Diretor-presidente do ITI da autarquia destacou investimentos em IA e modernização das regras da ICP-Brasil durante o 7º Encontr[AR]
O diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Enylson Camolesi, foi um dos principais destaques do 7º Encontr[AR] — Encontro de Autoridades de Registro do Brasil, realizado no último dia 13 de maio, em São Paulo. Durante sua participação no evento promovido pela Associação das Autoridades de Registro do Brasil (AARB), Camolesi apresentou os avanços da AR Eletrônica, falou sobre os investimentos do ITI no combate às deepfakes e abordou o futuro das assinaturas digitais e das credenciais verificáveis no Brasil e no Mercosul.
O encontro reuniu representantes do ecossistema da certificação digital brasileira em um momento marcado pela modernização da ICP-Brasil, pelas novas demandas de segurança digital e pela transformação tecnológica do setor.

Ao abordar os desafios atuais da identificação digital, Camolesi alertou para o crescimento das fraudes envolvendo inteligência artificial.
“A gente vê o crescimento de tentativas e de fraudes que acontecem com deepfakes. E nós estamos aprendendo a lidar com isso. Não só as autoridades certificadoras, os sistemas e os agentes de registro, mas o próprio ITI, que tem investido muito em inteligências artificiais para combater outras IAs, para que a gente possa distinguir o que é verdadeiro e o que não é na hora da emissão de um certificado”, afirmou.
Segundo ele, o avanço das fraudes digitais exige sistemas cada vez mais resilientes e novas camadas de proteção. O dirigente explicou que o ITI vem desenvolvendo mecanismos adicionais de validação biométrica, integração de bases oficiais, monitoramento contínuo e sistemas de inteligência artificial voltados à identificação de comportamentos suspeitos e tentativas de fraude.
“O maior valor dessa indústria é a confiança. E esses agentes estão aqui exatamente para tentar quebrar essa cadeia de confiança”, destacou.
AR Eletrônica inaugura nova fase da ICP-Brasil
Durante a palestra, Camolesi também apresentou oficialmente a AR Eletrônica, considerada uma das principais modernizações da ICP-Brasil.
A AR Eletrônica permitirá a emissão de certificados digitais para pessoas físicas por meio de aplicativos das próprias autoridades certificadoras, sem intervenção humana no processo. O modelo contará com validação biométrica automática, cruzamento obrigatório em bases oficiais nacionais — como a Carteira Nacional de Identidade, dados do Tribunal Superior Eleitoral, Carteira Nacional de Habilitação, Infraestrutura Pública Digital de Identificação Civil e Dados biográficos e biométricos obtidos do Passaporte Eletrônico Brasileiro, além de criptografia ponta a ponta e mecanismos avançados de detecção de fraudes.
Camolesi destacou ainda que a modalidade será exclusiva para pessoas físicas e não contemplará, neste primeiro momento, pessoas politicamente expostas nem integrantes do Poder Judiciário, devido ao nível de criticidade associado a esses perfis.
O diretor-presidente do ITI ressaltou que o Brasil estava atrasado em relação a modelos de emissão digital já utilizados em países da Europa e da América Latina. “Serviço autoassistido é uma evolução, uma inovação. O Brasil chegou tarde nisso. Agora, a gente colocou uma camada de confiança e segurança que amplia as possibilidades de novos modelos de negócio e integração com diferentes verticais”, afirmou.
Credenciais verificáveis e o futuro da confiança digital
Outro ponto abordado foi o avanço das credenciais verificáveis, apontadas pelo dirigente como um dos principais caminhos para o futuro da identidade digital.
“Cada vez mais vamos precisar saber a origem da informação que consumimos no ambiente digital. Saber se aquilo que foi publicado em uma rede social realmente foi feito por determinada pessoa e se aquela informação é confiável”, afirmou.
Segundo Camolesi, esse movimento será essencial para combater desinformação, golpes digitais e conteúdos manipulados por inteligência artificial.
Assinaturas digitais ganham força no Mercosul
O presidente do ITI também destacou os avanços conquistados no reconhecimento internacional das assinaturas digitais brasileiras no âmbito do Mercosul.
De acordo com ele, o acordo firmado em 2024 permite que assinaturas digitais brasileiras sejam reconhecidas na Argentina, Paraguai e Uruguai por meio de interoperabilidade entre validadores oficiais.
“Isso é transformador. Isso significa mais negócios, menos custos e mais integração para os produtos brasileiros”, afirmou.
Camolesi revelou ainda que o ITI mantém negociações para ampliar esse reconhecimento também junto à União Europeia.
Modernização e fortalecimento do setor
Ao final de sua participação, o diretor-presidente do ITI reforçou que a modernização da ICP-Brasil busca simplificar normas, harmonizar regulamentos e incorporar novas tecnologias sem abrir mão da segurança.
“Aqueles que investirem em tecnologia, treinamento, inovação e conhecimento vão crescer. A gente não pode ter medo da inovação. A gente precisa buscar isso”, concluiu.
O 7º Encontr[AR] reuniu cerca de 290 inscritos e promoveu debates técnicos sobre segurança digital, inteligência artificial, certificação digital, novas regulamentações e os desafios da transformação tecnológica da ICP-Brasil.
Sobre AARB

Fundada em 2014, a Associação das Autoridades de Registro do Brasil AARB é fruto dos anseios dos representantes das Autoridades de Registro da ICP-Brasil e tem por objetivo defender os interesses do segmento perante os poderes da república, sociedade civil organizada, bem como a massificação da certificação digital no País.
Entidade de direito privado e sem fins lucrativos, a AARB é mantida exclusivamente por seus associados. Além dos interesses mencionados, compete a AARB disseminar a cultura da tecnologia ICP-Brasil e agregar benefícios e vantagens aos seus associados.
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Sobre o ITI

O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação foi criado a partir do Art. 12 da Medida Provisória n° 2.200-2, de 24 de agosto de 2001. Atualmente o ITI é dirigido por Enylson Camolesi, Diretor Presidente desde 12 de dezembro de 2023 e está vinculado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, com a finalidade de ser a Autoridade Certificadora Raiz (AC Raiz) da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil).
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