Aplicativo desenvolvido pela ICTAL utiliza IA para organizar dados de crises e apoiar o acompanhamento médico de pessoas com epilepsia
A ICTAL, primeiro hub brasileiro dedicado à epilepsia, lançou o aplicativo Diário de Crises de Epilepsia, uma ferramenta digital desenvolvida para auxiliar pacientes, familiares e profissionais de saúde no registro e acompanhamento de crises. Disponível para iOS e Android, a plataforma utiliza recursos de inteligência artificial para organizar informações clínicas, identificar padrões e gerar relatórios que podem apoiar o acompanhamento médico.
Plataforma criada por epileptologista usa IA para organizar dados de crises e apoiar decisões médicas
A epilepsia, uma das doenças neurológicas mais comuns no mundo, afeta cerca de 50 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que entre 1% e 2% da população conviva com o transtorno, que pode se manifestar em diferentes idades e apresentar variados tipos de crise.
Além dos desafios clínicos, pacientes e familiares ainda enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso a especialistas, à ausência de acompanhamento estruturado, ao preconceito e aos impactos emocionais provocados pela condição. Nesse cenário, a ICTAL, primeiro hub brasileiro dedicado à epilepsia, lançou oficialmente o aplicativo Diário de Crises de Epilepsia.
Disponível para iOS e Android, o aplicativo permite que usuários registrem crises próprias ou de terceiros, funcionando como uma ferramenta de organização, acompanhamento e compartilhamento de informações para apoio ao acompanhamento médico. A plataforma oferece uma versão gratuita e uma opção de assinatura Pro, com recursos adicionais e geração de relatórios detalhados.

A iniciativa foi criada pela médica epileptologista Kamylla Thiago de Almeida, CEO e cofundadora da ICTAL, a partir da experiência acumulada durante anos de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada.
“Durante anos vi pacientes anotando crises em folhas soltas, calendários de geladeira, blocos de notas do celular ou simplesmente tentando lembrar tudo de cabeça durante a consulta. Muitas informações importantes acabavam se perdendo, e isso impactava diretamente na tomada de decisão médica”, explica.
Segundo a especialista, mais de 80% dos pacientes chegam às consultas sem qualquer registro estruturado das crises, dificultando a avaliação médica e o acompanhamento do tratamento. A ideia de criar uma solução digital surgiu a partir dessa necessidade observada na prática clínica.
“Eu sempre pensava que precisava existir uma forma mais organizada e padronizada de visualizar esses dados, mas a ideia nunca saía do papel. Isso mudou quando conheci meu sócio Ricardo durante uma imersão de Inteligência Artificial no Vale do Silício, em 2025. A partir dali, conseguimos transformar uma dor real dos pacientes em tecnologia aplicada ao cuidado”, afirma.
O aplicativo permite registrar crises epilépticas, identificar possíveis gatilhos e compartilhar os dados com o médico responsável. A inteligência artificial é utilizada na análise desses registros, auxiliando na identificação de padrões de comportamento, fatores desencadeantes e tendências clínicas ao longo do tempo, além da geração de relatórios para pacientes e profissionais de saúde.
A ferramenta foi desenvolvida a partir da integração entre conhecimento médico especializado e tecnologia. O projeto também já está alinhado às exigências da Lei nº 15.211/2025, conhecida como Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).
Para a empresa, a tecnologia pode contribuir para ampliar o acesso à informação, melhorar o acompanhamento dos pacientes e apoiar profissionais envolvidos no cuidado da epilepsia.
“Nosso objetivo não é apenas criar um aplicativo, mas fortalecer toda a rede de cuidado da epilepsia no Brasil. Queremos devolver autonomia aos pacientes, facilitar o trabalho dos médicos e criar uma jornada mais acolhedora para famílias e cuidadores”, destaca Kamylla.
A epilepsia também está frequentemente associada a outras condições, como transtornos psiquiátricos, autismo e TDAH, ampliando o impacto da doença em diferentes áreas da saúde. A ICTAL projeta alcançar até mil usuários no primeiro ano de operação e já trabalha em futuras parcerias estratégicas.
O lançamento oficial do aplicativo acontece durante o Web Summit Rio, um dos principais eventos de inovação e tecnologia da América Latina.
“Esse aplicativo foi construído ouvindo pacientes reais, suas vulnerabilidades, dificuldades e necessidades. Cada funcionalidade nasceu da prática clínica e do desejo genuíno de melhorar o cuidado em epilepsia. No fim das contas, a ICTAL foi feita por e para essas pessoas”, conclui a CEO.
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