Levantamento da Certta e da Nexus analisou mais de 60 mil menções e 44 milhões de interações e mostra que o brasileiro ainda procura informação principalmente depois que o golpe já aconteceu
Denunciar, buscar ajuda, tentar recuperar o prejuízo e entender o que aconteceu. Esse ainda é o caminho predominante nas conversas dos brasileiros sobre golpes e fraudes digitais. A prevenção, embora seja justamente a etapa capaz de evitar ou reduzir o impacto de muitos desses crimes, aparece em apenas 11% das menções, quando são excluídos escândalos e casos específicos de grande repercussão.
O dado faz parte do levantamento inédito “Mapa de Narrativas de Confiança Digital”, realizado pela Certta, hub de verificação inteligente, em parceria com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.
Entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026, o estudo analisou mais de 60 mil menções e 44 milhões de interações no Facebook, Instagram e X, além de conversas no Reddit e intenções de busca no Google e no Bing.
O retrato que emerge é o de um debate ainda fortemente reativo. Em vez de procurar primeiro como se proteger, boa parte das pessoas chega ao tema depois que a fraude, a tentativa de fraude ou outro incidente já ocorreu.
Golpe, fraude, banco, vítima e polícia dominam as conversas
Quando os pesquisadores retiram da análise casos de grande repercussão, termos associados à reação ao crime continuam aparecendo com força.
“Banco”, “Polícia” e “Vítima”, por exemplo, representam respectivamente 31%, 23% e 19% das menções nesse recorte, segundo o estudo.
A análise geral das redes sociais também mostra como palavras associadas a fraude, golpe, dados, pessoas, bancos e investigações aparecem entre os termos mais recorrentes.

O volume de conversas mostra que o problema está presente no cotidiano digital, mas não significa necessariamente que as pessoas estejam buscando informação antes de uma tentativa de fraude.
É justamente nesse ponto que o estudo identifica um dos seus principais alertas.
Prevenção representa apenas 11% das conversas
Quando a análise se concentra especificamente em prevenção e exclui casos de grande repercussão, foram identificadas cerca de 4,1 mil menções.
Dentro desse universo, os termos “golpe” e “fraude” aparecem associados a 64% e 42% das menções, respectivamente. Para observar de forma mais clara a linguagem relacionada à prevenção, esses dois termos foram retirados da nuvem de palavras elaborada pelos pesquisadores.
Passam então a ganhar destaque expressões como segurança, pessoa, contato, dados, documento, pagamento, conta, banco e empresa.

O dado ajuda a revelar uma contradição. A preocupação com segurança existe, mas frequentemente aparece apenas quando o usuário já foi exposto ao risco ou percebeu algum comportamento suspeito.
Rodrigo Lattaro, CMO da Certta, afirma que existe uma distância entre aquilo que o usuário percebe e os mecanismos utilizados pelas empresas para impedir uma fraude.
“Enquanto o público ainda enxerga um problema só, por trás da tela operam camadas de tecnologia, silenciosas e invisíveis, criadas justamente para separar o que é ataque técnico do que é engano humano.”
Segundo ele, essas tecnologias podem estar presentes na validação biométrica, na confirmação de troca de dispositivo, em verificações de identidade e em mecanismos de prova de vida, entre outras etapas da jornada digital.
O brasileiro ainda procura saber o que fazer depois de cair em um golpe
As pesquisas realizadas no Google e no Bing reforçam o comportamento reativo identificado nas redes sociais.
Segundo o levantamento, buscas relacionadas a “como denunciar golpe online” superam aquelas voltadas a descobrir como evitar esse tipo de situação. Também aparecem perguntas sobre o que fazer depois de cair em um golpe.
Ao mesmo tempo, há uma procura significativa por conceitos básicos.
Entre as consultas identificadas estão perguntas como “o que é segurança digital”, “quais são os tipos” e “o que é deepfake”.
O levantamento sugere ainda que parte do público não diferencia claramente segurança cibernética de prevenção à fraude.
Os dois campos se relacionam, mas não são sinônimos.
Segurança cibernética envolve a proteção de sistemas, redes, aplicações, dispositivos e dados contra ataques, invasões e acessos não autorizados. Já a prevenção à fraude também precisa considerar identidade, comportamento, contexto da transação, engenharia social e tentativas de manipular uma pessoa legítima para que ela própria autorize uma operação.

Essa diferença se torna cada vez mais importante em um ambiente no qual criminosos podem explorar simultaneamente vulnerabilidades tecnológicas e características humanas, como urgência, medo, confiança ou desconhecimento.
Identidade e dados pessoais aparecem no centro da preocupação
Quando o estudo observa especificamente as conversas sobre prevenção, a proteção da identidade ganha relevância.
Termos relacionados a dados aparecem em 80% das menções desse recorte, enquanto referências a pessoas aparecem em 55%.
O resultado mostra que, quando o debate deixa de se concentrar apenas no golpe consumado e passa a tratar de proteção, a identidade digital e os dados pessoais tornam-se componentes centrais.
Essa relação é especialmente importante porque muitos ataques atuais não dependem necessariamente da quebra direta de um sistema.
Uma fraude pode começar com a obtenção de dados pessoais, seguir com a criação de um perfil falso, passar pela engenharia social e terminar com a própria vítima autorizando uma transferência ou fornecendo uma credencial.
Por isso, mecanismos de autenticação, verificação de identidade, biometria, análise de risco, proteção de credenciais e monitoramento de transações precisam funcionar de forma complementar.
Cada rede revela uma percepção diferente sobre fraude
O estudo também identificou comportamentos distintos entre as plataformas analisadas.
No Instagram, responsável por 78% das interações observadas no levantamento, as conversas dão maior destaque à vulnerabilidade individual e ao uso de identidades ou perfis falsos, inclusive em aplicativos de relacionamento.
No X, plataforma com a maior participação de usuários únicos no estudo, com 43% do total, aparecem com mais força discussões relacionadas à transparência institucional e ao uso do Pix no rastreamento de movimentações consideradas suspeitas.
Já o Facebook, que concentra 36% das menções gerais, reúne debates sobre impactos no sistema financeiro, investigações e cobranças por respostas de instituições.
No Reddit, segurança também gera frustração
As conversas analisadas no Reddit acrescentam outro elemento ao debate: a experiência do usuário diante das próprias ferramentas de segurança.
Foram identificadas 187 menções e 6,4 mil interações, entre upvotes, downvotes e comentários.
Entre os termos recorrentes aparecem palavras como conta, dados, bloqueada, reconhecimento facial, vazamento, banco e CPF.

Parte dessas conversas revela reclamações sobre bloqueios de contas, dificuldades de navegação, falhas em processos de reconhecimento facial e repetição de tentativas de validação.
Esse fenômeno é associado à chamada fricção tecnológica ou fadiga de verificação: quando as barreiras criadas para aumentar a segurança também tornam a experiência excessivamente complexa para o usuário legítimo.
O desafio para empresas e instituições passa, portanto, por encontrar um equilíbrio. É necessário aumentar a capacidade de identificar riscos sem transformar todos os usuários em suspeitos ou impor o mesmo nível de verificação a qualquer operação.
Lattaro defende que a tendência é utilizar cada vez mais informações contextuais e avaliações de risco para determinar quando e como uma pessoa deve ser autenticada.
“É possível otimizar as informações que já temos sobre a pessoa e direcionar o tipo de tecnologia usada a partir do nível de risco, autenticando pessoas reais em segundos, sem comprometer a fluidez da experiência”, afirma.
Prevenção também depende de informação
Tecnologia, porém, não resolve sozinha o problema.
Fraudes digitais exploram sistemas, identidades, dados e, cada vez mais, o comportamento das próprias pessoas. Isso significa que prevenção também exige informação acessível antes que um incidente aconteça.
Saber reconhecer um pedido incomum, desconfiar de urgências artificiais, verificar a origem de uma mensagem, não compartilhar códigos de autenticação, utilizar mecanismos de múltiplos fatores e confirmar solicitações financeiras por outro canal são atitudes que podem interromper diferentes estratégias de ataque.
O dado de que somente 11% das conversas analisadas tratam de prevenção mostra, portanto, uma lacuna que não é apenas tecnológica. É também de comunicação e educação digital.
O papel do Crypto ID na divulgação de vulnerabilidades e incidentes
Esse é também um dos compromissos editoriais do Crypto ID ao publicar informações sobre vulnerabilidades, fraudes, ataques cibernéticos e incidentes de segurança.
A cobertura não busca apenas registrar que determinado ataque aconteceu ou reproduzir seus impactos. Sempre que as informações disponíveis permitem, procuramos explicar qual estratégia foi utilizada pelos criminosos, quais técnicas permitiram o ataque, que vulnerabilidades foram exploradas e, principalmente, quais medidas podem reduzir a possibilidade de repetição do incidente.
Em muitos casos, compreender a lógica de um ataque é tão importante quanto conhecer o incidente.
Identificar se houve phishing, engenharia social, roubo de credenciais, exploração de vulnerabilidade, malware, falsificação de identidade ou manipulação de mecanismos de autenticação ajuda empresas e usuários a transformar uma notícia sobre um problema que já aconteceu em informação útil para prevenção.
A pesquisa da Certta e da Nexus mostra que ainda existe espaço para ampliar essa cultura. Quanto mais informação sobre segurança chegar ao usuário antes do golpe, maior será a possibilidade de transformar prevenção em comportamento cotidiano, e não apenas em aprendizado depois do prejuízo.
Metodologia
A Nexus analisou menções e buscas relacionadas à segurança digital realizadas entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026.
A coleta em Facebook, Instagram e X reuniu mais de 60 mil menções e 44 milhões de interações por meio de técnicas de social listening.
O levantamento incluiu ainda análise de intenção de busca no Google e Bing, utilizando o Answer The Public, além de uma avaliação qualitativa das narrativas publicadas no Reddit.
Sobre a Certta
Fundada em 2019, a Certta atua como um hub de verificação inteligente, reunindo soluções voltadas à verificação de identidades e documentos e à prevenção de fraudes. Segundo a empresa, sua plataforma atende mais de 300 clientes, entre bancos, seguradoras, empresas de delivery, meios de pagamento e fintechs.
A companhia recebeu investimentos da Parallax Ventures e da L4 Venture Builder, fundo ligado à B3.
Sobre a NEXUS
A Nexus é uma empresa da FSB Holding que atua em pesquisa de opinião e inteligência de dados para transformar informações em diagnósticos precisos e relevantes. Aqui, dados ganham significado. A Nexus integra o mais completo ecossistema de gestão de reputação da América Latina e combina a sensibilidade humana à tecnologia, incluindo inteligência artificial.
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