AFIP, Instituição filantrópica de medicina diagnóstica aproxima TI e engenharia clínica para proteger dados, equipamentos médicos e a continuidade do atendimento
A AFIP, Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa, instituição filantrópica e sem fins lucrativos, criada na década de 1970, com atuação em medicina diagnóstica, assistência à saúde, pesquisa e ensino, passou a tratar a cibersegurança como parte da segurança do paciente.
A organização modernizou sua arquitetura de proteção com tecnologias da Palo Alto Networks, em projeto implementado pela Add Value.
A instituição processa aproximadamente 8 milhões de exames por mês e mantém uma operação distribuída por mais de 200 municípios, 16 estados e cerca de 1.100 pontos de coleta. A estrutura atende tanto a rede privada quanto unidades vinculadas ao Sistema Único de Saúde, o SUS.
Cibersegurança passa a ser tratada como segurança do paciente
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, a LGPD, classifica as informações relacionadas à saúde como dados pessoais sensíveis. Por essa razão, esses dados estão sujeitos a regras e medidas de proteção mais rigorosas durante todo o seu ciclo de vida, desde a coleta e o armazenamento até o compartilhamento e a eventual eliminação.
No ambiente clínico, entretanto, a proteção não se limita à confidencialidade. A disponibilidade e a integridade das informações também são fundamentais. Um laudo alterado, indisponível ou vinculado ao paciente errado pode afetar diretamente a condução do atendimento.
“A decisão foi baseada em três frentes: elevar o nível de proteção, garantir continuidade operacional em ambientes 24×7 e atender exigências rigorosas de conformidade e auditoria. Na saúde, o dado impacta diretamente a decisão médica. Cibersegurança, para nós, é segurança do paciente”, afirma Milton Vicente Vieira Junior, diretor de TI da AFIP.
Essa relação entre segurança digital e segurança clínica também aparece nas orientações internacionais para dispositivos médicos conectados. A Food and Drug Administration, FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, reconhece que vulnerabilidades em equipamentos e nos sistemas aos quais eles estão conectados podem afetar a segurança e o desempenho dos dispositivos, criando riscos para os pacientes.
Arquitetura distribuída por aproximadamente 100 firewalls
O projeto entrou em operação em março de 2024, com a substituição de uma solução legada e a implantação de aproximadamente 100 firewalls distribuídos entre a matriz e as diferentes unidades atendidas pela estrutura da AFIP.
Em uma operação descentralizada, o firewall não atua apenas como uma barreira entre a rede interna e a internet. Ele também pode ser utilizado para aplicar políticas de acesso, segmentar ambientes, inspecionar o tráfego e limitar a comunicação entre sistemas com diferentes níveis de criticidade.
A segmentação é especialmente importante em instituições de saúde. Sistemas administrativos, estações de trabalho, laboratórios, equipamentos médicos e ambientes de pesquisa não deveriam necessariamente compartilhar os mesmos privilégios ou possibilidades de comunicação.
Caso um equipamento ou computador seja comprometido, a segmentação pode dificultar que o invasor se movimente livremente pela infraestrutura até alcançar servidores, bancos de dados ou sistemas responsáveis pelos exames.
XDR amplia a capacidade de detectar e investigar ameaças
Em 2025, o projeto avançou com a adoção de 2.620 licenças de XDR, sigla em inglês para Extended Detection and Response, ou detecção e resposta estendidas.
Diferentemente de ferramentas que observam apenas o dispositivo final, as plataformas de XDR podem correlacionar informações provenientes de endpoints, redes, ambientes de nuvem, identidades e outras fontes. Essa combinação permite identificar comportamentos suspeitos que poderiam parecer legítimos quando analisados isoladamente.
Na prática, o XDR pode ajudar a reconstruir o caminho percorrido durante um ataque. Uma autenticação atípica, seguida pela execução de um arquivo e pela tentativa de conexão com um servidor incomum, por exemplo, passa a ser analisada como uma sequência relacionada de eventos.
A correlação também reduz a dependência de alertas desconectados e oferece às equipes de segurança mais contexto para determinar a gravidade de um incidente e definir a resposta adequada.
Equipamentos médicos entram no campo de monitoramento
Um dos avanços destacados pela AFIP foi o aumento da visibilidade sobre equipamentos médicos de alta complexidade que anteriormente eram pouco monitorados pelas ferramentas de segurança.
A aproximação entre a equipe de TI e a engenharia clínica permitiu ampliar o inventário de ativos e compreender como esses equipamentos se comunicam com redes, servidores, aplicações e bases de dados.
“Hoje conseguimos enxergar todo o ecossistema, não apenas a TI. Isso muda nossa forma de atuar”, destaca Milton Vicente Vieira Junior.
Equipamentos médicos conectados exigem uma abordagem específica. Em muitos casos, mudanças de configuração, atualizações e intervenções precisam considerar requisitos técnicos definidos pelos fabricantes e o risco de interrupção de funções clínicas.
A FDA – Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos, alimentos e dispositivos médicos dos Estados Unidos – trata a cibersegurança desses equipamentos como uma responsabilidade compartilhada entre fabricantes, instituições de saúde, profissionais, prestadores de manutenção e demais participantes do ecossistema. A avaliação deve considerar não apenas o dispositivo isolado, mas também as redes, sistemas e servidores com os quais ele se conecta.
Isso significa que integrar TI e engenharia clínica não é apenas uma mudança administrativa. É uma condição para que vulnerabilidades sejam identificadas e tratadas sem comprometer a disponibilidade e o funcionamento dos equipamentos.
Segurança passa a integrar o board e a governança clínica
O projeto também modificou a forma como a segurança é tratada dentro da instituição. A pauta passou a fazer parte das discussões do board e da governança clínica, com participação do Data Protection Officer, DPO, profissional responsável por atuar como encarregado pelo tratamento de dados pessoais.
“A parceria com a Add Value foi um dos fatores críticos para o sucesso do projeto, com atuação consultiva, suporte próximo e apoio na construção de modelos aderentes a auditorias públicas. Hoje, a cibersegurança ocupa espaço no board e está integrada à governança clínica, com participação ativa do DPO. Cerca de 70% dos exames já são assinados eletronicamente, reforçando o papel central da integridade digital”, revela Fábio Ruy Bernardo, gerente de infraestrutura e segurança da AFIP.
A assinatura eletrônica dos exames contribui para a identificação do responsável pelo documento e para a verificação de sua integridade.
SOC e SIEM
Com a redução das instabilidades, a equipe de TI afirma ter deixado de atuar predominantemente de maneira reativa. A AFIP agora estuda iniciativas relacionadas à implantação de um Centro de Operações de Segurança, SOC, e de uma plataforma de Gerenciamento de Informações e Eventos de Segurança, SIEM.
O SOC reúne profissionais, processos e tecnologias dedicados ao monitoramento contínuo, à investigação e à resposta a incidentes. Já o SIEM coleta e correlaciona registros produzidos por firewalls, servidores, aplicações, dispositivos, identidades e outras fontes da infraestrutura.
“Ao consolidar essa nova arquitetura, a AFIP avança para um modelo em que a segurança não apenas protege a operação, mas sustenta a evolução do próprio sistema de saúde. Em um ambiente onde o dado define decisões clínicas, garantir sua integridade é, cada vez mais, garantir o cuidado com o paciente”, avalia Thiago Spósito, sócio da Add Value.
O caso da AFIP mostra que a maturidade em cibersegurança na saúde depende da integração entre tecnologia, engenharia clínica, identificação digital, proteção de dados, gestão de riscos e continuidade operacional.
Em uma estrutura responsável por milhões de exames, a indisponibilidade de um sistema ou a alteração de uma informação não constitui somente um incidente de TI. Pode interferir na entrega de laudos, no diagnóstico, na condução de tratamentos e na segurança do paciente.
Sobre a Add Value
Fundada em 2003, a Add Value é uma integradora especializada em tecnologias de nuvem, hiperconvergência, redes, segurança e virtualização. A empresa possui sede em São Paulo e unidades regionais no Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e Brasília.

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