Mais R$ 547 milhões foram autorizados para ressarcir beneficiários. O número também abre uma discussão necessária sobre quanto custa reparar e quanto vale prevenir
Nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, foi publicada a Medida Provisória nº 1.378, que abre crédito extraordinário de R$ 547 milhões para o ressarcimento de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, atingidos por descontos indevidos.
Por Regina Tupinambá
Até 17 de junho, mais de R$ 3,2 bilhões já haviam sido devolvidos a 4,7 milhões de beneficiários. Com a nova liberação, o volume entre valores já pagos e recursos adicionais autorizados supera R$ 3,7 bilhões.
Os números ajudam a dimensionar essa operação. Mais de 6,4 milhões de pessoas chegaram a contestar descontos não autorizados e, em março, outras 748.734 estavam aptas a ingressar na negociação para ressarcimento.
O ressarcimento alcança aposentados, pensionistas e demais beneficiários do Regime Geral de Previdência Social atingidos pelos descontos indevidos. Para indígenas, quilombolas e pessoas com mais de 80 anos, foi estabelecido ressarcimento automático em folha, sem necessidade de adesão manual.
E esta não foi a primeira liberação extraordinária para essa finalidade. Em julho de 2025, outros R$ 3,31 bilhões já haviam sido autorizados. Somadas, as duas liberações extraordinárias destinadas ao ressarcimento chegam a aproximadamente R$ 3,86 bilhões.
São números que ajudam a colocar em perspectiva quanto recurso precisa ser mobilizado depois que um problema já aconteceu e, consequentemente, quanto vale investir continuamente em prevenção.
Quanto está custando reparar e quanto custaria prevenir?
Não se trata aqui de discutir governo, partido ou gestão. Segurança da informação precisa estar acima desse debate.
A questão é outra: diante de um volume tão expressivo destinado à reparação de danos, quanto poderia ser economizado dos cofres públicos com investimentos consistentes em prevenção nesse montante que estamos falando?
Estamos falando de ampliar recursos para governança de identidades e acessos, autenticação, criptografia, monitoramento contínuo, gestão de privilégios, rastreabilidade e mecanismos capazes de identificar comportamentos anômalos antes que eles produzam consequências em larga escala.
Só para dar dimensão ao valor, numa conta rápida e meramente ilustrativa, tomando R$ 160,00 como valor de referência para um certificado digital de pessoa física da cadeia ICP-Brasil, os R$ 3,2 bilhões já devolvidos corresponderiam a cerca de 20 milhões de certificados digitais.
Evidentemente, certificados digitais, isoladamente, não resolveriam o problema dos descontos indevidos do INSS. A comparação serve apenas para mostrar a dimensão do recurso quando traduzido para uma das tecnologias utilizadas na infraestrutura de confiança digital.
O conhecimento técnico existe
Também é importante não colocar essa conta sobre os profissionais que cuidam da segurança dos ambientes públicos.
O governo federal reúne profissionais altamente qualificados em segurança da informação, identidade digital, infraestrutura, proteção de dados e resposta a incidentes.
O desafio é fazer com que esse conhecimento técnico conte cada vez mais com recursos, integração, ferramentas e continuidade para trabalhar de forma preventiva.
Porque segurança não se constrói apenas depois que alguma coisa acontece.
Talvez seja esse o principal recado deixado por uma conta dessa dimensão: reparar é necessário. Prevenir pode custar muito menos.
No final do dia vale sábios ensinamentos de nossas avós: “É melhor prevenir do que remediar”.

REGINA TUPINAMBÁ | CCO – Chief Content Officer – Crypto ID. Publicitária formada pela PUC Rio. Como publicitária atuou em empresas nacionais e internacionais atendendo marcas de grande renome entre elas Coca-Cola, Grupo L’Oréal, Nestlé, McDonald’s, Exxon, General Motors, Petrobras, Banco do Brasil, CAIXA e Ambev, participando da definição e implementação de estratégias de posicionamento, comunicação e construção de marca. Em 1999, migrou sua atuação para empresas do universo de segurança digital onde passou ser a principal executiva das áreas comercial e marketing em uma Autoridade Certificadora Brasileira. Acompanhou a criação da AC Raiz da ICP-Brasil e participou diretamente da implementação e homologação de inúmeras Autoridades Certificadoras. Foi, também, responsável pelo desenvolvimento do mercado de SSL no Brasil. É CEO da Insania Publicidade e como CCO do Portal Crypto ID dirige a área de conteúdo do Portal desde 2014. Acesse seu LinkedIn.
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