Hospitais estão entre os principais alvos de ataques digitais e precisam combinar tecnologia, processos e governança para proteger operações
A transformação digital tem ampliado a adoção de prontuários eletrônicos, equipamentos conectados, sistemas integrados de gestão e plataformas de telemedicina, tornando os serviços de saúde mais ágeis e eficientes. Ao mesmo tempo, a crescente digitalização também elevou a exposição das instituições de saúde a ataques cibernéticos, colocando em risco dados sensíveis e a continuidade dos atendimentos.
Hospitais estão entre os principais alvos de criminosos digitais devido ao alto valor das informações armazenadas, que incluem dados pessoais, históricos médicos e registros financeiros. Além do risco de vazamento de dados, incidentes cibernéticos podem comprometer a operação de consultas, cirurgias, exames e até o funcionamento de dispositivos médicos essenciais.

Para Flavio Cruz, da Cyrex Security, empresa especializada em cibersegurança, a proteção dos ambientes digitais deve ser tratada como parte da estratégia de continuidade operacional das instituições de saúde.
“Os hospitais estão hiperconectados e essa transformação trouxe ganhos inestimáveis para a qualidade da assistência. Porém, quanto maior a conectividade, maior é a superfície de ataque. Um incidente na saúde não representa apenas prejuízo financeiro; ele afeta diretamente a ponta do atendimento e coloca vidas em risco. Por isso, investir em prevenção, monitoramento contínuo e planos de resposta a incidentes deixou de ser uma demanda exclusiva da TI e passou a ser uma necessidade de governança corporativa”, afirma.
Entre as medidas recomendadas por especialistas para reduzir riscos estão a segmentação das redes hospitalares, a atualização contínua de softwares, a adoção de autenticação multifator (MFA) e a realização de backups isolados e protegidos.
O treinamento dos colaboradores também é apontado como um dos principais mecanismos de defesa, já que ataques de phishing e engenharia social continuam entre as formas mais utilizadas para obter acesso aos sistemas.
Dados internacionais reforçam esse cenário. Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, o setor de saúde registrou o maior custo médio por incidente entre todos os segmentos analisados, alcançando US$ 7,42 milhões por violação de dados. O estudo também aponta que as organizações da área levaram, em média, 279 dias para identificar e conter um ataque.
Outro levantamento da IBM, o X-Force Threat Intelligence Index 2025, indica que 70% dos ataques atendidos por sua equipe de resposta a incidentes tiveram como alvo organizações de infraestrutura crítica, categoria que inclui hospitais.
Em mais de um quarto dos casos, os invasores exploraram vulnerabilidades conhecidas que poderiam ter sido corrigidas previamente, evidenciando a importância da atualização constante de equipamentos e aplicações.
No Brasil, hospitais, clínicas e operadoras de saúde também vêm registrando sucessivas tentativas de ransomware e sequestro de dados.
“Os dados mostram que a saúde virou uma prioridade para o crime organizado digital. Quando uma instituição para devido a um ataque, estamos falando de pacientes sem acesso ao próprio histórico clínico. A cibersegurança deve caminhar lado a lado com a segurança assistencial. Afinal, investir em prevenção custa muito menos do que remediar a paralisação de uma operação hospitalar“, conclui Flavio Cruz.
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A adoção de novas tecnologias tem redefinido o setor de Saúde. Essas inovações têm melhorado diagnósticos, agilizado rotinas administrativas. E como proteger esse setor tão importante para a sociedade global?
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