Levantamento da DSEC Labs mostra que interior passou de 12,3% para 37,7% do volume financeiro analisado em um ano; São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina concentram a maior procura na base
O movimento aponta para uma desconcentração geográfica da procura por tecnologias que permitem ao próprio usuário manter o controle de seus ativos digitais. Embora as capitais ainda concentrem a maior parcela da demanda observada, sua participação passou de 87,68% para 62,35% no período analisado.
Os dados fazem parte de um raio-X elaborado pela DSec Labs para identificar onde estão os brasileiros que buscam soluções de autocustódia e como essa procura vem se distribuindo pelo país. O levantamento analisa a localização dos consumidores da empresa por estados, regiões e cidades e compara o comportamento registrado nos oito primeiros meses de 2025 e 2026.

“Durante muito tempo, o mercado de criptoativos ficou bastante associado aos grandes centros. O que começa a aparecer nos dados é uma procura por autocustódia geograficamente mais distribuída. Quando o interior ganha participação, temos um indicativo de que a discussão sobre como guardar e proteger ativos digitais também está chegando a novos públicos”, afirma Leonardo Maximiliano, CEO da DSEC Labs.
São Paulo, Rio e Minas lideram procura por autocustódia
São Paulo permanece como o estado com maior participação na procura por soluções de autocustódia dentro da base analisada em 2026. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, formando os cinco principais mercados observados pela DSEC Labs entre janeiro e agosto.
Regionalmente, o Sudeste concentra 51,35% da base analisada, seguido pelo Sul, com 17,36%, e pelo Nordeste, com 16,99%. Centro-Oeste representa 7,06% e Norte, 4,97%.
A distribuição mostra que, apesar da liderança do Sudeste, a procura por autocustódia já aparece em todas as regiões brasileiras. Sul e Nordeste, por exemplo, apresentam participações próximas dentro da amostra.
“Existe uma diferença importante entre comprar um criptoativo e decidir assumir diretamente a responsabilidade pela sua guarda. Quando a procura por autocustódia aparece em diferentes estados e regiões, começamos a enxergar como essa discussão sobre segurança também está se espalhando pelo país”, explica Maximiliano.
Top 10 estados na procura por soluções de autocustódia em 2026
| Posição | Estado | Região |
| 1 | São Paulo | Sudeste |
| 2 | Rio de Janeiro | Sudeste |
| 3 | Minas Gerais | Sudeste |
| 4 | Paraná | Sul |
| 5 | Santa Catarina | Sul |
| 6 | Bahia | Nordeste |
| 7 | Distrito Federal | Centro-Oeste |
| 8 | Ceará | Nordeste |
| 9 | Rio Grande do Sul | Sul |
| 10 | Mato Grosso | Centro-Oeste |
Interior quase triplica participação em um ano
A principal mudança aparece quando o levantamento separa capitais e demais municípios. Entre janeiro e agosto de 2025, o interior representava 12,32% da base que pôde ser classificada nesse recorte. No mesmo período de 2026, essa participação chegou a 37,65%.
Na prática, a fatia do interior mais que triplicou em um ano, enquanto a participação das capitais caiu de 87,68% para 62,35%. O avanço também aparece em diferentes estados. Tocantins registrou crescimento de 129,1% na comparação com o mesmo período de 2025, seguido por Rondônia, com alta de 64,6%; Maranhão, com 40,8%; e Piauí, com 28,1%.
Os percentuais partem de bases menores e, portanto, não significam que esses estados tenham ultrapassado os principais mercados do país. O movimento, porém, ajuda a identificar localidades em que a procura por soluções de autocustódia ganhou espaço dentro da amostra.
Procura começa a aparecer fora dos grandes centros
O recorte por cidades reforça a mudança. São Paulo e Rio de Janeiro continuam entre os principais mercados da base, acompanhados por Brasília, Curitiba, Salvador, Fortaleza e Belo Horizonte.
Ao mesmo tempo, municípios fora das capitais começam a aparecer com maior participação e crescimento na comparação anual, indicando uma demanda menos restrita aos grandes centros urbanos.
“Não significa que as capitais deixaram de ser relevantes. Elas continuam concentrando a maior parcela da procura. O que chama atenção é que o interior passou a ocupar um espaço muito maior dentro da base. Para um mercado essencialmente digital, acompanhar essa distribuição ajuda a entender como o acesso e o interesse por autocustódia estão chegando a diferentes partes do país”, afirma Maximiliano.
Autocustódia amplia discussão sobre segurança dos criptoativos
Na autocustódia, o próprio usuário mantém o controle das chaves privadas necessárias para movimentar seus criptoativos, em vez de delegar integralmente essa função a uma corretora ou outro intermediário.
Uma das alternativas utilizadas nesse modelo são as chamadas hardware wallets, dispositivos desenvolvidos para manter as chaves privadas separadas de ambientes permanentemente conectados à internet e autorizar transações.
A autonomia, porém, também transfere ao proprietário responsabilidades relacionadas à proteção das credenciais e à recuperação do acesso aos ativos.
“A autocustódia dá ao usuário controle direto sobre o próprio patrimônio, mas esse controle vem acompanhado de responsabilidade. Conforme esse mercado chega a públicos diferentes e a novas regiões, a educação sobre segurança se torna ainda mais importante. É preciso entender como proteger as chaves, armazenar corretamente a frase de recuperação e evitar práticas que possam comprometer o acesso aos ativos”, explica Maximiliano.
Os dados não permitem afirmar que o comportamento observado na base da DSEC Labs represente todo o mercado brasileiro ou que investidores estejam migrando de forma generalizada das exchanges para a autocustódia. O levantamento aponta, especificamente, para uma desconcentração geográfica da procura dentro da amostra, com o interior ganhando participação relevante entre 2025 e 2026.
O avanço da procura por autocustódia de criptoativos no interior do Brasil, identificado pela DSEC Labs, encontra paralelo no interesse internacional pelo controle direto dos ativos digitais. Pesquisa realizada pela Consensys em parceria com a YouGov, publicada em 2024, identificou interesse por carteiras de autocustódia em países como Filipinas (69%), Índia (65%), Brasil (61%) e México (60%). Já um levantamento da CoinGecko, divulgado em abril de 2026, apontou que 53,6% dos participantes que possuíam Bitcoin mantinham a maior parte de seus ativos em carteiras quentes ou frias, em vez de depender exclusivamente de corretoras centralizadas.
Embora essas pesquisas não permitam comparar diretamente a interiorização observada no Brasil com outros mercados, revelam a relevância internacional de um movimento que amplia a discussão sobre autonomia financeira, proteção das chaves privadas e responsabilidade dos usuários pela segurança de seu patrimônio digital.
Sobre a DSEC Labs
A DSEC Labs é uma empresa brasileira de infraestrutura blockchain para pagamentos e ativos digitais. A companhia desenvolve soluções white label e projetos sob medida que conectam ambientes Web2 e Web3, incluindo contas digitais, plataformas descentralizadas, integração com Pix, Bitcoin e stablecoins, autocustódia, tokenização e automação. Com uma equipe de 37 profissionais, atende 16 empresas e atua no Brasil e em mercados da Europa e da América Latina.
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