O Agente Autônomo de Câmbio foi desenvolvido internamente pelo Banco do Brasil, solução reduz em até 90% o tempo de análise documental e mantém as decisões finais sob responsabilidade humana
O Banco do Brasil desenvolveu internamente um Agente Autônomo de Câmbio capaz de receber solicitações de clientes empresariais, interpretar mensagens e documentos, consultar informações corporativas e preparar um dossiê preliminar para a formalização das operações.
Banco do Brasil leva agente autônomo de câmbio ao Febraban Tech 2026
Com a solução, atividades que antes demandavam aproximadamente 40 minutos passaram a ser realizadas em cerca de quatro minutos, uma redução de até 90% no tempo médio do processo.
O Agente Autônomo de Câmbio será apresentado durante o Febraban Tech 2026.
Mais do que o ganho de produtividade, o projeto mostra como a inteligência artificial agêntica começa a ser incorporada a processos financeiros complexos e regulados. O agente possui identidade própria na infraestrutura tecnológica do Banco, utiliza acessos limitados, interage com os sistemas por meio de APIs e mantém registros que permitem reconstruir as ações executadas.

A solução também não tem acesso direto aos sistemas transacionais nem pode efetivar ações permanentes. A análise produzida pelo agente tem caráter preliminar e a validação final permanece sob responsabilidade dos especialistas do Banco.
Nesta edição do ID Talk, Diego Quadros, executivo de IA e Analytics do Banco do Brasil, explica como funciona o Agente Autônomo de Câmbio, quais são os limites de sua autonomia e como identidade, segurança, governança e rastreabilidade foram incorporadas à arquitetura.
ID Talk com Diego Quadros
Crypto ID: Diego, para começarmos, o Banco do Brasil está levando a inteligência artificial agêntica a uma etapa das operações de câmbio tradicionalmente marcada por análise documental e atuação de equipes especializadas. Na prática, como o Agente Autônomo de Câmbio participa desse processo, quais atividades realiza de forma autônoma e em que momento entra a validação humana?
Diego Quadros: O Agente Autônomo de Câmbio vai além da simples extração e organização de informações. Ele recebe e interpreta solicitações encaminhadas pelos clientes por meio dos canais corporativos do Banco, analisa o conteúdo das mensagens e seus anexos, identifica os documentos relacionados à operação e extrai os dados necessários para dar início ao processo.
A partir dessa análise, a solução consulta, de forma autônoma e controlada, informações disponíveis nos sistemas corporativos por meio de APIs internas. Com isso, confronta dados recebidos com informações cadastrais e operacionais já existentes, classificando documentos, identificando eventuais pendências e estruturando um dossiê preliminar da operação.
Sua autonomia abrange atividades de análise documental, consolidação de informações, validações iniciais e preparação dos insumos necessários à formalização da operação. Trata-se de um conjunto de tarefas que historicamente exigia dedicação significativa de especialistas e consumia uma parcela relevante do tempo operacional.
As decisões finais, porém, permanecem sob responsabilidade humana. Os especialistas do Banco avaliam o material produzido pelo agente, analisam exceções, validam a conformidade da documentação e confirmam a continuidade da operação. O objetivo não é substituir o conhecimento especializado, mas potencializá-lo, liberando as equipes para atividades de maior valor agregado e aprimorando a experiência tanto dos funcionários quanto dos clientes.
Crypto ID: Em uma operação de câmbio, é essencial garantir a vinculação correta entre cliente, documentação e operação. Como o Agente Autônomo de Câmbio identifica os remetentes, analisa os documentos e trata eventuais divergências?
Diego Quadros: O Agente Autônomo de Câmbio opera em um fluxo previamente estruturado e controlado, no qual apenas clientes autorizados podem encaminhar documentos para análise. A identificação dos remetentes ocorre por meio da integração com o provedor corporativo de e-mail, permitindo confrontar as informações da mensagem com as bases cadastrais e de autorização do Banco.
A confiabilidade do processo não depende exclusivamente da inteligência artificial. Antes de qualquer ação do agente autônomo, um harness de segurança atua como camada de governança, aplicando controles de identidade, autorização e validação de contexto para garantir a vinculação correta entre cliente, documentação e operação.
Após receber os documentos, o agente identifica e classifica os arquivos, extrai as informações relevantes e consulta autonomamente bases corporativas por meio de ferramentas disponibilizadas via protocolo MCP. Com essas informações, realiza verificações de consistência, valida dados cadastrais e operacionais e identifica eventuais divergências ou pendências.
Sempre que são identificados documentos incompletos, inconsistências ou situações que exijam análise complementar, o caso é direcionado para a esteira especializada de backoffice. Nesses cenários, a avaliação humana assume papel central antes do prosseguimento da operação.
Essa abordagem reflete uma visão fundamental da estratégia de IA do Banco do Brasil: a inteligência artificial deve atuar sobre uma base de confiança já estabelecida, ampliando a velocidade e a capacidade analítica dos processos sem renunciar aos controles que garantem segurança e qualidade.
Crypto ID: Diego, você explicou que a confiabilidade do processo não depende apenas da inteligência artificial, mas também de controles de identidade, autorização e validação de contexto. Olhando agora para o próprio Agente Autônomo de Câmbio me diz: ele possui identidade dentro da infraestrutura do Banco? Como seus acessos são controlados e de que forma o Banco consegue reconstruir posteriormente as ações executadas?
Diego Quadros: O Agente Autônomo de Câmbio possui identidade própria dentro do ecossistema tecnológico do Banco do Brasil, seguindo os mesmos princípios de autenticação e autorização aplicados às demais aplicações corporativas. Ele não opera como um usuário genérico nem possui acessos amplos ou irrestritos aos ambientes da instituição.
Sua interação com sistemas corporativos ocorre exclusivamente por meio de APIs e serviços autorizados. Cada integração é habilitada para uma finalidade específica e segue o princípio do menor privilégio, garantindo acesso apenas aos recursos necessários para a execução das atividades previstas.
As conexões com ferramentas e serviços utilizam o protocolo Model Context Protocol (MCP), que permite estruturar de forma segura a interação entre agentes de IA e sistemas corporativos. As consultas são executadas em contextos previamente definidos e sujeitas a restrições de escopo, reduzindo riscos de buscas indevidas ou utilização inadequada das informações.
Outro aspecto importante é a capacidade de reconstruir integralmente a atuação da solução. Os registros mantidos permitem identificar quais serviços foram acionados, quais informações foram consultadas, em qual contexto a atividade foi realizada e quais resultados foram produzidos. Essa capacidade é fundamental para auditoria, gestão de riscos e prestação de contas em processos financeiros regulados.
Mais do que autonomia, o Banco busca uma autonomia responsável, baseada em identidade definida, acessos controlados e plena rastreabilidade das ações executadas.
Crypto ID: Você destacou que os registros permitem reconstruir quais serviços foram acionados, quais informações foram consultadas e quais resultados foram produzidos. Ampliando essa questão para toda a operação, como o Banco registra as análises realizadas pelo agente e as validações feitas pelos especialistas? Caso ocorra alguma falha, é possível identificar com precisão em qual etapa ela surgiu?
Diego Quadros: A rastreabilidade foi um requisito incorporado desde o início do projeto. O Agente Autônomo de Câmbio mantém registros detalhados de sua atuação, permitindo reconstituir todo o fluxo de processamento de uma operação.
São registrados os documentos e mensagens analisados, as ferramentas acionadas, as consultas realizadas, os dados utilizados durante a avaliação e os resultados gerados. Isso possibilita compreender não apenas o resultado obtido, mas também os elementos considerados durante sua construção.
Além disso, a etapa de validação humana também é integralmente registrada. As confirmações, correções, ajustes e observações realizadas pelos especialistas ficam associadas ao processo, permitindo acompanhar eventuais divergências entre a análise automatizada e a avaliação final.
Caso ocorra alguma inconsistência ou falha, é possível identificar com precisão em qual etapa ela surgiu, seja na interpretação de documentos, em consultas a sistemas corporativos, no tratamento das informações ou em componentes da infraestrutura tecnológica. Essa capacidade acelera a identificação da causa raiz e contribui para a evolução contínua da solução.
Em um ambiente regulado, explicabilidade significa ir além de saber o resultado: significa compreender como ele foi produzido. Esse princípio orienta a construção do Agente Autônomo de Câmbio e fortalece a confiança necessária para ampliar o uso da IA em processos críticos de negócio.
Crypto ID: Depois de entender como o Banco garante a rastreabilidade das ações do agente, vamos olhar para a arquitetura da solução. Qual plataforma é utilizada para orquestrar essas capacidades de inteligência artificial? Como ocorre a integração com os sistemas corporativos e quais controles limitam os acessos, protegem o processo contra manipulações e impedem que o agente execute ações fora do contexto autorizado?
Diego Quadros: O Agente Autônomo de Câmbio utiliza o Azure AI Foundry da Microsoft como camada de orquestração das capacidades de inteligência artificial. Sua integração com os sistemas corporativos ocorre exclusivamente por meio de APIs e serviços controlados, sem acesso direto a sistemas transacionais ou bases de dados.
A arquitetura foi desenhada para que cada ferramenta disponível ao agente tenha escopo limitado e finalidade específica. Na prática, a solução acessa apenas os recursos necessários para executar a atividade para a qual foi autorizada, sem possibilidade de realizar consultas genéricas ou explorar informações fora do contexto da operação analisada.
O Banco do Brasil também adota mecanismos de governança para validação dos modelos e monitoramento das interações realizadas. Essas camadas ajudam a mitigar riscos como Prompt Injection, tentativas de manipulação do comportamento do agente e solicitações incompatíveis com as regras do processo. Dessa forma, informações recebidas por e-mail ou documentos não alteram autonomamente os limites operacionais definidos para a solução.
Outro princípio importante é que o agente não possui capacidade de efetivar ações com impacto permanente nos sistemas corporativos. Os resultados produzidos têm caráter preliminar e servem como suporte à atividade operacional. A confirmação e a conclusão da operação continuam sob responsabilidade dos especialistas do Banco.
Esse modelo permite capturar os ganhos de produtividade e escala proporcionados pela IA agêntica sem renunciar aos mecanismos de controle exigidos em uma instituição financeira. O foco não está apenas em automatizar tarefas, mas em construir uma arquitetura confiável capaz de ampliar a capacidade de atendimento, melhorar a experiência dos clientes e apoiar os funcionários em atividades cada vez mais complexas e especializadas.
Agradecimento
O Crypto ID agradece a Diego Quadros pela disponibilidade e pelo detalhamento técnico apresentado nesta entrevista, assim como ao Banco do Brasil e às equipes envolvidas na elaboração e validação das informações compartilhadas.
A transparência sobre a arquitetura, os controles de acesso, os limites de autonomia e os mecanismos de rastreabilidade contribui para ampliar o debate sobre a utilização responsável de agentes de inteligência artificial em processos financeiros críticos e regulados.
Sobre o Banco do Brasil e sua atuação em câmbio
O Banco do Brasil atua no atendimento a operações de câmbio de empresas e grandes corporações, com processos conduzidos por equipes especializadas e sujeitos a requisitos regulatórios, operacionais, de segurança e de conformidade.
Com o Agente Autônomo de Câmbio, o Banco incorpora inteligência artificial agêntica à análise documental e à preparação das informações necessárias para a formalização das operações. A tecnologia amplia a velocidade e a capacidade operacional do processo, enquanto a avaliação da documentação, a validação da conformidade e a decisão sobre a continuidade da operação permanecem sob responsabilidade dos especialistas do Banco.
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