O Blended Finance é um modelo que mitiga riscos para atrair o mercado de capitais de forma agressiva para o campo
Por Felipe d’Ávila

A matriz de financiamento do agronegócio brasileiro passa por uma inflexão inédita. Se nas últimas décadas a discussão girava em torno do volume de recursos do Plano Safra, o ciclo 2025/2026 aponta para uma sofisticação necessária, capaz de atender a demanda do setor agropecuário, estimado em mais de R$ 1 trilhão por ano, segundo projeções de mercado. Essa demanda deve exigir novas arquiteturas financeiras.
O pequeno e médio produtor sempre enfrentou o gargalo da burocracia e das estruturas genéricas de risco. No entanto, a simples “digitalização” do crédito já não basta. Uma das tendências para os próximos anos é a consolidação do Blended Finance (financiamento híbrido), modelo que mitiga riscos para atrair o mercado de capitais de forma agressiva para o campo.
Vemos isso na prática com o inédito Fiagro do estado do Paraná, que passou a operar no segundo semestre de 2025, um case que antecipou o que veremos em larga escala nos próximos anos: a combinação de capital público, privado e cooperativo para oferecer crédito estruturado. O primeiro fundo, já formalizado, soma aproximadamente R$ 400 milhões e foi destinado à cadeia de avicultura e suinocultura, de produtores rurais ligados à C.Vale.
A engenharia financeira é robusta, com cota sênior aportada pelo Fomento Paraná, e a cota júnior pela própria C.Vale e o restante captado junto ao mercado de capitais. Essa composição permite diluir o risco do investidor privado e entregar ao produtor taxas finais, em patamares altamente competitivos frente à Selic atual, com prazos de até 10 anos e período de carência.
O impacto econômico projetado valida a tese de alavancagem. A estimativa é que, com o efeito multiplicador do capital público atraindo o privado, esse modelo possa destravar até R$ 14 bilhões em crédito agrícola nos próximos anos, somente no Paraná, priorizando investimentos de capital intensivo (Capex), como construção de aviários, modernização de granjas e irrigação.
Nesse cenário, o papel das AgFintechs muda. Deixam de ser só “facilitadores digitais” para atuar como o braço de inteligência de dados, formalização e desenvolvimento de um canal, para que o crédito chegue até o produtor.
A AgroForte será a responsável por formalizar e gerenciar a liberação desses créditos. A inovação não está no dinheiro, mas na análise: eliminamos a exigência de garantias físicas clássicas, que muitas vezes travam o pequeno produtor, e utilizamos o histórico operacional e dados reais da produção.
Essa modelagem reduz a assimetria de informação que historicamente afugentou grandes instituições financeiras do pequeno produtor. Já é realidade essa prática com gigantes como Seara, Vibra, Pluma, Quatá , Catupiry e Vigor.
Com mais de 45 parcerias e 50.000 produtores na base, a AgroForte se consolidou como a maior agfintech de crédito nos setores de proteína, e os dados mostram que a inadimplência nesse modelo de cadeia integrada é residual.
Para 2026, a perspectiva é que o crédito rural migre de um modelo “bancocêntrico” para um ecossistema de mercado de capitais (via Fiagros e CRAs) e de inovações, via fintechs, anabolizados por estruturas de blended finance.
O Paraná deu seu primeiro passo, mas o caminho está aberto para a expansão nacional. E o papel das AgFintechs fica cada vez mais claro, criando a infraestrutura tecnológica e de inteligência que conecta o apetite do investidor à realidade de quem faz o PIB do agro acontecer.
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