Especialista aponta como o dimensionamento adequado da nuvem e a governança financeira de TI podem reduzir redundâncias, controlar custos e otimizar a capacidade computacional
Com o terceiro trimestre de 2026 chegando ao fim, gestores de empresas entram na reta final do ano sob pressão por eficiência operacional e controle orçamentário. Nesse cenário, a multiplicidade de sistemas e ferramentas de tecnologia aparece como um dos pontos que podem elevar os custos de TI.
A evolução tecnológica das empresas nem sempre depende da adoção de novas plataformas, ferramentas e serviços. Em determinados casos, a simplificação da arquitetura existente, com a eliminação de redundâncias e o uso mais adequado dos recursos, pode contribuir para a redução de despesas.
Projetos de unificação de infraestruturas abrangem diferentes frentes, como a centralização de acessos por meio de Single Sign-On (SSO) e Role-Based Access Control (RBAC), a consolidação de ambientes em nuvem e a adoção de arquiteturas Cloud-Native. Segundo as informações apresentadas pelo especialista, essas iniciativas têm proporcionado uma redução contínua de 15% a 20% nos custos operacionais de TI e na infraestrutura AWS.
Segundo dados recentes da consultoria Gartner, o custo com infraestrutura e serviços de nuvem representa hoje cerca de 45% do orçamento total de TI nas empresas, enquanto a otimização de recursos e a eliminação de redundâncias despontaram como a principal prioridade para 84% dos CEOs mundialmente.
Ainda de acordo com estimativas do setor citadas no material, a descontinuação de ferramentas ociosas e o dimensionamento adequado dos recursos em nuvem podem gerar economias de 30% a 50% em licenças e capacidade computacional não utilizadas, segundo a mesma consultoria.
A consolidação de ambientes tecnológicos também pode afetar os processos de desenvolvimento e entrega. A redução da fragmentação de acessos e a simplificação das arquiteturas de dados e software podem diminuir o tempo necessário para o lançamento de novos produtos e serviços digitais, além de relatórios regulatórios.
Arquitetura e complexidade
Para Paulo Cesar Camargo, Engenheiro de Software Sênior e Arquiteto de Nuvem AWS, com mais de 20 anos de experiência em sistemas de grande escala e no setor financeiro, a reengenharia de componentes legados para soluções modernas e integradas é um elemento importante para a competitividade das empresas.
“Complexidade arquitetural também é uma forma de custo. Nem sempre o caminho para ganhar eficiência é adicionar uma nova tecnologia; muitas vezes, o resultado está em padronizar o que pode ser compartilhado, distribuir responsabilidades de forma adequada e processar apenas aquilo que realmente precisa ser processado. Quando uma grande organização opera com ecossistemas legados e fragmentados, ela paga duas vezes: nas licenças e no custo de infraestrutura duplicada, e na perda de agilidade das equipes“, destaca Camargo.
Segundo o especialista, a unificação deve envolver desde a arquitetura de dados até a governança financeira de TI, conhecida como FinOps.
Durante sua trajetória no setor editorial, com atuação na Editora Abril, Camargo liderou a implementação de serviços unificados de autenticação e autorização (RBAC/SSO), com o objetivo de padronizar a segurança e a experiência de login de milhões de usuários em dezenas de portais e evitar a duplicação de acessos.
Mais recentemente, em grandes instituições financeiras, atuou na modernização de sistemas legados para arquiteturas Cloud-Native, utilizando Serverless/AWS, e na implementação de Data Mesh. Segundo as informações apresentadas, essas iniciativas reduziram em até 40% o tempo de entrega de novos produtos de dados.
FinOps desde a arquitetura
Camargo também destaca que a gestão dos custos de tecnologia precisa ser considerada desde a concepção dos projetos, e não apenas quando os gastos são contabilizados.
“FinOps não deveria começar quando a fatura da nuvem chega. Ele começa muito antes, nas decisões de arquitetura. Escolhas fundamentais, como estratégias de processamento, particionamento de dados, uso de formatos colunares e computação incremental, têm impacto direto sobre o volume de recursos consumidos. Do ponto de vista de dados, modelos como o Data Mesh descentralizam a responsabilidade mantendo diretrizes firmes de governança e segurança, democratizando o consumo pelas áreas de negócio sem inflar a conta de TI“, complementa o engenheiro.
Nesse contexto, a discussão sobre eficiência orçamentária passa pela forma como as empresas estruturam seus ambientes tecnológicos e definem a utilização de recursos computacionais. A consolidação de plataformas pode reduzir sobreposições e permitir que os investimentos sejam direcionados às necessidades efetivas das operações.
“Simplificar não significa reduzir a capacidade do sistema. Significa eliminar a complexidade que não gera valor“, conclui Paulo Camargo, Engenheiro de Software Sênior.
Sobre o Especialista
Paulo Cesar Camargo é Engenheiro de Software Sênior e Arquiteto de Dados e Nuvem AWS com mais de 20 anos de experiência em ambientes de alta escala e missão crítica, especialmente no setor financeiro. Graduado em Gestão de Sistemas de Informação (Anhanguera) e pós-graduado em Ciência de Dados e Analytics (FIAP), possui sólida atuação na implementação de arquiteturas Data Mesh, modernização de sistemas legados para soluções Cloud-Native/Serverless e otimização de custos operacionais em nuvem. Residindo no Brasil, atua no desenvolvimento e arquitetura de sistemas distribuídos de alta complexidade com Python, PySpark, Java e ecossistema AWS, além de aplicar soluções de Inteligência Artificial e Machine Learning para automação de processos críticos e democratização de dados. Defende que a entrega de soluções resilientes e escaláveis exige governança, autonomia e rigor na arquitetura de dados e software.
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