Startup amplia atuação em blockchain para infraestrutura corporativa, integra IA e projeta faturamento de R$ 10 milhões em 2026
O blockchain está deixando de ser visto apenas como tecnologia ligada às criptomoedas para assumir um papel estratégico na infraestrutura digital das empresas. Esse é o movimento apontado pela startup NearX, que ampliou sua atuação para soluções corporativas que integram blockchain, inteligência artificial, IoT e visão computacional. A empresa projeta faturamento de R$ 10 milhões em 2026 e aposta no avanço da tecnologia como base para aplicações voltadas à automação, rastreabilidade de dados, identidade digital e confiabilidade das informações.
Enquanto a inteligência artificial domina os investimentos em tecnologia, outra infraestrutura começa a ganhar espaço silenciosamente dentro das empresas. O blockchain, antes associado quase exclusivamente às criptomoedas, passa a ser utilizado como camada de confiança para aplicações de IA, automação de processos, rastreabilidade de dados e integração entre diferentes sistemas corporativos.
Esse movimento acompanha uma nova fase do mercado. O Brasil já é o sexto maior mercado de criptoativos do mundo, com cerca de 26 milhões de usuários, e concentra 58,7% das fintechs de cripto da América Latina, reunindo mais de 1.500 empresas voltadas a emissão, corretagem, pagamentos e infraestrutura. O ambiente regulatório, impulsionado pelo Marco Legal dos Criptoativos e pelas iniciativas do Banco Central e da CVM, também vem favorecendo a adoção de soluções baseadas em blockchain.
Se nos últimos anos a tecnologia era lembrada principalmente por ativos digitais, hoje bancos, fintechs, indústrias, empresas do agronegócio e companhias de logística começam a utilizá-la para resolver problemas operacionais.
Foi essa mudança que transformou o modelo de negócios da NearX. Fundada em 2020 por Caio Mattos, a startup nasceu formando profissionais para um mercado que praticamente não possuía mão de obra especializada em blockchain no Brasil. Com o amadurecimento da tecnologia, a empresa passou a atuar no desenvolvimento de soluções corporativas que combinam blockchain, inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT), visão computacional e softwares sob medida.
Hoje, a empresa projeta faturar R$ 10 milhões em 2026, após crescer de R$ 2 milhões em 2024 para R$ 7 milhões em 2025. “Nos primeiros anos o desafio era formar desenvolvedores. Hoje o desafio é mostrar às empresas que blockchain não é um produto. É uma infraestrutura que permite integrar tecnologias, automatizar processos e aumentar a confiabilidade dos dados”, afirma Caio Mattos, fundador e CEO da NearX.

Blockchain deixa de ser investimento e vira infraestrutura
Segundo Mattos, boa parte das empresas ainda associa blockchain às criptomoedas. Na prática, porém, o uso corporativo acontece longe das corretoras.
Hoje a tecnologia é utilizada para registrar transações de forma imutável, compartilhar informações entre diferentes organizações, automatizar contratos digitais e garantir rastreabilidade de documentos, produtos e ativos.
Em uma cadeia logística, por exemplo, o blockchain pode registrar cada etapa da movimentação de um produto. No mercado financeiro, pode dar suporte à tokenização de ativos e liquidação de operações. Já na indústria, pode armazenar registros de produção sem possibilidade de alteração.
“O blockchain funciona como um cartório digital compartilhado entre diferentes empresas. Em vez de cada organização manter uma base isolada, todos trabalham sobre uma única fonte confiável de informação“, explica Mattos.
IA precisa confiar nos dados
Outro movimento observado pela empresa é a aproximação entre blockchain e inteligência artificial. Enquanto a IA produz análises, automatiza tarefas e gera decisões com base em grandes volumes de informação, o blockchain registra a origem desses dados, documenta cada alteração realizada e cria trilhas de auditoria.
Na prática, isso significa que empresas conseguem comprovar como uma informação foi produzida, quais decisões foram tomadas e quem realizou cada alteração.
“À medida que a IA ganha autonomia para executar processos, cresce também a necessidade de garantir transparência e integridade das informações utilizadas pelos algoritmos. É aí que blockchain passa a exercer um papel importante.”
Hoje a empresa atua em cinco frentes principais. Na parte de infraestrutura com Blockchain, é desenvolvido aplicações para registrar operações, tokenizar ativos, integrar empresas e criar novos modelos de negócio baseados em ativos digitais e contratos inteligentes.
Esses projetos incluem desde plataformas financeiras até sistemas para rastreamento de documentos, logística, identidade digital e processos corporativos.
Já na parte de IA, a empresa automatiza processos empresariais, atendimento inteligente, análise de grandes volumes de dados e apoio à tomada de decisão.Entre as aplicações estão agentes inteligentes, modelos generativos, classificação automática de documentos e sistemas capazes de interpretar informações em tempo real.
Outro braço se estende a visão computacional onde é desenvolvido sistemas que utilizam câmeras e inteligência artificial para interpretar imagens e vídeos. Na área de IoT, a NearX integra sensores, equipamentos e dispositivos conectados para coletar informações em tempo real.Os dados podem ser utilizados para monitoramento remoto de máquinas, rastreamento de ativos, manutenção preditiva, agricultura inteligente e controle operacional. E no, desenvolvimento de software sob medida, a empresa desenvolve plataformas personalizadas para empresas que precisam integrar sistemas legados, criar produtos digitais ou desenvolver aplicações específicas para suas operações.
Segundo Mattos, a maior parte dos projetos envolve a combinação dessas tecnologias. “Hoje dificilmente uma empresa procura apenas blockchain ou apenas inteligência artificial. O que ela busca é resolver um problema de negócio. Nossa função é combinar essas tecnologias para criar soluções que façam sentido para cada operação.”
Crescimento acompanha amadurecimento do setor
A NearX iniciou suas atividades formando profissionais para um mercado ainda embrionário. Ao longo dos últimos anos, passou a trabalhar com alguns dos principais ecossistemas internacionais de blockchain, entre eles Stellar, Optimism, Arbitrum, MultiversX, Internet Computer Protocol, Horizen Labs e ZkVerify.
A empresa conta atualmente com cerca de 20 profissionais, escritório em São Paulo, mais de 20 mil alunos formados e projetos desenvolvidos para mais de 20 organizações.Para Mattos, a tendência é que o blockchain siga o mesmo caminho percorrido pela computação em nuvem.
“Há dez anos as empresas perguntavam se deveriam usar cloud. Hoje ninguém faz essa pergunta. A nuvem virou infraestrutura. Acreditamos que o blockchain seguirá exatamente esse caminho: continuará existindo, mas deixará de ser percebido pelo usuário.”
Sobre a NearX
A NearX é uma startup brasileira especializada no desenvolvimento de soluções em blockchain e tecnologias emergentes. Fundada em 2020, atua de forma consultiva no desenvolvimento de software sob medida, infraestrutura blockchain, inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e visão computacional. Com escritório em São Paulo, já formou mais de 20 mil alunos, atende empresas nacionais e internacionais e tem como missão conectar organizações às principais oportunidades tecnológicas do mercado global.
Por que blockchain não pode se equiparar à infraestrutura de chaves públicas
Criptografia, identidade digital e a evolução dos jogos online no ecossistema blockchain

Acesse a coluna e contribua com artigos científicos sobre a tecnologia. redacao@cryptoid.com.br









