Criada pelo empreendedor brasileiro Marcos Nader, a plataforma de inteligência artificial permite construir um cérebro digital privado e interativo, com recursos para organizar, preservar e rentabilizar o patrimônio intelectual
O empreendedor Marcos Nader, cofundador da Nomad e da Comprova, empresa adquirida pela DocuSign e, posteriormente, pela Soluti, lançou em outubro de 2026 o MyBrain.ai, plataforma de inteligência artificial que permite reunir arquivos, notas, conversas, experiências e conhecimentos pessoais em um único ambiente digital privado.
A proposta é criar um “cérebro digital” capaz de organizar e conectar informações, transformando o conhecimento acumulado ao longo da vida em patrimônio intelectual que o usuário pode controlar, valorizar e, futuramente, licenciar para gerar receita.
O MyBrain.ai iniciou em outubro de 2026 uma fase de testes com acesso restrito a usuários convidados, selecionados entre os mais de 500 interessados que se cadastraram na lista de espera no Brasil e nos Estados Unidos. A plataforma deverá ser aberta ao público em novembro de 2026.
A iniciativa parte de uma questão cada vez mais relevante com o avanço da inteligência artificial: quem controla, protege e pode obter valor econômico do conhecimento e das experiências que uma pessoa acumula ao longo da vida?
Para responder a essa questão, o MyBrain.ai adota o conceito de Soberania Intelectual, que propõe transformar o conhecimento pessoal em um patrimônio digital privado, capaz de ser organizado, preservado, valorizado e, futuramente, monetizado pelo próprio usuário.

“Estamos todos acostumados a trabalhar, poupar e investir em ativos financeiros e imobiliários, mas o nosso principal patrimônio, nosso conhecimento e inteligência, morre com a gente. E nós podemos rentabilizá-lo”, afirma Marcos Nader, fundador e CEO do MyBrain.ai.
Entre os planos futuros da startup está a intermediação de acordos para que grandes modelos de IA remunerem criadores e especialistas pelo uso de seu conhecimento no treinamento de algoritmos.
A plataforma também contempla a questão da herança digital, permitindo que o usuário determine, ainda em vida, qual será o destino de seu cérebro digital após seu falecimento.
Lançamento global, modelo de negócios e desenvolvimento brasileiro
Desenvolvida por uma equipe brasileira formada por especialistas em engenharia de dados e pesquisadores acadêmicos, a plataforma foi concebida para operar em português e inglês desde seu lançamento.
A etapa inicial de acesso por convites fechados teve início em outubro, com uma lista de espera superior a 500 pessoas distribuídas entre Estados Unidos e Brasil.
A abertura ao público está programada para novembro de 2026. Durante a fase beta, o acesso será gratuito. Posteriormente, o MyBrain.ai deverá adotar um modelo de assinaturas, mantendo uma modalidade gratuita com limite de 50 fontes de conhecimento.
O planejamento de desenvolvimento da empresa também prevê a inclusão de novos conectores e funcionalidades ao longo das próximas etapas.
“Estamos no início de uma mudança na forma como as pessoas enxergam o próprio conhecimento. Assim como aprendemos a tratar o dinheiro como patrimônio, acreditamos que o conhecimento também pode ser acumulado, protegido e valorizado. O MyBrain.ai nasce para construir essa infraestrutura”, explica Marcos Nader.
Maia: agente de IA atua como ghost writer digital por voz e texto
Além de conectar arquivos e diferentes fontes de informação, o MyBrain.ai incorpora a Maia, uma agente entrevistadora interativa que funciona como ghost writer digital do usuário.
A ferramenta realiza entrevistas por voz ou texto, respeitando o ritmo e o estilo definidos pelo próprio usuário. Durante as interações, a Maia formula perguntas estratégicas com base no conhecimento já armazenado na plataforma ou em assuntos escolhidos livremente.
Ao final de cada sessão, os algoritmos do MyBrain.ai identificam novos conceitos e aprimoram continuamente o Grafo de Conhecimento do indivíduo.
O objetivo é registrar não apenas informações explícitas, mas também aspectos relacionados ao raciocínio, aos critérios utilizados para tomar decisões e à maneira particular como cada pessoa se expressa.
Outra frente prevista pela startup é a possibilidade de monetização do capital intelectual por meio de um sistema de licenciamento granular, no qual o proprietário poderá estabelecer diferentes condições para o acesso ao seu conhecimento.
“O proprietário poderá permitir e cobrar pelo acesso do seu cérebro digital para consultorias, mentorias, respostas técnicas em chats ou agentes de IA que tomam decisões e participam de reuniões em seu nome”, diz.
Para explicar o modelo de negócios que pretende desenvolver, Nader estabelece um paralelo com a transformação da indústria musical ocorrida antes da consolidação das plataformas de streaming.
“O Napster provou que havia demanda por música digital antes de existir um meio legítimo de monetização, e o Spotify criou a infraestrutura técnica e contratual necessária para resolver o problema. Embora uma ideia solta não tenha dono, o mybrain guarda expressões, entrevistas, acervos estruturados e a forma única de conectar saberes. Esse conjunto pode ser protegido por direitos autorais sobre a expressão, por contratos de licença de acesso e pelo próprio sigilo do acervo, que nunca sai inteiro da plataforma”, diz.
Tecnologia proprietária e privacidade por design
A arquitetura tecnológica do MyBrain.ai foi desenvolvida para representar a forma como cada usuário relaciona informações, constrói raciocínios e toma decisões.
Para isso, a plataforma utiliza um Grafo de Conhecimento proprietário (Knowledge Graph), responsável por reunir e relacionar informações provenientes de diferentes serviços e formatos.
Entre as fontes que podem ser integradas estão Google Drive, Notion, Dropbox, OneDrive, Obsidian, LinkedIn, Instagram, links da web, documentos em PDF, arquivos locais e históricos de conversas com ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e Grok.
Segundo a empresa, o sistema opera com uma arquitetura privada baseada em modelos de linguagem abertos, customizados e executados em infraestrutura própria.
Esse modelo foi concebido para que o processamento dos documentos pessoais, a construção do Grafo de Conhecimento e as interações realizadas pelos usuários ocorram em ambiente isolado, sem que essas operações sejam encaminhadas às APIs ou aos modelos públicos de linguagem da OpenAI, Anthropic ou Google.
A proposta é manter o controle do acervo intelectual com o próprio usuário, evitando que suas informações sejam utilizadas para treinar modelos externos.
O MyBrain.ai também prevê a possibilidade de utilização pontual de serviços de inteligência artificial de terceiros, mediante escolha do usuário sobre o nível de privacidade aplicado à consulta.
“Caso ele opte por utilizar uma IA de terceiros em uma consulta pontual, a escolha do nível de privacidade cabe inteiramente a ele. O acervo completo jamais sai da plataforma, e os dados podem ser baixados ou excluídos definitivamente a qualquer momento”, finaliza Nader.
Sobre o MyBrain.ai
O MyBrain.ai é uma plataforma de inteligência artificial pessoal desenvolvida para transformar o conhecimento individual em um ativo digital privado, interativo e permanente.
Baseada no conceito de “IA soberana por design”, a solução conecta arquivos, notas e conteúdos armazenados em diferentes ambientes para construir um cérebro digital alimentado exclusivamente pelas informações fornecidas pelo usuário, sem utilizar esses dados para treinamento de modelos externos.
Fundada por Marcos Nader, empreendedor que também participou da criação da Comprova, posteriormente adquirida pela DocuSign, e da Nomad, a startup reúne profissionais especializados em engenharia de dados e pesquisadores com formação acadêmica avançada.
A proposta é oferecer uma infraestrutura para que pessoas possam proteger, organizar, preservar e, futuramente, monetizar seu patrimônio intelectual.
IA amplia a comunicação das marcas, mas não constrói reputação sozinha
Avenue, empresa de investimentos internacionais do Itaú, promove desafio de IA em São Paulo
ID Talk | Da impressão à IA: a transformação da Ricoh no mercado corporativo
ID Talk | Mara Maehara, CIO da Totvs, discute IA, segurança e os desafios da TI no Universo Totvs 2026
Relatório FICO 2026: só 5,2% dos líderes confiam em explicar decisões de IA
Acompanhe o melhor conteúdo sobre Inteligência Artificial publicado no Brasil.


Somos a voz influente no ecossistema brasileiro de segurança da informação e identificação digital, e nosso propósito é contribuir ativamente para a educação e o debate sobre esses temas.
Fale com a gente: +55 11 9 9286 7046 ou contato@cryptoid.com.br








