornar critério de competitividade global, não apenas um requisito técnico.
Esse movimento também dialoga, ainda que indiretamente, com padrões já consolidados em setores críticos, como o DLMS/COSEM em projetos de medição inteligente. A lógica é semelhante: conectar dispositivos não basta. É preciso garantir interoperabilidade, identidade técnica do equipamento, segurança na troca de dados, rastreabilidade e capacidade de auditoria.
O que não apareceu como eixo central
Diferentemente de edições anteriores do ecossistema MWC, nas quais temas como identidade digital e autenticação biométrica apareceram com mais visibilidade não foram pontos focais desta edição.
Apesar da forte aderência do evento a identidade, autenticação, hardware seguro, IoT, cibersegurança e criptografia, a leitura mais precisa é tratar o MWC26 Shanghai como uma vitrine de infraestrutura de confiança para conectividade inteligente.
A leitura para o mercado brasileiro
Para o mercado brasileiro, o MWC26 Shanghai reforça uma tendência que já aparece em diferentes setores: conectividade, identidade, autenticação, criptografia, hardware seguro e governança de IA não são temas separados. Eles passam a compor uma mesma arquitetura de confiança.
Quando redes 5G e 6G sustentam IA, robôs, drones, veículos autônomos, saúde conectada, indústria inteligente e dispositivos IoT, a pergunta deixa de ser apenas “como conectar?”. A pergunta passa a ser: como identificar, autenticar, proteger, atualizar, auditar e responsabilizar cada agente, dispositivo, aplicação e infraestrutura conectada?
O MWC26 Shanghai mostrou que a próxima etapa da transformação digital será menos visível ao usuário final, mas mais decisiva para governos, operadoras, fabricantes, integradores, reguladores e empresas. A disputa não estaráapenas na velocidade da rede, mas na confiança que essa rede será capaz de sustentar.
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