Telemetria, inteligência artificial e sistemas de assistência ao motorista ampliam a capacidade de identificar comportamentos e situações de risco durante as operações
O avanço da tecnologia embarcada vem alterando a forma como transportadoras e gestores de frota lidam com a segurança nas estradas. Recursos como detecção de fadiga, frenagem automática de emergência, assistência de manutenção de faixa e videotelemetria com inteligência artificial passaram a integrar estratégias de prevenção e monitoramento capazes de antecipar situações de risco e apoiar decisões antes que elas evoluam para ocorrências mais graves.
A mudança ocorre em um cenário no qual a segurança dos veículos de carga permanece como um dos principais desafios das rodovias brasileiras. Durante a Operação Rodovida 2025/2026, realizada entre dezembro e fevereiro, 3.149 dos 13.228 sinistros registrados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) envolveram veículos de carga, o equivalente a 23,81% das ocorrências. Entre as 1.172 mortes contabilizadas no período, 514 ocorreram em sinistros com participação desse tipo de veículo, representando 43,93% das vítimas fatais.
O perfil das ocorrências também ajuda a explicar a crescente adoção de tecnologias de assistência ao motorista. Entre os sinistros com veículos de carga, colisões traseiras, saídas do leito carroçável e colisões transversais estiveram entre os tipos mais frequentes. As colisões frontais, por sua vez, apresentaram maior letalidade. Nesse contexto, recursos capazes de monitorar distância, faixa de rodagem, atenção do condutor e risco de colisão passam a integrar uma estratégia mais ampla de prevenção e gestão da operação.
Câmeras equipadas com inteligência artificial, por exemplo, podem identificar sinais de fadiga, uso do celular e desvios frequentes do olhar, além de emitir alertas sobre saída de faixa, proximidade de pedestres ou possibilidade de colisão. Dependendo da tecnologia utilizada, essas informações podem ser enviadas ao motorista e também às centrais de gestão, permitindo intervenções, orientação e análise posterior de padrões de risco.

Para Alberto Andrade, superintendente da APVS Truck, a principal transformação está na capacidade de trabalhar de maneira preventiva. “A tecnologia embarcada passou a ter um papel central, porque o setor de transporte precisa trabalhar cada vez mais com prevenção, e não apenas com resposta às ocorrências. Hoje, esses recursos permitem identificar situações de risco e, em alguns casos, atuar antes que elas evoluam para um acidente“, explica.
O potencial também está na combinação de diferentes ferramentas. Enquanto sistemas de detecção de fadiga atuam sobre fatores relacionados ao comportamento do motorista, recursos de frenagem automática e manutenção de faixa podem auxiliar diante de situações de colisão ou perda de controle. Já a videotelemetria permite reunir essas informações e ampliar a capacidade de acompanhamento das operações.
Sistemas avançados de assistência ao motorista, conhecidos pela sigla ADAS, reúnem recursos como frenagem autônoma de emergência, assistência de permanência em faixa, monitoramento do condutor e alertas relacionados à proximidade de outros veículos.
Essas tecnologias têm como objetivo apoiar o motorista diante de situações críticas e podem contribuir para evitar ou reduzir a gravidade de determinados tipos de colisão, sem substituir a atenção e a responsabilidade de quem conduz o veículo.
“Não existe uma única tecnologia capaz de eliminar todos os riscos. O maior potencial está justamente na combinação de diferentes recursos. Quando essas soluções trabalham de forma integrada, a frota passa a ter uma camada adicional de segurança e maior capacidade de resposta“, afirma Andrade.
Além dos alertas em tempo real, o uso dessas ferramentas permite transformar os dados da condução em informação estratégica. Eventos recorrentes de frenagem brusca, excesso de velocidade, distração, aproximação excessiva de outros veículos ou saída de faixa podem ser analisados para identificar padrões e orientar treinamentos, ações preventivas e ajustes na própria operação.
Esse acompanhamento ganha ainda mais relevância quando se considera o perfil dos sinistros envolvendo veículos de carga. Colisões traseiras e saídas da pista, por exemplo, estão diretamente relacionadas a situações em que distância segura, percepção do ambiente, atenção e tempo de reação se tornam determinantes. A tecnologia, nesse sentido, funciona como uma camada adicional de apoio à gestão de riscos.
Os efeitos da prevenção também chegam à disponibilidade dos veículos. Um acidente pode provocar paralisação, comprometer rotas e gerar custos adicionais, especialmente em operações que dependem de alto nível de previsibilidade. Por isso, reduzir a exposição a ocorrências também significa diminuir o risco de interrupções na atividade.
A aplicação da tecnologia embarcada passa, portanto, a ir além da segurança imediata. As informações geradas podem contribuir para programas de treinamento de motoristas, políticas internas de segurança, manutenção preventiva, definição de rotas e planejamento operacional, ajudando empresas a atuar sobre os riscos antes que eles gerem impactos humanos, patrimoniais e financeiros.
“Um acidente não gera impacto apenas no momento da ocorrência. Dependendo da gravidade, o veículo pode ficar parado, comprometer uma rota e gerar custos para toda a operação. A gestão de riscos precisa considerar as pessoas, o patrimônio e a continuidade da atividade“, conclui Alberto.
Sobre a APVS Truck
A APVS Truck é uma associação de proteção patrimonial especialista em veículos pesados, com mais de 12 anos de atuação no segmento, protegendo o veículo associado desde a ocorrência mais corriqueira até aquelas de maior complexidade, garantindo segurança e tranquilidade em todos os momentos.
A APVS Truck tem como preceitos promover o associativismo, a satisfação do associado, a valorização e o respeito às pessoas, a responsabilidade social e atender com excelência, integridade e sustentabilidade.
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