Soberania digital ganha espaço na estratégia do setor público, que investe em modelos para ampliar a segurança, a governança e o controle sobre dados e infraestruturas críticas.
Por Hilmar Becker

A adoção de estratégias de soberania digital tem acelerado no setor público brasileiro, acompanhando um movimento global de fortalecimento da autonomia tecnológica.
Mais do que definir onde os dados são armazenados, o conceito evolui para a soberania operacional, permitindo que órgãos governamentais mantenham o controle sobre aplicações, serviços e políticas de segurança em ambientes híbridos e multicloud, mesmo diante de mudanças regulatórias, geopolíticas ou tecnológicas.
O fortalecimento da soberania digital acompanha uma tendência global. Segundo estudo da Grand View Research, o mercado relacionado ao tema deve crescer de US$ 117 bilhões em 2025 para US$ 649 bilhões até 2033.
Na mesma direção, projeções do Gartner indicam que, até 2030, mais de 75% das grandes organizações fora dos Estados Unidos terão desenvolvido estratégias próprias de soberania digital e de infraestrutura em nuvem.
Na Europa Ocidental, esse movimento já está consolidado. Pesquisa realizada com líderes de tecnologia mostra que a maioria das organizações da região utiliza provedores de nuvem locais como parte de sua estratégia para ampliar o controle sobre dados, aplicações e serviços digitais.
Da soberania de dados à soberania operacional
Durante muitos anos, as discussões sobre soberania digital concentraram-se na localização dos dados e na conformidade com legislações nacionais. No entanto, o crescimento da inteligência artificial e da computação em nuvem ampliou esse debate.
Hoje, o foco passa a incluir a chamada soberania operacional, conceito que envolve a capacidade de manter operações digitais funcionando de forma segura e independente, mesmo diante de mudanças políticas, restrições impostas por provedores de nuvem, interrupções na infraestrutura ou novas exigências regulatórias.
Nesse cenário, órgãos públicos vêm adotando modelos que permitem administrar aplicações, políticas de segurança e serviços digitais com maior autonomia, utilizando equipes locais e arquiteturas capazes de operar em ambientes híbridos e multicloud.
Nuvens públicas e infraestrutura própria convivem
A transformação digital no setor público não significa abandonar a computação em nuvem pública. Pelo contrário, a tendência observada é a convivência entre provedores globais, como AWS, Google Cloud e Oracle Cloud, e infraestruturas próprias dos órgãos governamentais.
Esse movimento também impulsiona a chamada repatriação de dados, estratégia na qual aplicações e cargas de trabalho retornam dos ambientes públicos para data centers privados ou híbridos. A decisão costuma estar relacionada ao aumento da segurança, à redução de custos operacionais e ao atendimento de requisitos regulatórios.
Estudo divulgado pelo Barclays aponta que mais de 80% das organizações avaliam repatriar parte de suas cargas de trabalho. A expectativa é que, até 2030, mais da metade das maiores empresas do mundo já tenha implementado modelos de soberania digital.
Segurança, governança e conformidade ganham protagonismo
Com a adoção de modelos híbridos, cresce também a necessidade de garantir governança e proteção de ambientes distribuídos.
Entre os principais desafios estão o gerenciamento do tráfego de dados, a proteção de APIs, a aplicação uniforme de políticas de segurança e a manutenção da conformidade regulatória em diferentes plataformas.
Nesse contexto, plataformas apoiadas por inteligência artificial vêm sendo utilizadas para automatizar processos de gestão, ampliar a visibilidade dos ambientes digitais e fortalecer mecanismos de auditoria e governança, permitindo que equipes de tecnologia e cibersegurança atuem de forma mais eficiente.
Autonomia digital como estratégia para o futuro
Para Hilmar Becker, diretor regional da F5 Brasil e autor deste artigo, o avanço da soberania digital representa uma mudança estrutural na forma como o setor público administra seus ativos tecnológicos.
Segundo o executivo, a combinação entre infraestrutura própria, serviços em nuvem e modelos avançados de governança contribui para ampliar a autonomia operacional e a resiliência das instituições públicas diante dos desafios da transformação digital.
Pensando como um ofensor. Por Fabio Bloise da F5 Brasil
Empresa públicas e privadas estão utilizando muitas das tecnologias que falamos aqui no Crypto ID, então, criamos a coluna Tech para apresentar casos de uso e soluções inovadoras. Explore esse conteúdo!


Cadastre-se para receber o IDNews e acompanhe o melhor conteúdo do Brasil sobre Identificação Digital! Aqui!








