Em ID Talk do Crypto ID, durante o HIS, Rafael Lucchesi, da Synolo e Daniela Bulka, da TechMag, explicam por que a impressão digital do recém-nascido é o ponto de partida para a rastreabilidade do paciente e o que muda com um leitor certificado pelo NIST e FBI para todas as idades
Garantir que o paciente atendido hoje seja exatamente o mesmo registrado ontem pode parecer trivial, mas é um dos maiores desafios operacionais dos hospitais brasileiros. A dificuldade começa cedo, no berçário. Historicamente, o recém-nascido sempre foi o gargalo da identificação civil e hospitalar: mãos minúsculas, pele ainda em formação e feições que mudam em semanas frustram as tecnologias biométricas pensadas para adultos.
Foi esse o tema do ID TALK que o Crypto ID gravou no Healthcare Innovation Show (HIS) 2026, no São Paulo Expo, com Rafael Cury Lucchesi, Business Developer Manager da Synolo Biometrics, e Daniela Bulka, Co-Founder e CEO at TechMag. A entrevista está disponível no canal do Crypto ID no YouTube e pode ser assistida no link a seguir.
Uma plataforma que acompanha a vida inteira

A proposta apresentada pelas duas empresas na feira é uma jornada biométrica integrada, que começa na maternidade e se estende até a vida adulta, sem trocar de identidade no caminho.
“Nosso posicionamento é trazer toda a plataforma de orquestração da identificação biométrica desde o nascimento até a vida adulta. O propósito da Synolo começa em identificar o recém-nascido na maternidade, fazendo a vinculação com os responsáveis e a mãe. Mas esse dado, essa identidade, precisa ser útil ao longo da vida, nas esteiras e nos fluxos que a gente tem dentro da área da saúde”, explica Lucchesi.

É nesse ponto que entra a TechMag, integradora que incorporou a Synolo ao seu portfólio há cerca de três anos. Segundo Daniela Bulka, a escolha foi deliberada: “A gente escolheu uma empresa que consiga trazer para nós a jornada desde o recém-nascido, inclusive a fase infantil. A Synolo entra com essa história e, no decorrer da vida, a autenticação passa a ser feita pelo celular, com a tecnologia da Tech5. Integrando tudo isso, você tem a biometria com as diferentes modificações ao longo da vida, sempre do mesmo indivíduo. A jornada completa, do início ao fim.”
Na prática, a divisão é clara: para recém-nascidos e crianças, a captura é feita com o leitor dedicado da Synolo; para adultos, a verificação pode acontecer diretamente no smartphone. O objetivo, resume Bulka, é que a jornada “comece na maternidade e vá até o fim”.
Por que impressão digital, e não face
A pergunta mais frequente sobre biometria infantil é por que não usar reconhecimento facial ou a câmera do celular, amplamente adotados para adultos. A resposta da Synolo vem da pesquisa: a empresa tem mais de três artigos científicos publicados e revisados por pares sobre o tema.
“A pergunta principal foi qual biometria a gente pode usar para identificar um recém-nascido. Ficou claro que, além de a impressão digital ser a mais confiável ao longo do tempo, as outras se provavam pouco interoperáveis ou muito difíceis de manter uma correspondência a longo prazo. A face é uma delas: no recém-nascido, as estruturas faciais, que são os pontos que todo algoritmo olha, mudam muito rápido. Um bebê capturado no dia 1, depois de duas semanas ou alguns meses, pode não dar correspondência”, afirma Lucchesi.
Pelo mesmo motivo, íris, orelha, palma e planta do pé foram descartadas. Restou a impressão digital, e um desafio de engenharia. As digitais de um recém-nascido são até quatro vezes menores que as de um adulto, o que exige uma resolução que, segundo o executivo, “o celular hoje não consegue alcançar”. Daí a decisão de desenvolver um hardware próprio, com captura sem contato, para eliminar as distorções típicas dos leitores de prisma e obter “o maior índice de correspondência possível” entre a imagem do dia zero e a de anos depois.
Integridade do dado: sem “alucinação” de algoritmo
Algumas soluções de mercado tentam contornar a dificuldade de captura infantil combinando fotos de celular com inteligência artificial generativa, que “reconstrói” as cristas que a lente não registrou. Para Luchesi, o risco é sério quando o dado vai para um prontuário ou registro civil.
“Se você vê a imagem original que esse tipo de leitor produz, mesmo em alta resolução, é quase um borrão. Então se acaba usando IA e machine learning para melhorar cristas e vales. Mas isso depende muito de dados de treino, e em produção você tem chances de alucinação: uma caixa-preta em que você não vê se o algoritmo está mudando uma crista para um vale, ou um verticilo para outro tipo de minúcia. Isso quebra o que se chama de cadeia de custódia”, diz.
A abordagem da Synolo, ao contrário, privilegia uma captura física de alta fidelidade, dentro dos padrões NIST e FBI, com um pipeline que permite explicar cada etapa — da saída da imagem do scanner até a entrada num sistema AFIS.
Um leitor certificado pelo FBI, para todas as idades
O leitor modular da Synolo obteve recentemente duas certificações do FBI: uma para captura sem contato, voltada a bebês e crianças, e outra para captura com contato, usada em adultos. Além disso, recebeu uma qualificação do NIST para captura sem contato — que, segundo Luchesi, “responde àquela grande pergunta: a captura sem contato, que faz uma foto, vai ser igual à que eu tirar com prisma ou com tinta?”
Para quem está na linha de frente da implantação, a consequência é direta. “A gente consegue ter um único produto certificado, o que dá mais assertividade no processo do começo ao fim. Não precisamos trocar de produto, trocar de hardware, nada. A gente usa o mesmo leitor do começo ao fim, e a certificação traz isso para o cliente entender que está com um produto robusto”, destaca Bulka. “Eu vou ler a mãe da criança, daqui a dez anos vou ler a criança, ou a mãe da mãe da criança — o mesmo leitor certificado.”
Parceria de “chave de ouro”
Ao encerrar a conversa, os dois executivos reforçaram o alcance da solução, que já atende governos e instituições públicas e agora avança sobre hospitais, clínicas e seguradoras privadas. “A Synolo está pronta para oferecer um pacote de soluções de verificação e identificação biométrica ao longo da vida, a vida inteira”, afirmou Luchesi.
Bulka foi na mesma direção: “A Synolo completa e fecha o portfólio da TechMag com chave de ouro. Temos outros parceiros com quem oferecemos a jornada completa, mas ter um parceiro com um produto com tanta dedicação complementa e ajuda a gente a entregar ao cliente um portfólio completo.”
A entrevista completa, com a demonstração do leitor, está no vídeo acima.
Sobre Synolo Biometrics

A Synolo® Biometrics, fundada em 2021, é uma empresa de tecnologia dedicada à identificação biométrica ao longo de toda a vida — começando no nascimento — com foco na captura sem contato de impressões digitais de recém-nascidos, crianças e adultos. Seu principal produto, o Synolo® Neo, oferece captura de altíssima definição e operação dual-mode (sem contato e por contato), validada por certificação do FBI, o que reforça a qualidade de imagem e a pronta integração com programas de identidade. As soluções da Synolo estão disponíveis no Brasil por meio dos seus parceiros nacionais Golden, Montreal e TechMag.
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