Blockchain.RIO 2026 reúne autoridades para discutir regulação, tokenização e desafios do mercado de ativos digitais
A regulação e a educação de autoridades sobre tecnologias blockchain estiveram entre os principais temas do painel de abertura do Blockchain.RIO 2026. O evento reuniu representantes dos bancos centrais do Peru e de El Salvador, além de integrantes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), da Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac) e da Secretaria de Tecnologia do Rio de Janeiro.

Durante a abertura, os participantes defenderam a necessidade de conciliar regulação e inovação. Julia Rosin, presidente da ABcripto, afirmou que os próximos quatro anos serão importantes para a evolução do mercado de criptoativos.
Segundo a executiva, a associação passou a atuar em conjunto com a Juntos por Cripto, organização sem fins lucrativos, com foco na educação de reguladores sobre o setor.
“Esse ano é decisivo para o mercado de criptoativos”, afirmou Julia.
“Quem realmente pode ajudar a consolidar o mercado de stablecoins é o Congresso Nacional. Não o Banco Central, nem a CVM. E já estamos em conversa com eles. Os próximos quatro anos podem dar uma nova cara para o setor”, complementou.
Regulação das PSAVs
Sobre a regulamentação das Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs), que entra em vigor em outubro, Julia classificou a medida como o principal marco regulatório de 2026.
A presidente da ABcripto também afirmou que o grupo de estudos mantido em conjunto com a CVM já apresenta resultados.
“Existe um grupo de trabalho com a CVM sobre tokenização. No grupo de estudos é observado como tokenizar ativos com segurança e outros temas. A CVM tem metas bem ousadas para este ano”, afirmou.
Para Julia, o momento é relevante para o desenvolvimento da indústria de ativos digitais.
“A regulação é o que vai pavimentar o caminho do mercado. Trabalhamos junto ao regulador para que existam regras que sejam de fato inteligentes, e condizem com o que o mercado precisa”, finalizou Julia.
Ao longo da sessão, as autoridades também destacaram a importância de ampliar o conhecimento do setor público sobre blockchain e de estabelecer definições para os diferentes componentes do mercado.

“Como discutir sobre a tecnologia dentro das definições corretas e sem quebrar o ritmo da inovação? Educar os reguladores é o primeiro passo”, disse Rodrigoh Henriques, diretor de Inovação e Estratégia do Instituto Fenasbac.
Brasil e El Salvador têm desafios diferentes
Juan Carlos Reyes, presidente da Commission Nacional de Activos Digitales de El Salvador, destacou as diferenças entre os dois países no processo de regulamentação, especialmente em relação ao tamanho da indústria.
“El Salvador, um país pequeno, conseguiu implementar regras com relativa rapidez. O Brasil, por outro lado, é uma grande economia e precisa ser cauteloso nesse processo. Ao mesmo tempo, o setor não está unificado a ponto de poder fazer uma única solicitação ao governo”, disse.
Reyes também afirmou que ainda existe uma quantidade significativa de criptomoedas no mercado, além de um nível elevado de centralização. Segundo ele, o setor financeiro tradicional tem concentrado esforços na adoção da tokenização por meio da tecnologia blockchain.
“Portanto, quem tiver mais dinheiro, quem conseguir se organizar mais rapidamente e apresentar uma proposta que o governo possa supervisionar e regular, é quem vai prevalecer. O mercado está muito segregado no momento. É uma bagunça. Ainda não atingiu a maturidade necessária para exigir uma supervisão adequada”, concluiu.
Cooperação internacional
A abertura do Blockchain.RIO 2026 também colocou em discussão a cooperação entre autoridades e participantes do mercado na construção de regras para ativos digitais.
O encontro reuniu representantes do setor público, reguladores e instituições ligadas ao ecossistema de tecnologia financeira para discutir experiências regulatórias, tokenização e os desafios relacionados à evolução da infraestrutura financeira digital.
A programação do evento ocorre de 11 a 13 de agosto, no Rio de Janeiro, e inclui o Financial Infrastructure Forum – LATAM, o Blockchain Leaders e o Blockchain.RIO Main Event, além de experiências institucionais e eventos paralelos.
Sobre o Blockchain.RIO
O Blockchain.RIO reúne discussões sobre blockchain, tokenização, stablecoins, ativos digitais, regulação e infraestrutura financeira digital. A programação envolve reguladores, bancos centrais, instituições financeiras, empresas de tecnologia, provedores de infraestrutura, exchanges, gestores de ativos, investidores, formuladores de políticas públicas e representantes do setor.
A edição de 2026 foi estruturada para promover discussões entre setor público, iniciativa privada e ecossistema de inovação sobre a transformação dos mercados, dos sistemas de pagamento e da economia digital.
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