Entenda como proteger dados e identidades no Open Finance com segurança criptográfica, infraestrutura confiável, IA híbrida e tecnologias da Lenovo
A segurança de dados e identidades ganhou ainda mais importância com a expansão do Open Finance e o avanço da inteligência artificial. Em um cenário no qual informações financeiras sensíveis circulam por diferentes camadas de infraestrutura, proteger apenas aplicações e sistemas operacionais já não é suficiente: a segurança precisa começar no próprio hardware.

No ID Talk, a Regina Tupinambá, do Crypto ID, conversa com Devanir Teixeira, Business Development Manager Latam da Lenovo, sobre os desafios e as estratégias para construir uma infraestrutura confiável, desde o firmware e os servidores até a proteção de chaves criptográficas e dados utilizados por aplicações de IA.
Ao longo da entrevista, Devanir explica como tecnologias como Hardware Root of Trust, TPM, Secure Boot, HSM, Computação Confidencial e Self-Encrypting Drives (SEDs) contribuem para uma arquitetura de segurança mais robusta.
A conversa também aborda cadeia de suprimentos, gestão de identidades privilegiadas, auditoria, IA híbrida e os critérios que instituições financeiras devem considerar ao definir quais cargas manter em ambientes próprios, privados ou na nuvem.
Leia entrevista completa!
Crypto ID: Onde começa a segurança criptográfica de uma infraestrutura financeira? Em ambientes de Open Finance, grande parte da discussão se concentra em APIs, certificados digitais, autenticação e criptografia das comunicações. Do ponto de vista da Lenovo, quais controles precisam estar ancorados no próprio servidor, abaixo do sistema operacional, para que uma instituição possa estabelecer uma cadeia de confiança desde o hardware até a aplicação? Onde entram recursos como hardware Root of Trust, TPM e Secure Boot nessa arquitetura?
A segurança criptográfica de uma infraestrutura financeira não se inicia na camada de software, nos certificados de API ou no protocolo TLS, mas sim no próprio silício. No cenário do Open Finance, se a plataforma situada abaixo do sistema operacional ou do hypervisor for comprometida por um malware direcionado ao firmware, como um rootkit ou bootkit, todos os controles lógicos superiores tornam-se ineficazes.
A Lenovo ancora a segurança dos seus servidores em um Hardware Root of Trust dedicado e em mecanismos de Resiliência de Firmware em conformidade com a norma NIST SP 800-193. Esse microcontrolador atua como o primeiro código executado após a energização da máquina, sendo responsável por validar a assinatura criptográfica imutável do UEFI, do controlador de gerenciamento fora-de-banda e das placas de rede antes de liberar a inicialização do equipamento.
Essa fundação de hardware é estendida pela atuação conjunta do chip TPM 2.0 e do UEFI Secure Boot, criando uma cadeia de confiança ininterrupta até a aplicação. Durante a inicialização medida, o TPM calcula hashes criptográficos das etapas do boot e os armazena nos Registradores de Configuração da Plataforma. Se houver qualquer divergência em relação ao perfil de integridade esperado, o TPM se recusa a selar ou liberar as chaves de criptografia e identidades associadas. O UEFI Secure Boot complementa esse ciclo garantindo que apenas bootloaders, drivers e kernels devidamente assinados por autoridades confiáveis possam ser carregados. Dessa forma, a aplicação do Open Finance executa sobre um ambiente cuja integridade física e de código é comprovada desde o primeiro ciclo de energia.
Crypto ID: A proteção criptográfica depende tanto do algoritmo quanto da custódia das chaves. Como essa custódia deve ser arquitetada em ambientes bancários? Quando falamos em servidores que processam identidades, certificados e informações financeiras sensíveis, quais funções devem permanecer no TPM, quais devem ser entregues a um HSM ou sistema externo de gerenciamento de chaves e quais podem ser administradas por software? Como impedir que administradores do servidor, operadores de infraestrutura ou uma credencial privilegiada comprometida obtenham acesso às chaves em claro?
A custódia de chaves em ambientes bancários regulados deve seguir princípios rigorosos de segregação de funções para impedir que operadores de infraestrutura ou administradores de sistema obtenham acesso a credenciais em texto claro. Na arquitetura recomendada pela Lenovo, o TPM 2.0 do servidor deve ser reservado exclusivamente para a guarda da identidade do hardware e da chave de integridade da plataforma.
Por outro lado, as chaves mestras da instituição, os certificados de assinatura do Open Finance, os certificados mTLS e as autoridades certificadoras precisam permanecer custodiados em Módulos de Segurança em Hardware (HSMs) dedicados, com certificação FIPS 140-2 ou 140-3 Nível 3, ou em gerenciadores de chaves corporativos integrados via protocolo KMIP. O processamento por software deve ser restrito ao manuseio de chaves efêmeras de sessão.
Para mitigar os riscos associados a credenciais privilegiadas comprometidas ou a invasões no nível do sistema operacional, a Lenovo adota a tecnologia de Computação Confidencial. Por meio de enclaves de memória isolados e criptografados diretamente pelo processador, como Intel SGX, Intel TDX e AMD SEV-SNP, os dados e as chaves em uso permanecem inacessíveis para o hypervisor, para o sistema operacional e para usuários com privilégios de administrador. Essa abordagem garante que, mesmo que um invasor obtenha controle sobre o sistema operacional do servidor, ele não consiga inspecionar a memória RAM para extrair as chaves criptográficas em claro, preservando a custódia dos segredos do ecossistema financeiro.
Crypto ID: Como uma instituição pode verificar que o servidor iniciou exatamente com o firmware e os componentes que deveriam estar ali? A Lenovo trabalha com mecanismos como Secure Boot, hardware Root of Trust e System Guard. Na prática, como esses recursos se complementam para detectar adulterações em UEFI, firmware, controladores ou componentes físicos? Existe capacidade de bloquear a inicialização, recuperar uma imagem confiável e gerar evidências que possam ser incorporadas às trilhas de auditoria da instituição?
A verificação contínua da integridade de inicialização é executada de forma automatizada pela interação entre o mecanismo de Resiliência de Firmware NIST SP 800-193, o chip TPM 2.0 e o recurso Lenovo System Guard. Durante a energização do servidor, o Hardware Root of Trust valida os blocos de código do UEFI e dos periféricos contra chaves criptográficas gravadas de fábrica em memórias protegidas contra gravação.
Simultaneamente, o Lenovo System Guard executa a atestação de componentes físicos, verificando a assinatura eletrônica e os números de série dos processadores, módulos de memória RAM, placas de rede e unidades de armazenamento. Caso seja detectada qualquer adulteração de firmware ou alteração não autorizada na composição do hardware, o processo de boot é interrompido imediatamente.
A arquitetura de segurança da Lenovo oferece ainda capacidade de auto-recuperação e geração de evidências imutáveis para auditoria. Em caso de corrupção ou injeção maliciosa de código, o mecanismo de resiliência substitui automaticamente o firmware afetado por uma imagem confiável armazenada em um chip isolado na placa-mãe.
Todo o evento de discrepância ou tentativa de violação é registrado pelo controlador fora-de-banda XClarity Controller, que opera em uma rede logicamente separada. O XCC gera alertas assinados criptograficamente com marcação temporal e os envia via Syslog criptografado ou API Redfish para o SIEM corporativo da instituição, produzindo relatórios de compliance juridicamente válidos perante os órgãos reguladores.
Crypto ID: Unidades com criptografia automática protegem os dados em repouso, mas até que ponto um SED resolve o problema sozinho? Em uma arquitetura com Self-Encrypting Drives, como são protegidas as chaves que liberam o acesso às unidades? Que papel têm o gerenciamento externo de chaves, KMIP e os mecanismos de autenticação do servidor? Para uma instituição financeira, quais cuidados devem ser considerados em situações como troca de placa, substituição de disco, manutenção, descarte do equipamento ou indisponibilidade do gerenciador de chaves? E quais certificações criptográficas estão disponíveis hoje no portfólio Lenovo para esses cenários?
Embora as unidades com criptografia automática (SEDs) realizem o isolamento dos dados no nível de hardware sem gerar impacto no desempenho do processador, um SED isolado não resolve o problema de segurança se for operado com autenticação local estática. Sem a integração a um gerenciador externo, a unidade liberará o acesso às chaves de descriptografia automaticamente na energização do equipamento, permitindo que qualquer pessoa com acesso físico ao servidor consiga ler as informações. Para prover proteção efetiva em ambientes de Open Finance, os SEDs dos servidores Lenovo devem ser integrados a um Servidor de Gerenciamento de Chaves Enterprise via protocolo KMIP, exigindo que o servidor se autentique na rede para receber a chave necessária para o desbloqueio dos volumes a cada boot.
Essa abordagem estruturada simplifica a gestão do ciclo de vida dos equipamentos no data center sem expor os dados da instituição. Em situações de manutenção ou substituição da placa-mãe, o novo controlador reautentica-se perante o gerenciador centralizado por meio dos certificados do XClarity, restabelecendo o acesso aos discos sem perda de dados.
No descarte ou substituição de unidades de armazenamento, a Lenovo disponibiliza a eliminação criptográfica instantânea (ISE), que altera e destrói a chave mestra do disco em segundos, tornando todo o conteúdo armazenado irrecuperável sem a necessidade de destruição física. O portfólio de armazenamento da Lenovo conta com certificações rigorosas, incluindo FIPS 140-2 e FIPS 140-3 Níveis 2 e 3, certificação Common Criteria EAL4+ e conformidade total com os padrões do Trusted Computing Group.
Crypto ID: Identidades gerenciadas da própria infraestrutura podem se tornar um dos pontos mais críticos do ambiente. Como protegê-las? Que mecanismos os servidores e as ferramentas de gerenciamento da Lenovo oferecem para autenticação multifator, segregação de funções, controle de acesso baseado em papéis e registro das ações administrativas? Como o XClarity e os controladores dos servidores podem ser integrados a soluções corporativas de gestão de identidade, acesso privilegiado e ciclo de vida de certificados?
As identidades que gerenciam a infraestrutura física e os controladores de gerenciamento fora-de-banda representam vetores de ataque críticos, pois operam abaixo da camada de proteção dos sistemas operacionais. A Lenovo blinda essas identidades aplicando o conceito de Zero Trust às interfaces do XClarity Controller e do XClarity Administrator.
O acesso às ferramentas de gestão exige a utilização de Autenticação Multi-Fator (MFA) e integração com provedores corporativos de identidade via SAML 2.0, OAuth 2.0, LDAP e certificados digitais X.509. O controle de acesso é estruturado estritamente em funções (RBAC), assegurando a segregação de tarefas entre operadores de hardware, administradores de segurança e auditores do sistema.
Para eliminar o risco de credenciais administrativas estáticas gravadas localmente, a infraestrutura da Lenovo se integra nativamente a plataformas de Gerenciamento de Acesso Privilegiado (PAM), como CyberArk e BeyondTrust, por meio de APIs RESTful padronizadas pelo protocolo Redfish. Essa integração permite que a solução de PAM realize o rotacionamento automático das senhas do XCC a cada utilização, sem qualquer intervenção humana. Todas as ações operacionais, como atualizações de firmware ou acessos ao console remoto, são registradas em trilhas de auditoria assinadas criptograficamente e enviadas em tempo real ao SIEM da instituição, enquanto as portas físicas de serviço local podem ser permanentemente desabilitadas via UEFI.
Crypto ID: Ataques à cadeia de suprimentos deslocaram parte da discussão de segurança para antes mesmo de o equipamento chegar ao data center. Como comprovar a integridade do servidor adquirido? Que mecanismos permitem ao cliente verificar a procedência e a integridade de componentes, firmware e atualizações ao longo do ciclo de vida do equipamento? No caso do System Guard, por exemplo, o que efetivamente é monitorado e o que acontece quando uma CPU, memória, unidade ou outro componente crítico é substituído sem autorização?
A comprovação da integridade de um servidor antes de sua implantação no data center tornou-se um requisito crítico de gestão de riscos cibernéticos na infraestrutura financeira. A Lenovo responde a esse desafio por meio do programa Trusted Supply Chain e das capacidades de atestação física do recurso System Guard. Os processos fabris e logísticos da Lenovo possuem certificação internacional ISO 28000 para segurança na cadeia de suprimentos, operando com fornecedores auditados e lacres de proteção. Antes do envio do equipamento, é gerado um manifesto digital assinado criptograficamente contendo a impressão digital exata de cada componente do servidor.
Quando o equipamento é recebido no data center do cliente e conectado à energia pela primeira vez, o Lenovo System Guard realiza a atestação de componentes, comparando a composição física real do servidor com o manifesto de fábrica. O sistema valida os números de série e as identificações eletrônicas do processador, dos módulos de memória RAM, das placas de rede e dos discos. Se for constatado que uma placa ou componente foi alterado, substituído ou adicionado sem autorização criptográfica durante o transporte, a inicialização do sistema operacional é bloqueada imediatamente, e o XClarity Controller envia um alerta crítico para a equipe de segurança, fornecendo evidências irrefutáveis de que a cadeia de custódia foi violada.
Crypto ID: A Lenovo defende uma estratégia de IA híbrida, com cargas podendo ser executadas próximas aos dados. O que isso muda, de fato, na proteção de identidades e informações financeiras? Manter determinados modelos, dados ou processos de inferência em infraestrutura privada pode aumentar o controle, mas não elimina riscos. Como a Lenovo protege dados em repouso, em trânsito e, principalmente, durante o processamento dessas cargas? Que controles evitam que dados sensíveis utilizados por aplicações de IA sejam expostos por camadas de gerenciamento, telemetria, administradores, GPUs ou integrações com serviços externos?
Conforme demonstrado pelo Lenovo CIO Playbook, o setor financeiro lidera a adoção mundial de Inteligência Artificial com 69% das instituições implementando soluções, enquanto 62% das empresas globais priorizam arquiteturas híbridas de nuvem. A estratégia de IA Híbrida defendida pela Lenovo permite que modelos voltados para detecção de fraudes, scoragem de crédito e autorização de transações no Open Finance executem próximos à origem dos dados. Essa abordagem elimina os custos e a latência de transferência massiva de dados para nuvens públicas, garantindo que informações financeiras confidenciais permaneçam dentro do domínio de segurança e governança da instituição.
A proteção das informações ao longo do pipeline de IA híbrida é assegurada nos três estados do dado. Em repouso, bases de dados e modelos residem em volumes criptografados por discos SEDs geridos via KMIP; em trânsito, as comunicações entre nós de inferência e clusters de computação utilizam mTLS 1.3 e criptografia PCIe no barramento físico. O avanço mais importante ocorre no dado em uso, onde a Lenovo adota tecnologias de IA Confidencial em CPUs e GPUs.
Os dados de consulta e os pesos dos modelos são descriptografados exclusivamente dentro de enclaves isolados de hardware, permanecendo invisíveis para o sistema operacional e administradores. Além disso, os barramentos de gerenciamento e telemetria funcionam em canais físicos separados, impedindo a coleta indevida de payloads de IA.
Crypto ID: Se o Banco Central permite a contratação de serviços de computação em nuvem inclusive no exterior, qual é o argumento técnico para manter determinadas cargas críticas em infraestrutura própria ou híbrida? Em vez de tratar nuvem pública e infraestrutura local como uma escolha binária, quais critérios uma instituição financeira deveria utilizar para decidir onde processar identidades, chaves criptográficas e dados sensíveis? Controle sobre as chaves, superfície de ataque, auditabilidade, soberania dos dados, latência, isolamento e capacidade de resposta a incidentes deveriam ter pesos diferentes conforme a carga? Que arquitetura a Lenovo recomendaria hoje para esse tipo de ambiente?
A autorização regulatória do Banco Central para computação em nuvem impõe responsabilidade integral às instituições financeiras sobre a governança, a segurança e a rastreabilidade das operações. A fundamentação técnica para manter cargas críticas de Open Finance e gestão de identidades em infraestrutura própria ou híbrida reside na necessidade de manter custódia criptográfica soberana, latência determinística e capacidade de auditoria forense.
Na infraestrutura própria, as chaves mestras e os HSMs permanecem sob jurisdição física e legal direta do banco, protegidos contra legislações estrangeiras que afetam provedores internacionais. Além disso, a nuvem privada local entrega latência de processamento sub-milenar para motores de decisão em tempo real e fornece evidências de auditoria ancoradas diretamente no hardware.
Diante desses requisitos, a Lenovo recomenda a implementação de uma Arquitetura Híbrida de Confiança Zero. Nesse modelo, a nuvem pública é utilizada para a camada de borda e consumo de APIs públicas, aproveitando sua capacidade de absorver picos de tráfego. O núcleo de processamento sensível, contendo os cofres de identidades, os HSMs e os motores de IA confidencial, é mantido em uma nuvem privada estruturada sobre servidores Lenovo ThinkSystem. Essa arquitetura garante o controle absoluto exigido pelas Resoluções CMN nº 4.893 e BCB nº 85, permitindo que a infraestrutura seja consumida sob demanda por meio do modelo Lenovo TruScale com a mesma flexibilidade financeira da nuvem pública.
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