Durante a Aviation Digital Week 2026, representante do Ministério de Portos e Aeroportos defendeu uma regulamentação, neutral, aberta a diferentes modalidades de identificação biométrica, como biometria palmar, incluindo novas soluções para o embarque seguro
A biometria palmar fez parte das discussões sobre o futuro da identificação de passageiros nos aeroportos brasileiros durante a Aviation Digital Week 2026, realizada entre 3 e 5 de novembro, em Brasília. No último dia do evento, promovido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e pelo Serpro, José Ricardo Botelho, representante do Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR), defendeu uma abordagem, que permita a adoção de diferentes tecnologias biométricas conforme os requisitos de segurança e qualidade dos serviços.
A declaração ocorreu nesta quinta-feira (5), durante o painel “Biometria e Embarque Mais Seguro”, após um questionamento sobre o potencial da biometria palmar vascular para tornar a identificação de passageiros mais rápida, precisa e inclusiva. Ao comentar a tecnologia inovadora ele destacou o seu caráter neutral e não discriminatória e ressaltou que a Política setorial não pretende determinar previamente qual modalidade deverá ser utilizada nos aeroportos e Portos. “Nós não estamos estabelecendo qual é a tecnologia que você vai adotar na ponta. O que nós queremos é o nível de serviço”, afirmou. Para nós, quanto mais concorrência e garantia de segurança, melhor para o usuário.
Segundo o representante do ministério, a definição dos padrões de serviço deve envolver órgãos reguladores, autoridades de segurança e interessados em grupos de trabalho que devem ser criados, de acordo com a política publicada. Mencionou ainda que a SNHN do MPOR já criou o seu GT e espera que a SAC e a SNP façam seus grupos o quanto antes. Botelho lembrou a trajetória da identificação por impressões digitais, utilizada inicialmente em sistemas como os do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para exemplificar como a adoção de um único método poderia limitar o desenvolvimento de alternativas.
A discussão ocorre após a instituição da Política Nacional Setorial de Identificação Biométrica, em 31 de agosto de 2026, que estabelece diretrizes para padronizar e ampliar o uso dessas tecnologias em aeroportos, portos e hidrovias. Entre as modalidades contempladas está a biometria palmar vascular, que utiliza luz infravermelha para identificar padrões de veias localizados abaixo da superfície da pele.
Diferentemente do reconhecimento facial, que analisa características visíveis do rosto, e da impressão digital, baseada nos padrões da superfície dos dedos, a biometria palmar utiliza características vasculares internas para realizar a autenticação. A tecnologia permite a identificação sem contato físico e pode oferecer vantagens em ambientes com grande circulação de pessoas, como terminais aeroportuários, especialmente pela possibilidade de reduzir a dependência de características externas que interferem em outras modalidades biométricas.
Para Leonardo de Araujo de Assis, CEO da BioStation, empresa brasileira especializada em biometria multimodal com IA, com destaque para autenticação vascular, a abertura para diferentes tecnologias representa uma evolução da biometria que não se resume a agilizar filas; trata-se de garantir que a transformação digital da aviação brasileira seja segura, precisa e acessível a todos os passageiros, sem exceção”.
“A biometria palmar amplia as possibilidades de identificação porque utiliza características vasculares internas, que não dependem diretamente de elementos visíveis, como os traços do rosto ou as condições da superfície dos dedos. Isso pode contribuir para uma autenticação mais inclusiva, além de oferecer uma camada adicional de segurança contra tentativas de fraude. Em ambientes como aeroportos, onde é necessário identificar um grande número de pessoas com rapidez, essas características são especialmente relevantes”, explica.
Além da escolha da modalidade biométrica, Botelho destacou que a utilização de novas tecnologias depende necessariamente da integração com bases federais de identificação e da validação pelos órgãos competentes. Atualmente, sistemas como os da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), do TSE e da Polícia Federal oferecem infraestrutura de dados que viabiliza modalidades já utilizadas no país.
Para a incorporação de novas soluções, os desafios envolvem não apenas a capacidade de autenticação, mas também a interoperabilidade entre sistemas e dispositivos, a proteção dos dados pessoais e o atendimento aos requisitos estabelecidos pelas autoridades reguladoras e de segurança. Nesse cenário, a biometria palmar surge como uma alternativa para a modernização dos processos de identificação e controle de acesso, em um ambiente regulatório que busca acompanhar a evolução tecnológica sem restringir previamente as possibilidades de inovação. A biometria palmar atinge uma assertividade até 1.000 vezes superior às biometrias convencionais, reduzindo drasticamente falsos rejeites e liberando catracas de embarque (e-gates) em fração de segundo.
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