PERT 2026 da Anatel aponta avanços na cobertura móvel, mas identifica mais de 26 mil localidades ainda sem acesso ao serviço
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou a nova versão do Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT/2026), documento que orienta as políticas públicas para o setor nos próximos anos. Entre os dados apresentados, o plano indica avanços na expansão das redes móveis, mas também evidencia lacunas de cobertura em diferentes regiões do país.
Segundo o PERT/2026, a tecnologia 4G está presente em todos os 5.570 municípios brasileiros, enquanto o 5G já alcança 2.677 municípios. O documento informa ainda que o 4G, atualmente a tecnologia móvel predominante no país, cobre 99,62% da população urbana.
Nas rodovias, o plano aponta que 53% dos 122 mil quilômetros de vias federais possuem cobertura 4G. Nas rodovias estaduais, a cobertura chega a 50,7% dos 323 mil quilômetros mapeados.
Apesar dos avanços, o PERT/2026 registra que ainda existem 26.442 localidades sem cobertura móvel e sem compromissos contratuais de expansão, entre elas 2.530 aldeias indígenas. O documento também identifica trechos de rodovias sem cobertura, além de lacunas de sinal em pontos públicos de interesse, como escolas, atrativos turísticos e polos de relevância econômica.

“Os números trazidos pelo PERT confirmam o diagnóstico que o setor de infraestrutura de telecomunicações vem defendendo há anos: a expansão da cobertura depende, antes de tudo, da instalação de novos suportes físicos para as estações que levam o sinal a quem ainda não o tem“, afirma Luciano Stutz, presidente da Abrintel.
Adensamento Positivo
Ao abordar os projetos voltados à ampliação da cobertura do Serviço Móvel Pessoal (SMP), o PERT/2026 incorpora o conceito de Adensamento Positivo, defendido pela Abrintel desde 2024. A proposta prioriza a criação de novas áreas de cobertura, em vez da duplicação de infraestrutura em locais já atendidos.
O plano destaca a necessidade de implantação de novas estações para ampliar o sinal em pontos atualmente descobertos, como bases militares, áreas destinadas à pesquisa e polos industriais e tecnológicos, frequentemente localizados fora dos centros urbanos.
O documento também aponta o adensamento estratégico como alternativa para melhorar a qualidade da cobertura em áreas de baixo desenvolvimento social e como um dos principais caminhos para ampliar a capacidade das redes 4G e 5G, reduzindo áreas de sombra e melhorando as taxas de transmissão de dados de upload e download.
Na avaliação da Abrintel, o reconhecimento desse conceito reforça a importância da infraestrutura passiva para a expansão das redes móveis. Segundo a associação, as empresas do segmento investem na identificação de novos locais e na instalação dos suportes que sustentam as estações do Serviço Móvel Pessoal. A entidade argumenta que a ampliação da cobertura e a melhoria da qualidade da conexão dependem dessa infraestrutura.
“O Adensamento Positivo soma-se a outras bandeiras defendidas pela Abrintel, como segurança jurídica para o investimento do setor a partir de regras estáveis e previsíveis para o compartilhamento e a instalação de infraestrutura, além do fomento a leis de antenas municipais alinhadas às diretrizes da Anatel, simplificando o licenciamento de novas estruturas para acelerar a chegada de conexão a todo o país“, finaliza Stutz.
Sobre a Abrintel
A Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações (Abrintel) é uma entidade formada em maio de 2013 pelas principais empresas detentoras de infraestrutura (para a instalação de antenas) e voltada ao mercado de telecomunicações, a fim de viabilizar a expansão de tais serviços. Atualmente, as empresas associadas à Abrintel representam cerca de 57% do mercado de torres de telecomunicações, tendo investido, nos últimos anos, mais de R$ 15 bilhões no desenvolvimento do setor. Ciente dos desafios de um setor em contínuo crescimento, a Abrintel se propõe a colaborar com a administração pública, como entidade técnica e consultiva, na análise e na implementação conjunta de soluções que ajudem a dar melhores respostas às necessidades de infraestrutura no âmbito das telecomunicações.
MWC26 Shanghai mostra que a IA móvel depende de identidade, eSIM e segurança criptográfica
Eletronet amplia infraestrutura de conectividade para inteligência artificial
Alcatel-Lucent amplia oferta de 5G privativo com tecnologia da Celona
Em nossa coluna sobre Infraestrutura, você encontra análises exclusivas sobre data centers, conectividade, nuvem, energia e cibersegurança, aprofundando o debate sobre os pilares que sustentam a transformação digital no mundo. Acesse!










