Cibersegurança tornou-se pilar estratégico para proteger infraestrutura crítica, fortalecer resiliência digital e ampliar soberania tecnológica do Brasil
Por Christian Tadeu, presidente da Softex

A transformação digital tornou a cibersegurança um dos pilares da infraestrutura crítica de qualquer país. Em um cenário de ataques cada vez mais sofisticados e da expansão do uso da inteligência artificial, especialistas defendem que o Brasil fortaleça sua estratégia nacional para proteger serviços essenciais, ampliar a resiliência digital e garantir sua soberania tecnológica.
A cibersegurança deixou de ser um tema restrito às áreas de tecnologia para se tornar uma questão estratégica de Estado.
Em um país onde 161 milhões de pessoas utilizam a internet e existem cerca de 480 milhões de dispositivos conectados, proteger as infraestruturas digitais é tão importante quanto garantir a segurança energética ou hídrica.
O avanço do marco regulatório, especialmente com a publicação da nova Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber), representa um passo importante. O desafio agora é transformar diretrizes em ações concretas, com capacidade operacional, coordenação entre instituições e maior resiliência diante de ameaças cada vez mais sofisticadas.
A digitalização acelerada trouxe inúmeros benefícios, mas também ampliou os pontos de vulnerabilidade. O Brasil passou a ocupar posição de destaque no cenário global de ciberameaças, tanto como alvo quanto como origem de ataques — muitos deles explorando dispositivos conectados sem proteção adequada.
A evolução tecnológica também mudou a natureza dos riscos. Cerca de 94% dos especialistas ouvidos pelo Fórum Econômico Mundial consideram a inteligência artificial um dos principais vetores de transformação da cibersegurança nos próximos anos, enquanto 87% apontam as vulnerabilidades tecnológicas como um dos riscos de crescimento mais acelerado em 2025. Esse cenário exige que governos, empresas e instituições ampliem sua capacidade de prevenção, resposta e adaptação contínua.
Os recentes incidentes envolvendo sistemas públicos, como o ConecteSUS e ocorrências relacionadas ao INSS, mostram que falhas digitais podem afetar diretamente a prestação de serviços, a confiança da população e o funcionamento de estruturas essenciais. Por isso, a cibersegurança precisa ser reconhecida como parte da infraestrutura crítica do país.
Dados do levantamento “Segurança Cibernética como Política de Estado: Como o Brasil Pode Transformar Proteção em Vantagem Estratégica”, do Observatório Softex, unidade de pesquisa e inteligência estratégica da entidade voltada ao desenvolvimento do setor de TICs, apontam que o avanço da agenda nacional depende de três movimentos complementares. No curto prazo, é necessário implementar de forma efetiva o Plano Nacional de Cibersegurança (P-Ciber 2026–2027), fortalecer mecanismos de coordenação de incidentes e estabelecer referências nacionais de maturidade cibernética.
No médio prazo, o Brasil precisa avançar na criação de uma estrutura nacional de cibersegurança com capacidade de articulação entre governo federal, estados, órgãos reguladores e setores estratégicos. Já no longo prazo, será fundamental ampliar a soberania tecnológica, reduzindo dependências externas em áreas críticas como software, hardware, computação em nuvem e outras tecnologias essenciais.
A Softex acredita que o Brasil tem condições de transformar a proteção digital em um diferencial competitivo. Para isso, será necessário unir visão estratégica de Estado, fortalecimento institucional, formação de talentos e cooperação entre governo, academia e iniciativa privada.
A cibersegurança é hoje um ativo nacional. Tratá-la dessa forma é essencial para garantir confiança no ambiente digital, assegurar a continuidade de serviços fundamentais e ampliar a autonomia tecnológica do país em um mundo cada vez mais conectado e marcado por disputas geopolíticas.
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