Inteligência artificial amplia automação nas empresas e redefine a relação entre tecnologia, produtividade e trabalho humano
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa de inovação e passou a ocupar um espaço estratégico nas empresas, mas o avanço da tecnologia também trouxe um novo desafio: entender quais atividades podem ser automatizadas e quais competências humanas se tornam ainda mais valiosas. Para a Everflow, empresa especializada em soluções de gestão empresarial, o futuro do trabalho não será marcado pela substituição de pessoas por máquinas, mas pela colaboração entre profissionais e sistemas inteligentes capazes de ampliar produtividade, análise e tomada de decisão.
Avanço da IA generativa amplia automação de processos, mas especialistas defendem que o diferencial competitivo estará na combinação entre tecnologia, conhecimento de negócio e capacidade humana
Quando o futuro do trabalho é discutido, a inteligência artificial frequentemente aparece associada a cenários de substituição de profissionais por máquinas e à automação completa de atividades. No entanto, empresas de tecnologia defendem que o impacto real da IA está menos na eliminação do trabalho humano e mais na transformação da forma como as pessoas executam suas funções.

“Na nossa visão, o problema não é a IA em si, mas a forma como ela vem sendo apresentada ao mercado. Quando teve o boom da inteligência artificial, muita gente começou a achar que ela ia fazer tudo sozinha, que bastava perguntar e pronto. Na nossa visão, isso é um equívoco. A IA precisa ser muito bem guiada para entregar as respostas corretas, e é o humano quem faz isso”, afirma Augusto Lyra, CEO da Everflow.
Para a empresa, que atua com soluções tecnológicas para gestão empresarial, a adoção da inteligência artificial deve ser orientada por objetivos práticos, como aumento de produtividade, redução de erros operacionais e apoio à tomada de decisões. A visão defendida é que a tecnologia funcione como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das pessoas.
“A gente enxerga a IA como um meio, nunca como um fim. O verdadeiro valor está em como ela libera tempo, reduz erros operacionais e permite que as pessoas foquem no que é estratégico, criativo e decisivo para o negócio”, afirma Lyra.
A discussão ocorre em um cenário de avanço acelerado da automação em diferentes setores da economia. Empresas buscam ganhos de eficiência em meio a operações mais complexas, margens pressionadas e consumidores mais exigentes. No setor de tecnologia para gestão empresarial e sistemas ERP, esse movimento envolve áreas como comercial, suporte técnico, implantação de sistemas e desenvolvimento de software, que dependem de integração constante entre equipes.
“É um ambiente de alta complexidade em que as empresas precisam ser rápidas, eficientes e, ao mesmo tempo, manter qualidade no atendimento. Então, prometer uma automação total pode até soar sedutor, mas dificilmente é sustentável no longo prazo”, destaca o executivo.
Dados do mercado indicam que a inteligência artificial deve provocar mudanças significativas no emprego global. Um relatório do World Economic Forum (WEF, 2025) projeta que até 92 milhões de empregos podem ser substituídos por IA e automação até 2030, enquanto 170 milhões de novas funções devem ser criadas, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos.
Nos Estados Unidos, a SHRM Automation/AI Survey 2025 aponta que 7,8% dos empregos já têm metade das tarefas realizadas com apoio de inteligência artificial generativa. O levantamento também indica que cerca de 40% dos empregadores esperam reduzir partes da força de trabalho em funções automatizáveis após a adoção da tecnologia.
No aspecto financeiro, 74% das empresas que utilizam IA generativa relatam retorno positivo sobre o investimento no primeiro ano, enquanto 86% registram aumento de receita de pelo menos 6%, segundo levantamento do Google Cloud.
O mercado global de IA generativa, por sua vez, é estimado em US$ 1,3 trilhão até 2032, abrangendo aplicações em áreas como atendimento ao cliente e análise avançada de dados, segundo estimativas da Bloomberg Intelligence.
Para Lyra, o principal desafio está na forma como as empresas incorporam a tecnologia aos processos internos. Segundo ele, a expectativa criada durante o crescimento da IA generativa levou parte do mercado a acreditar que sistemas inteligentes poderiam substituir completamente a análise humana.
“No boom da IA, houve uma onda de otimismo exagerado. Muita gente achou que nem precisava mais pensar, que a IA pensaria por nós”, lembra o CEO.
Segundo o executivo, a utilização eficiente da inteligência artificial depende de contexto, direcionamento e conhecimento do negócio. “Quando você usa IA do jeito certo, você não substitui gente, você eleva o nível das pessoas. Elas passam a gastar menos tempo executando e mais tempo pensando, analisando, criando soluções para o cliente. É aí que mora a verdadeira transformação”, reforça.
Na Everflow, a inteligência artificial vem sendo aplicada em áreas como vendas, customer success e desenvolvimento de software. O objetivo, segundo a empresa, é apoiar profissionais em atividades analíticas e operacionais ao longo da jornada do cliente.
Na área comercial, a tecnologia é utilizada para qualificação de leads por meio de modelos de lead scoring, que identificam contatos com maior aderência ao perfil ideal de cliente (ICP). A ferramenta também auxilia consultores na preparação para reuniões, com análises sobre o setor de atuação dos potenciais clientes.
“Após as conversas, a ferramenta consegue mapear os principais pontos de dor, como gargalos na gestão de estoque, e ajuda a personalizar as propostas comerciais de forma muito mais assertiva”, afirma Lyra.
No Customer Success, área responsável pelo relacionamento e acompanhamento dos clientes, a IA é utilizada para apoiar processos de implantação de ERP, gerando resumos automáticos, checklists e identificando possíveis lacunas de entendimento em reuniões. A tecnologia também auxilia na análise das interações e na identificação de sinais de tensão ou insegurança dos clientes.
No suporte técnico, a proposta é utilizar a IA como ferramenta de apoio às equipes, ajudando na elaboração de respostas mais rápidas e claras, sem substituir completamente a interação humana.
No desenvolvimento de software, especialmente na engenharia, a inteligência artificial passou a ser utilizada para acelerar etapas como escrita de código, automação de testes e análises internas. Segundo a empresa, o uso orientado por profissionais que conhecem a lógica dos sistemas e os processos do negócio permite liberar tempo para decisões estratégicas e arquiteturais.
“Clientes são pessoas, não tickets de suporte. Quando você joga alguém sem preparo técnico para interagir só com robôs, a frustração vem rápido. A gente acredita em um modelo em que a IA trabalha nos bastidores, fortalecendo o time humano e não empurrando o cliente para uma experiência fria e confusa”, afirma o CEO da Everflow.
A empresa afirma que a adoção da tecnologia também faz parte de uma mudança cultural interna, na qual a IA é utilizada para organizar informações, resumir reuniões, identificar padrões e apoiar análises, enquanto decisões estratégicas e relacionamento com clientes permanecem sob responsabilidade dos profissionais.
“Quem entende o negócio do cliente são as pessoas. A IA entra para estruturar informações, cruzar dados e acelerar análises, não para decidir sozinha. A estratégia continua sendo humana”, afirma Lyra.
Para o executivo, a próxima etapa da inteligência artificial corporativa deve ser marcada por uma busca maior por resultados concretos, com foco em produtividade, especialização das equipes e modelos de trabalho mais eficientes.
“Estamos entrando numa fase em que o mercado deixa de se encantar com slogans e passa a exigir impacto real. A próxima onda da IA corporativa não será sobre substituir profissionais, mas sobre redefinir como eles trabalham, elevar o grau de especialização das equipes e construir empresas mais resilientes, produtivas e preparadas para crescer de forma sustentável”, resume.
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