Deloitte aponta aumento dos investimentos em IA e expansão de aplicações em automação, robótica, ativos e segurança operacional
Empresas de energia, recursos naturais e industriais (ER&I) avançam na adoção da inteligência artificial (IA), com destaque para o redesenho de processos operacionais, a utilização de IA física e a aplicação de soluções voltadas à manutenção preditiva, otimização de ativos, previsão energética e segurança operacional. A análise é da Deloitte e considera dados e insights de mais de 590 líderes de negócios e de TI de organizações de ER&I em todo o mundo que participaram do estudo State of AI in the Enterprise, lançado em 2026.
O estudo mostra que, em diferentes setores da economia, a IA está deixando a fase de testes e avançando para aplicações em escala. No segmento de ER&I, 26% das empresas já conseguiram levar pelo menos 40% de seus experimentos com IA para produção, enquanto 59% esperam atingir esse patamar nos próximos três a seis meses.
A transição dos projetos-piloto para aplicações em escala ainda envolve desafios relacionados à integração com sistemas existentes, requisitos de segurança, conformidade regulatória, monitoramento contínuo e manutenção das soluções. No setor de ER&I, esses fatores ganham complexidade pela necessidade de integrar a IA a ambientes críticos, como plantas industriais, minas, redes de energia, refinarias, campos de produção e frotas.

“Os resultados mostram que as empresas desse segmento já enxergam com clareza onde a inteligência artificial pode gerar valor, mas a captura desse potencial depende da capacidade de escalar iniciativas de forma segura e integrada aos ambientes operacionais. O caminho entre o piloto e a produção envolve investimentos em infraestrutura, integração tecnológica, governança e gestão da mudança, fatores que costumam ser mais desafiadores em operações intensivas em ativos físicos e com ambientes complexos e pressionados por requisitos regulatórios e ambientais”, afirma Patrícia Muricy, sócia-líder para a indústria de energia, recursos naturais e industriais da Deloitte.
Oito em cada dez empresas ampliaram seus investimentos em IA, enquanto mais de sete em cada dez líderes entrevistados afirmaram estar mais confiantes na tecnologia. O crescimento de receitas permanece entre as expectativas das organizações: 17% afirmam já obter ganhos concretos nessa dimensão e 76% esperam alcançar esse resultado no futuro.
O setor de ER&I também apresenta o maior índice entre as indústrias analisadas no redesenho de processos essenciais com base em IA. Segundo o estudo, 37% das empresas estão redesenhando processos-chave a partir da tecnologia. Ao mesmo tempo, 23% afirmaram estar criando produtos, serviços ou modelos operacionais com IA.
IA soberana ganha relevância estratégica
O estudo também identifica o crescimento da preocupação com a chamada IA soberana. Para 83% das empresas do setor, o país onde a tecnologia é desenvolvida já é um fator relevante na escolha de fornecedores. Mais da metade (52%) afirma construir suas arquiteturas de IA principalmente com parceiros locais.
“A tendência reflete uma busca crescente por autonomia estratégica, maior controle sobre dados, aderência a exigências regulatórias e redução de riscos relacionados à dependência tecnológica de terceiros. Isso fortalece a capacidade das empresas de manter sob seu controle decisões críticas sobre infraestrutura, dados, modelos e aplicações de inteligência artificial”, explica Patrícia Muricy.
IA física avança no setor
O setor apresenta os maiores índices de adoção de IA física, que combina inteligência artificial, sensores, sistemas de controle e robótica para executar ações no mundo real. Atualmente, 72% das organizações utilizam algum tipo de aplicação dessa tecnologia, percentual que deve chegar a 91% nos próximos dois anos.
Entre as aplicações com maior potencial de impacto estão os gêmeos digitais e a robótica colaborativa, citados cada um por cerca de um quarto das empresas do setor.
“Essas tecnologias têm ganhado espaço nas estratégias das empresas, com destaque para aplicações como gêmeos digitais, robótica colaborativa e outras soluções voltadas à otimização operacional em ambientes industriais complexos. A expectativa é que essa evolução contribua para ampliar a eficiência dos ativos, fortalecer a segurança operacional e apoiar a tomada de decisões à medida que as organizações expandem a adoção dessas soluções em escala. Em uma perspectiva de longo prazo, operações mais autônomas e iniciativas voltadas à eficiência e à sustentabilidade têm potencial para transformar os avanços da inteligência artificial em valor concreto para os negócios“, comenta Flávio Loução, sócio-líder de AI & Data para ER&I e COO do Deloitte Smart Solutions Center.
Automação avança mais rápido do que a transformação do trabalho
De acordo com a análise da Deloitte, a expectativa de automação é elevada no setor. Nos próximos três anos, 81% das empresas acreditam que pelo menos 10% dos empregos serão totalmente automatizados. Ainda assim, 84% das organizações não redesenharam cargos ou a própria natureza do trabalho para incorporar as capacidades da IA.
A insuficiência de competências dos profissionais aparece como a principal barreira para a integração da tecnologia aos fluxos de trabalho. Apesar disso, menos da metade das empresas está promovendo mudanças significativas em suas estratégias de talentos. A maior parte das iniciativas permanece concentrada na capacitação dos colaboradores e no desenvolvimento de fluência em IA.
“Não basta dar acesso e treinar os profissionais! O potencial da inteligência artificial será alcançado quando as organizações repensarem funções, fluxos de trabalho, modelos de carreira e promoverem um modelo colaborativo entre profissionais e as IAs. O diferencial competitivo vem da capacidade de redesenhar o trabalho, aproveitando as capacidades humanas e tecnológicas de forma complementar“, orienta Jefferson Denti, líder do Deloitte AI Institute.
Governança será decisiva para ampliar o uso da IA
O estudo também destaca o avanço esperado da IA agêntica, capaz de executar tarefas de forma autônoma. Atualmente, 20% das empresas do setor já utilizam agentes de inteligência artificial em algum grau relevante, enquanto 71% pretendem fazê-lo nos próximos dois anos.
Entretanto, apenas um quarto das organizações afirma possuir um modelo maduro de governança para agentes autônomos.
“Valor, Adoção e Governança andam juntos nesse processo. É crítico a implementação de mecanismos de supervisão, definição de limites de autonomia, monitoramento contínuo das aplicações e rastreabilidade das decisões. Esses são fatores essenciais e indispensáveis para reduzir riscos operacionais, regulatórios e financeiros. As empresas precisam estruturar esses processos para estarem mais preparadas para ampliar o uso da IA em escala, com maior segurança, conformidade e geração de valor para o negócio“, destaca Jefferson Denti.
Para capturar o potencial da inteligência artificial, o estudo da Deloitte orienta as organizações a reduzir a distância entre acesso e uso efetivo da tecnologia, redesenhar o trabalho para incorporar a IA de forma estruturada, estabelecer mecanismos de governança antes de ampliar a escala das iniciativas, atender aos requisitos crescentes de soberania tecnológica e construir uma infraestrutura de dados e tecnologia preparada para a próxima geração de aplicações.
A análise também aponta a necessidade de buscar a reinvenção estratégica dos negócios, indo além dos ganhos de eficiência operacional.
Sobre a Deloitte
A Deloitte é a organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mercado, com mais de 470 mil profissionais em todo o mundo, gerando impactos que realmente importam em mais de 150 países e territórios. Com base nos seus 180 anos de história, oferecemos serviços de auditoria, asseguração, consultoria, impostos e serviços relacionados para quase 90% das empresas da lista da Fortune Global 500® e milhares de outras organizações. Nossas pessoas proporcionam resultados mensuráveis e duradouros para ajudar a reforçar a confiança pública nos mercados de capitais e permitir aos clientes transformar e prosperar, e lideram o caminho para uma economia mais forte, uma sociedade mais equitativa e um mundo sustentável. No Brasil, onde atua desde 1911, a Deloitte é líder de mercado, com mais de 7.000 profissionais e operações em todo o território nacional, a partir de 18 escritórios.
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