VP da Diebold Nixdorf LATAM, Elias Rogério, fala sobre modernização contínua, integração físico-digital e futuro da infraestrutura financeira

Presentes no primeiro dia do Febraban Tech 2026, o Crypto ID retoma uma tradição de sua cobertura do maior evento de tecnologia e inovação do setor financeiro da América Latina: conversar com Elias Rogério da Silva, Vice-Presidente da Diebold Nixdorf para a América Latina, sobre as transformações que estão redesenhando a infraestrutura bancária.
Nesta edição, realizada no Distrito Anhembi e tendo como tema “Agentes inteligentes, liderança humana”, a Diebold Nixdorf participa do evento apresentando tecnologias e estratégias voltadas à evolução dos serviços financeiros em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, pela necessidade de modernização dos ambientes tecnológicos e pela crescente importância da segurança e da resiliência operacional.
Elias Rogério da Silva é uma fonte que o Crypto ID acompanha há vários anos. Em nossas conversas mais recentes, o executivo vem defendendo uma visão segundo a qual a transformação dos bancos já não pode ser pensada apenas pela adoção isolada de novas tecnologias.
Em abril de 2026, Elias falou ao Crypto ID sobre inteligência artificial, automação e a integração entre os ambientes físico e digital, destacando a evolução de um modelo baseado em equipamentos e processos isolados para a orquestração de jornadas completas.
Mais recentemente, em artigo repercutido pelo Crypto ID, avançou nessa discussão ao defender que a modernização da infraestrutura precisa ser contínua, permitindo que instituições financeiras incorporem novas capacidades sem ampliar na mesma proporção a complexidade de seus ambientes tecnológicos.
É a partir dessa visão, e do que a Diebold Nixdorf apresenta no Febraban Tech 2026, que iniciamos este ID Talk.
Leia entrevista completa!
Crypto ID: Elias, já virou uma tradição do Crypto ID começar o Febraban Tech conversando com você. Neste ano, em um evento que discute “Agentes inteligentes, liderança humana”, qual é a principal mensagem que a Diebold Nixdorf quer levar ao mercado e o que vocês escolheram apresentar no estande?
Elias Rogério da Silva: O tema do evento, “Agentes inteligentes, liderança humana”, traduz justamente o momento de transformação que vivemos, em que, conforme a Inteligência Artificial passa a executar tarefas, analisar informações e apoiar processos cada vez mais complexos, cresce a responsabilidade de pessoas e líderes em definir objetivos, tomar decisões e garantir que essa tecnologia seja utilizada de forma segura, responsável e alinhada aos negócios.
Com nossas soluções, queremos apresentar a tecnologia como uma forte aliada das instituições financeiras, ampliando sua capacidade de inovar e evoluir, sempre inserida em uma estratégia que combine tecnologia, infraestrutura e liderança humana. No caso do setor financeiro brasileiro, que é um dos mais desenvolvidos do mundo, o desafio não é começar uma transformação do zero, mas incorporar novas capacidades a uma estrutura que já é altamente sofisticada.
No Febraban Tech, queremos mostrar como a inteligência pode ser combinada à automação e à eficiência para apoiar a evolução das operações financeiras, conectando diferentes tecnologias, canais e processos. Mais do que apresentar inovações, queremos discutir como essa evolução pode acontecer de maneira contínua, com segurança, flexibilidade e foco na experiência do cliente.
Crypto ID: Em nossa conversa de abril, você destacou que a automação bancária deixou de ser pensada apenas em equipamentos e passou a envolver a integração entre canais, dados e operação. Mais recentemente, você avançou nessa discussão ao defender uma infraestrutura flexível, capaz de evoluir continuamente. O que mudou na prática para os bancos? Modernização deixou de ser um grande projeto com começo e fim para se tornar um processo permanente?
Elias Rogério da Silva: A modernização deixou de ser um projeto pontual para se tornar uma capacidade permanente da instituição. O mercado financeiro brasileiro avançou muito justamente porque conseguiu incorporar novas tecnologias enquanto sustenta uma infraestrutura crítica, que precisa estar disponível o tempo todo. O desafio agora é preservar essa capacidade de evolução.
Em vez de pensar apenas em grandes ciclos de substituição, os bancos precisam construir ambientes que permitam incorporar novos recursos conforme eles se tornam necessários. Isso envolve integrar canais, dados e operações e, principalmente, evitar que cada nova tecnologia aumente desnecessariamente a complexidade existente.
É uma mudança de perspectiva: modernizar não é simplesmente trocar o que ficou antigo, mas criar condições para que a infraestrutura continue acompanhando o negócio. Por isso, soluções capazes de evoluir continuamente e ampliar as possibilidades de serviços, inclusive sobre ambientes existentes, tornam-se tão importantes. É uma abordagem que permite distribuir investimentos, reduzir riscos e manter a continuidade operacional enquanto a instituição avança.
Crypto ID: Você também tem chamado atenção para o peso dos sistemas legados e para o risco de cada nova tecnologia aumentar ainda mais a complexidade da infraestrutura. Agora, com inteligência artificial, identidade digital e novos ecossistemas financeiros avançando ao mesmo tempo, como modernizar sem interromper operações críticas e sem obrigar os bancos a substituir tudo o que já construíram? O que a Diebold Nixdorf mostra aqui no Febraban Tech nesse sentido?
Elias Rogério da Silva: Esse equilíbrio é fundamental. O setor financeiro não pode tratar a modernização como uma ruptura, porque estamos falando de ambientes críticos, construídos ao longo de muitos anos e que precisam continuar funcionando enquanto novas capacidades são incorporadas. Ao mesmo tempo, não podemos permitir que o legado se transforme em uma barreira para a inovação.
A saída, portanto, está em uma evolução gradual, com uma arquitetura capaz de integrar o que já existe às novas tecnologias. Isso é especialmente relevante agora, quando IA, identidade digital e novos ecossistemas financeiros avançam simultaneamente. A própria IA, por exemplo, pode simplificar operações, apoiar a prevenção de fraudes, detectar anomalias e aprimorar a gestão de riscos, mas sua adoção precisa considerar os ambientes legados e a qualidade dos dados disponíveis. No Febraban Tech, mostramos essa visão por meio de tecnologias que permitem modernizar ambientes existentes e prepará-los para novas jornadas e serviços, sem exigir uma substituição completa da infraestrutura.
Crypto ID: Outro ponto que você vem defendendo é a orquestração das jornadas: o cliente pode começar uma operação no aplicativo, continuar no ATM e, quando necessário, chegar ao atendimento humano sem precisar recomeçar todo o processo. Quanto essa integração entre o físico e o digital já é realidade e o que ainda precisa evoluir para que os diferentes canais funcionem efetivamente como uma única experiência?
Elias Rogério da Silva: Essa integração já faz parte da realidade de muitas instituições e seguimos evoluindo para uma experiência cada vez contínua. O ponto central é entender que não existe um único canal ideal para todos os clientes, porque as pessoas têm necessidades, hábitos, contextos e formas de se relacionar com os serviços financeiros muito diferentes.
No Brasil, essa diversidade é especialmente relevante. Temos diferenças culturais e regionais, diferentes níveis de familiaridade com a tecnologia e públicos que, por razões distintas, podem se sentir mais confortáveis no aplicativo, no caixa eletrônico, na agência ou no atendimento humano. Por isso, oferecer diferentes possibilidades de acesso não significa apenas atender a uma necessidade específica em determinado momento, mas respeitar distintas formas de viver, consumir e se relacionar com o sistema financeiro.
O papel da tecnologia é fazer com que esses canais trabalhem de maneira coordenada, permitindo que o cliente transite entre eles com naturalidade e sem precisar recomeçar sua jornada. Mais do que substituir o físico pelo digital, ou o humano pela tecnologia, estamos falando em combinar essas possibilidades para oferecer uma experiência mais inclusiva, fluida e adequada à realidade de cada pessoa.
Crypto ID: Em julho, o Crypto ID publicou a matéria “Contra ciberataques, três países transformam dinheiro em espécie em política de Estado”, mostrando como Suécia, Noruega e Suíça passaram a tratar o acesso ao dinheiro físico também pela ótica da resiliência diante de ciberataques, apagões e indisponibilidade dos meios digitais. Você concorda que a discussão deixou de ser “dinheiro físico versus digital” e passou a ser sobre garantir diferentes camadas de continuidade para o sistema financeiro? Nesse cenário, qual passa a ser o papel do ATM? https://cryptoid.com.br/mercado-financeiro/dinheiro-em-especie-lei-3-paises-resiliencia/
Elias Rogério da Silva: Sem dúvida. Quando falamos em resiliência do sistema financeiro, a questão não é escolher entre o físico e o digital, mas garantir que existam diferentes formas de acesso aos serviços financeiros e ao dinheiro, inclusive quando uma delas fica indisponível. Em situações como ciberataques, falhas de conectividade ou apagões, o dinheiro em espécie funciona como uma camada adicional de continuidade.
Por isso, os caixas eletrônicos ganham uma dimensão ainda mais estratégica, sendo uma das portas de acesso à infraestrutura financeira. Mas isso exige que o próprio ATM seja resiliente. Hoje, a segurança desses equipamentos não pode ser pensada apenas em relação às fraudes físicas tradicionais. Eles estão conectados a sistemas, redes e dados e, por isso, precisam de proteção em diferentes camadas. A combinação de segurança física, lógica, cibernética, autenticação e monitoramento permite que uma eventual vulnerabilidade em uma frente não comprometa toda a operação. No fim, preservar o acesso ao dinheiro também significa preservar continuidade, confiança e capacidade de resposta em situações adversas.
Crypto ID: Quando juntamos tudo isso, inteligência artificial, modernização contínua, segurança, infraestrutura flexível, integração físico-digital e necessidade de resiliência, qual será, na sua visão, a mudança mais importante na infraestrutura dos bancos nos próximos anos? E, olhando para a América Latina, onde o Brasil está mais avançado e onde ainda existe um espaço importante para evolução?
Elias Rogério da Silva: A principal mudança será a evolução para uma infraestrutura cada vez mais integrada, flexível e preparada para se adaptar continuamente. Os bancos precisam conectar canais físicos e digitais, incorporar novas tecnologias e responder rapidamente a mudanças no comportamento dos clientes e a novas ameaças, sem comprometer disponibilidade, segurança ou qualidade da experiência.
A modernização deixa de acontecer em grandes ciclos e passa a ser contínua. Isso vale também para o ATM, por exemplo. O equipamento será cada vez mais parte de uma infraestrutura mais ampla de serviços, conectado aos demais canais do banco e capaz de receber novas funcionalidades ao longo de seu ciclo de vida. Tecnologias como inteligência artificial e automação também terão um papel crescente na gestão dessa infraestrutura, ajudando a antecipar falhas, otimizar operações e fortalecer a segurança.
Na América Latina, o Brasil está bastante avançado na digitalização dos serviços financeiros e na adoção de novos meios de pagamento, além de contar com um consumidor muito habituado a transitar entre diferentes canais. Ao mesmo tempo, ainda existe espaço para avançar na modernização da infraestrutura física e, principalmente, na integração entre esses ambientes.
Agradecimentos
O Crypto ID agradece a Elias Rogério da Silva pela disponibilidade para mais uma conversa durante nossa cobertura do Febraban Tech e à Diebold Nixdorf pela colaboração e pelo relacionamento construído ao longo dos anos.
Seguiremos acompanhando, durante o Febraban Tech 2026, as tecnologias, estratégias e discussões que estão moldando a próxima geração da infraestrutura e dos serviços financeiros no Brasil e na América Latina.
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