Relatório da Fortinet aponta que a automação por inteligência artificial acelera ataques e reforça a importância de senhas seguras, autenticação multifator, atualizações e treinamento contínuo
Por Derek Manky

Os fundamentos do crime cibernético raramente mudam: um adversário identifica um ativo exposto ou uma credencial válida, estabelece o acesso, expande essa base e, por fim, converte a invasão em impacto financeiro ou operacional.
O que está mudando, no entanto, é a rapidez, a escala e a eficiência com que os invasores agora podem se mover nessa sequência.
Para começar, os agentes de ameaças não precisam mais construir tudo do zero. O Relatório Global do Cenário de Ameaças da Fortinet de 2026 mostra que o cibercrime moderno opera cada vez mais como um sistema industrial, com credenciais, infraestrutura, malware ou serviços de malware, acesso a redes comprometidas e serviços especializados, todos disponíveis por meio de uma cadeia de suprimentos criminosa estabelecida e próspera. E agora, com a automação por meio da inteligência artificial (IA), todo esse ecossistema está se tornando ainda mais rápido.
Esses avanços têm implicações significativas para as equipes de segurança e mostram porque a ciber-higiene básica é mais importante do que nunca. Uma senha forte, uma solicitação de autenticação multifator tratada adequadamente, uma atualização de software oportuna ou um e-mail de phishing relatado prontamente podem interromper um ataque antes que avance para o próximo estágio.
Nesse sentido, o Mês de Conscientização sobre Segurança Cibernética é um lembrete de que tarefas muitas vezes rudimentares, como a aplicação de patches em dispositivos ou a atualização de senhas, não podem ser vistas como algo separado das defesas técnicas da sua organização. Elas fazem parte do ambiente de controle. Construir uma cultura focada na segurança significa incorporar esses comportamentos às suas operações cotidianas de negócios.
Como os invasores continuam encurtando seus cronogramas – a janela de tempo até a exploração de vulnerabilidades críticas encolheu de cinco dias para menos de 48 horas –, é fundamental que os defensores reduzam a latência em todo o seu programa de segurança. E sim, isso inclui detecção e resposta, mas também o gerenciamento de identidades, a aplicação de patches, relatórios de funcionários e as decisões necessárias para conter um ataque.
Estabeleça uma linha de base prática para a ciber-higiene
A ciber-higiene é a manutenção de rotina que impede que identidades, endpoints, aplicações e infraestrutura de rede se tornem pontos de entrada fáceis. O objetivo não é transformar cada funcionário em um engenheiro de segurança. É aplicar um conjunto de ações de proteção críticas de forma consistente em toda a sua empresa.
Para os usuários, isso significa:
- Executar atualizações de senhas agendadas;
- Armazenar credenciais em um gerenciador de senhas confiável;
- Revisar, reconhecer e substituir senhas fracas, reutilizadas ou expostas;
- Usar MFA sempre que disponível, especialmente para e-mail, acesso remoto e serviços em nuvem;
- Relatar solicitações de MFA inesperadas;
- Instalar prontamente todos os patches e atualizações aprovados;
- Evitar o uso de aplicações não aprovadas, shadow IT e shadow AI;
- Relatar mensagens, solicitações suspeitas ou comportamento incomum do dispositivo para a TI;
- Concluir todos os treinamentos de segurança exigidos para o seu nível de acesso e responsabilidade.
Já para os administradores, algumas ações como remover credenciais padrão de fábrica e compartilhadas de firewalls, roteadores e outros dispositivos conectados; separar contas privilegiadas de contas de usuários comuns, protegidas por MFA e limitadas de acordo com o menor privilégio; implementar o conceito zero trust em todo o ambiente e a tecnologia de deception para criar armadilhas; e fornecer aos funcionários um processo de denúncia de atividades suspeitas ou ameaças internas que seja visível, rápido e fácil de usar, também se tornam essenciais para o futuro da segurança da organização.
Faça da segurança parte das operações cotidianas
Sozinhas, essas práticas podem parecer pequenas. No entanto, integrá-las como parte da estratégia integrada de ameaças e controle pode trazer um retorno grande para a empresa. Um gerenciador de senhas reduz a reutilização de credenciais, enquanto a MFA pode impedir que uma senha roubada seja usada para estabelecer uma sessão autenticada. Já a aplicação de patches remove um caminho de exploração disponível, e uma inteligência contra ameaças confiável fornece aos defensores contexto adicional e tempo para responder.
Nenhuma delas é suficiente por si só, mas juntas criam vários pontos ao longo da cadeia de ataque em que uma intrusão pode ser detectada ou interrompida. O cenário de ameaças atual exige o desenvolvimento de uma cultura que priorize a segurança. Isso se mostra na rapidez com que uma organização pode agir sobre esses controles.
Como em toda a segurança, a resiliência cibernética começa com hábitos consistentes. O Mês de Conscientização sobre a Segurança Cibernética é uma oportunidade bem-vinda para examinar se os hábitos críticos estão incorporados em toda a organização e fortalecê-los onde houver lacunas.
Agradecimento
O Crypto ID agradece a Derek Manky, Vice-Presidente Global de Inteligência de Ameaças da Fortinet, pela contribuição ao debate sobre ciber-higiene, prevenção de ataques cibernéticos e fortalecimento da cultura de segurança nas organizações.
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