Pesquisa Febraban 2026 mostra que 92% das instituições apontam ganho de velocidade como principal benefício da inteligência artificial
Os bancos brasileiros pretendem investir cerca de R$ 3 bilhões em Inteligência Artificial, Analytics e Big Data neste ano, um aumento de 8% em relação a 2025, proporcionando o aumento da eficiência de suas operações, o uso da inteligência para análise de dados, redução do tempo de resposta para os clientes e melhoria no atendimento, além do aumento na detecção e prevenção a fraudes. Os novos dados constam da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, divulgados hoje (25) no Febraban Tech, principal evento de tecnologia e inovação do setor financeiro, que neste ano tem como tema “Agentes Inteligentes, liderança humana”.
Já os investimentos de migração para Cloud (nuvem) devem chegar a R$ 3,9 bilhões em 2026, com expressivo aumento de 30%. Com isso, os bancos consolidam os alicerces da próxima etapa da evolução tecnológica, permitindo que as instituições ganhem mais inovações em seus produtos e soluções bancárias.
O levantamento foi realizado pela consultoria Deloitte, organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mundo.

O total a ser gasto em IA e soluções de dados compõe o total de R$ 50 bilhões previstos para investimentos em tecnologia pelos bancos em 2026, conforme divulgado em junho na primeira etapa da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária.
Com as tecnologias emergentes ganhando cada vez mais relevância, os bancos também buscam ampliar seus investimentos na formação de competências especializadas e em conteúdos de maior profundidade às diferentes áreas das instituições.
Segundo a pesquisa, R$ 29,4 milhões é o valor previsto para investimentos em treinamento e capacitação de profissionais em Inteligência Artificial e Inteligência Artificial Generativa (GenAI) neste ano, representando um aumento de 31%.
Os dados divulgados mostram também que R$ 100,4 milhões foi o total investido pelos bancos em treinamentos de tecnologia para seus profissionais no último ano e 226,1 mil foi o número de profissionais treinados em tecnologia no setor bancário. Já os treinamentos de tecnologia para os profissionais de TI dos bancos somaram R$ 61,9 milhões.

“Os investimentos dos bancos em IA, Analytics, Big Data e Cloud demonstram o compromisso do setor com inovação, eficiência e segurança. Essas tecnologias aceleram a transformação digital e ampliam o uso inteligente dos dados. Mas o diferencial está nas pessoas: capacitar profissionais é essencial para aplicar essas ferramentas com responsabilidade e gerar valor real para clientes e instituições”, afirma Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária.
De acordo com a pesquisa, 42% dos bancos consultados pretendem ampliar o número de profissionais na área de TI, correspondendo a um crescimento médio de 22%. Em média, 11% dos profissionais dos bancos já são da área de TI.
Ainda segundo o levantamento, os 5 profissionais de tecnologia mais demandados pelas instituições bancárias em 2025 foram: desenvolvedor de software, engenheiro de IA, engenheiro de dados, arquiteto corporativo e engenheiro de DevOps.


Cibersegurança
A relevância da cibersegurança no setor bancário reforça seu papel como prioridade estratégica. De acordo com a pesquisa, 58% das instituições já contam com pelo menos um profissional especialista em cibersegurança no conselho de administração.
E hoje, a colaboração operacional é realidade para a grande maioria das instituições: 88% dos bancos contam com integração consolidada entre as áreas de cibersegurança, prevenção a fraudes e prevenção à lavagem de dinheiro (PLD), atuando de forma conjunta na resposta a incidentes (40%) e no compartilhamento direto de informações entre as equipes (36%).
Os investimentos em segurança também priorizam a proteção ativa ao cliente e à infraestrutura corporativa. Entre as prioridades voltadas aos clientes, destacam-se:
- autenticação multifator (MFA) (88%);
- monitoramento preditivo de transações (76%),
- biometria comportamental (60%)
- uso de IA e Machine Learning na detecção de fraudes (56%)

E o setor também já prepara seus ambientes tecnológicos para a chegada da computação quântica: 71% dos bancos consideram que a tecnologia será de alta relevância no curto ou médio prazo, tendo como tema prioritário a criptografia e a segurança pós-quântica.
“A cibersegurança é um eixo central e prioritário da agenda tecnológica dos bancos e avança de forma integrada às estratégias de prevenção a fraudes e proteção dos clientes. A presença de especialistas no conselho de administração, a atuação conjunta entre áreas críticas e o uso de tecnologias como autenticação multifator, biometria comportamental, inteligência artificial e monitoramento preditivo mostram que o setor está preparado para responder a ameaças cada vez mais sofisticadas e para fortalecer a confiança no ambiente digital”, afirma Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban.
Inteligência Artificial e IA Generativa
A inteligência artificial e os agentes de IA generativa começam a ampliar seu escopo de atuação no setor bancário, expandindo-se das atividades operacionais para funções diretamente conectadas à geração de valor e ao relacionamento com o cliente.
Os dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 mostram que as instituições financeiras já reconhecem benefícios relevantes associados à adoção da IA:
- 92% dos bancos apontam o aumento da velocidade na execução de tarefas rotineiras como o principal valor percebido da aplicação da tecnologia;
- 52% destacam benefícios como redução do tempo de resposta aos clientes, redução de custos e maior eficiência na análise de dados;
- 48% identificam ganhos na detecção e prevenção de fraudes.

No campo dos agentes inteligentes de IA, as principais aplicações mapeadas estão concentradas em:
- automação de processos internos (76%),
- atendimento ao cliente via chatbots e voicebots (71%),
- geração de relatórios e documentos (71%),
- geração de conteúdos de marketing (53%)
- suporte a equipes e assistentes virtuais para colaboradores (53%).

Mais resultados
- 70% dos bancos já têm ou estão desenvolvendo estratégias de requalificação profissional
- 84% das instituições utilizam IA e GenAI em infraestruturas de TI
- 33% dos bancos oferecem a funcionalidade de gestão/agregador financeiro. Em 2025, o número de usuários dessa funcionalidade avançou 31%, alcançando 2,15 milhões de clientes
- Para 92% dos bancos consultados, o Open Finance é uma oportunidade para se obter acesso a dados financeiros; aprimorar campanhas direcionadas aos clientes (85%) e ser mais competitivo nas ofertas (69%)
- Em 2025, cerca de 24 milhões de clientes realizaram transações nos marketplaces dos bancos, movimentando um volume médio de vendas efetivadas de quase R$ 20 milhões
- 91% dos bancos oferecem pelo menos uma cotação de seguro em canais digitais; no ano anterior, esse percentual era de 71%
“Os resultados da pesquisa mostram que o setor bancário brasileiro entra em uma nova fase da transformação digital, marcada pela convergência entre Data & AI, GenAI, Cloud e Cyber. Esses investimentos promovem ganhos de eficiência operacional e o fortalecimento da resiliência das instituições, criando as bases para novas formas de relacionamento, personalização e geração de valor para os clientes. O desafio agora não é apenas adotar novas tecnologias, mas integrá-las à estratégia de negócios para acelerar a captura de valor, ampliar a capacidade de inovação e viabilizar novos modelos de crescimento sustentável”, afirma Sergio Biagini, sócio-líder de Banking & Capital Markets da Deloitte.
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