Energia, custos, regulação e conectividade ganham peso na expansão dos data centers na América Latina, impulsionada pela IA
A expansão dos data centers na América Latina ganhou velocidade com o avanço da inteligência artificial e da computação em nuvem, mas a disponibilidade de energia passou a ter peso crescente nas decisões sobre a localização de novos empreendimentos. Brasil, México, Chile e Colômbia ampliam sua infraestrutura digital e disputam investimentos, enquanto capacidade elétrica, custos, regulação e conectividade influenciam o ritmo dos projetos.
Segundo o Global Data Center Trends 2026, da CBRE, a capacidade instalada nos quatro maiores mercados latino-americanos, São Paulo, Querétaro, Santiago e Bogotá, chegou a 1.045 MW no primeiro trimestre de 2026, alta de 41,3% em relação ao mesmo período de 2025. São Paulo lidera o grupo, com 536,7 MW.
No Brasil, o crescimento deve atingir um novo patamar este ano. O relatório Data Center Brasil 2026, da JLL, aponta 106 MW de nova capacidade no primeiro semestre e outros 134 MW previstos até dezembro, o que representa aproximadamente US$ 8 bilhões em investimentos. A consultoria estima ainda que o mercado brasileiro dobre de tamanho até 2030.
Transformar os projetos em capacidade efetivamente disponível, porém, exige mais do que investimentos. A energia precisa estar disponível na quantidade, no local e no prazo necessários para sustentar operações de grande porte e alta disponibilidade. Conexão à rede, estabilidade do fornecimento, custos e alternativas de geração também influenciam a expansão do setor.
A questão ganhou um novo componente com a aprovação, pelo Senado, em 1º de setembro, do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). O projeto prevê incentivos para equipamentos destinados à instalação e ampliação de data centers e estabelece contrapartidas relacionadas ao uso de fontes renováveis ou de baixa emissão, além de critérios de sustentabilidade e eficiência hídrica.
A relação entre investimentos, expansão regional e energia estará entre os temas do Data Center World Brasil 2026, de 6 a 8 de outubro, no São Paulo Expo. Dois debates abordarão as condições dos mercados latino-americanos para receber novos data centers e os desafios energéticos para sustentar esse crescimento.
No dia 6 de outubro, às 11h30, a mesa-redonda “Energia como gargalo estrutural: disponibilidade, intermitência e viabilidade real” discutirá disponibilidade e estabilidade do fornecimento, armazenamento por baterias, geração dedicada, contratos de compra de energia e alternativas para ampliar a segurança energética dos data centers.
Participam Mauricio Godoi, editor-chefe do CanalEnergia; Regis Ataides, vice-presidente de Automação e Digitalização da ANDRITZ Feed & Biofuel e vice-presidente de Metris Technology; Claudia Marquesani, CIO da Copa Energia; Ricardo Borges, CEO da EGF, Empresa de Geração Fotovoltaica; e Carlos Barreto, CTO da ARPX Brasil e CERNE.
No dia 7 de outubro, às 16h30, o Latam Leaders Panel, “Data centers na América Latina: investimento, expansão e decisões de arquitetura”, analisará as diferenças entre Brasil, México, Chile e Colômbia. Energia, regulação, custos, conectividade e estratégias de expansão estarão entre os temas.
O debate reunirá Alex Sasaki, vice-presidente da Vertiv para a América Latina; Rodrigo Radaieski, COO da Ascenty; Carolina Cortés Castillo, CEO da ICREA; Juan Pablo Cosp, diretor-geral de Infraestrutura e Conectividade do Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação do Paraguai; e Gilson Granzier, CEO da Mendes Holler Engenharia.
A pressão sobre a infraestrutura elétrica tende a crescer com o avanço da inteligência artificial. Servidores dedicados a essas aplicações concentram maior capacidade de processamento e elevam as exigências sobre energia, refrigeração e continuidade operacional.
Segundo o Annual Outage Analysis 2026, do Uptime Institute, 57% dos operadores afirmaram que sua interrupção recente de maior impacto provocou prejuízos superiores a US$ 100 mil, enquanto um em cada cinco registrou perdas acima de US$ 1 milhão. Falhas nos sistemas de energia estão entre as principais causas das ocorrências mais graves.

“A inteligência artificial acelerou a demanda por data centers, mas não basta ter projetos e investimentos. É preciso ter energia, conectividade e segurança para colocar essa infraestrutura de pé e mantê-la em operação. A América Latina tem espaço para crescer, e o desafio é preparar a infraestrutura para acompanhar esse avanço”, afirma Leonardo Benedicto, diretor do Data Center World Brasil.
A primeira edição do Data Center World Brasil será realizada de 6 a 8 de outubro, no São Paulo Expo, simultaneamente ao Futurecom.
O evento reunirá operadores, provedores de infraestrutura, fornecedores de tecnologia e especialistas para discutir os desafios técnicos, energéticos e estratégicos do setor.
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