Pesquisa mostra que a fraude de identidade evolui em complexidade, com maior incidência de ataques sofisticados na América Latina
A fraude de identidade deixou de ser um conjunto de ocorrências isoladas para se consolidar como uma operação em rede, impulsionada pelo uso de inteligência artificial (IA) generativa. Essa é uma das principais conclusões do Relatório de Inteligência Sobre Fraude de Identidade: Tendências e Insights, desenvolvido pela Unico, rede de verificação de identidade na América Latina, em parceria com a Liminal, empresa de inteligência de mercado.
De acordo com o Global Fraud and Risk Outlook, publicado pela Liminal em abril de 2026, as perdas decorrentes de fraudes em instituições financeiras devem crescer mais de 120% até 2030, passando de aproximadamente US$ 25 bilhões, registrados em 2025, para US$ 55,3 bilhões ao final da década.
As projeções são acompanhadas por dados da base da Unico, coletados entre junho de 2025 e abril de 2026, que indicam um aumento na sofisticação das tentativas de fraude.
O estudo aponta que a barreira de entrada para ataques mais sofisticados foi reduzida significativamente. Segundo o relatório, o custo para executar esse tipo de fraude caiu mais de cem vezes em razão da popularização de ferramentas de IA generativa oferecidas por meio de modelos de assinatura de baixo custo.
Nesse contexto, quase 90% dos profissionais da área de prevenção a fraudes consideram conteúdos sintéticos, como documentos manipulados e personificações realizadas por bots, uma das principais preocupações atuais.
Entre os casos analisados, a Unico identificou um perfil fraudulento associado a 949 identidades diferentes, utilizado em tentativas de fraude contra até 30 empresas. Para o estudo, esse comportamento evidencia a atuação coordenada e persistente de redes criminosas.
O levantamento também indica que a América Latina concentra 48,3% dos casos de identidade sintética registrados globalmente, percentual superior ao dobro da média mundial, de 23%. Segundo o relatório, esse cenário posiciona a região como a principal frente de ocorrência desse tipo de fraude.
No Brasil, os alertas de fraude estão concentrados em regiões com maior atividade digital. São Paulo reúne 22% das ocorrências, o equivalente a um em cada cinco casos registrados no país. Em seguida, aparecem estados do Nordeste, especialmente Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, que concentram 11,5% das tentativas identificadas.

“O Brasil é o principal termômetro para entender a transição da fraude. Temos um ecossistema altamente avançado, impulsionado por pautas ativas de Open Finance e regulado pela LGPD, mas é essa mesma escala que atrai ataques massivos, como as 500 mil tentativas de deepfakes bloqueadas na região”, afirma Fernanda Beato, General Manager da Unico no Brasil. “O ponto de atenção para líderes financeiros é que a verificação de identidade deixou de ser um passo de conformidade regulatória para se tornar o alicerce estratégico onde defesa conectada protege a receita e a reputação das instituições”, finaliza.
Evolução das fraudes sofisticadas
O relatório mostra que a evolução das fraudes ocorre em diferentes níveis de complexidade. As tentativas classificadas como intermediárias representam 45,8% do total de casos monitorados e envolvem recursos como manipulação de imagens e vídeos, incluindo injeções simples.
Já os ataques avançados, que combinam múltiplas técnicas, como deepfakes e manipulações físicas mais complexas, correspondem a 23,3% das ocorrências registradas globalmente. Na América Latina, entretanto, esse percentual se aproxima de 50%, indicando maior concentração de ataques de alta complexidade na região.
Quando bem-sucedidos, esses ataques podem causar impactos financeiros relevantes. De acordo com o Deepfake Impact Survey, da IRONSCALES, publicado em novembro de 2025, uma fraude de nível intermediário gera perdas superiores a US$ 280 mil por organização, enquanto cerca de 20% dos casos ultrapassam US$ 500 mil.
Outro levantamento citado no relatório, divulgado pela TechRadar em março de 2026, estima que as perdas globais com fraudes financeiras já superam US$ 400 bilhões por ano, impulsionadas pelo avanço dos ataques digitais.
Segundo a Unico, a empresa realizou mais de 1,5 bilhão de autenticações de identidade em 2025, alcançando índice de precisão de 99,98%. A companhia também informa que ampliou o uso da tecnologia de prova de vida (liveness), baseada em uma análise multicamada que combina biometria, sinais comportamentais, temperatura corporal e dados do dispositivo. De acordo com a empresa, a solução mantém índice FAR Zero, indicador que representa o bloqueio de 100% das tentativas conhecidas de fraude contra o sistema.
Veridas e Fourthline unem biometria, IA soberana e conformidade modular numa mesma plataforma
eIDAS 2, AMLR e EUDI Wallet: entenda a nova arquitetura europeia de confiança digital
A IA tem crachá? O risco invisível dos “funcionários virtuais”
Identidade é quem você é. Identificação digital é como você prova isso. O Crypto ID trata dessa distinção desde 2014 e sobre identificação de pessoas e identidades não humanas (NHIs) com abordagem técnica e acadêmica, você só lê aqui!









