Leandro Villas, professor titular da Unicamp, assume a presidência do ITEC, voltado à formação em Ciência da Computação
O ITEC – Instituto de Tecnologia e Computação anunciou Leandro Villas como seu novo presidente. Professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Villas foi diretor do Instituto de Computação da universidade e é citado entre os cientistas mais influentes do mundo em classificação organizada por pesquisadores da Universidade de Stanford (EUA).
A instituição, de caráter filantrópico e voltada à formação de talentos em tecnologia, pretende oferecer uma graduação em Ciência da Computação em modelo imersivo, com residência no campus. A proposta prevê bolsas de estudos, acompanhamento próximo dos professores e apoio aos estudantes durante a formação.

Para Villas, o modelo de acesso à educação proposto pelo ITEC está relacionado à sua própria trajetória acadêmica.
“Todo o meu percurso foi construído a partir de oportunidades em educação na área de Ciência da Computação. Vejo uma sinergia muito grande entre esse percurso e o propósito do ITEC, de ampliar oportunidades e formar novos talentos em tecnologia. O modelo prevê que os estudantes apoiados hoje possam, no futuro, contribuir para abrir caminho às novas gerações – como tenho me empenhado em fazer ao longo de minha carreira“, afirma.
Titular pela Unicamp, livre-docente pela Unicamp e USP e doutor em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com doutorado sanduíche na Universidade de Ottawa (Canadá), Villas tem trajetória nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e gestão acadêmica.
Na Unicamp, foi coordenador de graduação em Ciência da Computação e diretor associado do Instituto de Computação antes de assumir a direção da unidade, em 2023. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq nível 1B, também lidera projetos de pesquisa aplicada em tecnologia e inteligência artificial.
À frente do ITEC, Villas terá entre as prioridades a consolidação do modelo de formação da instituição, que combina formação acadêmica, diversidade de trajetórias e condições de permanência para os estudantes. Segundo ele, esses elementos são importantes para atrair jovens de diferentes regiões e contextos sociais e permitir dedicação integral à graduação.
Um dos objetivos é identificar estudantes com potencial que nem sempre são alcançados pelos processos seletivos tradicionais.
“Muitas vezes, jovens que não tiveram acesso a uma educação básica de qualidade ficam fora das melhores oportunidades. Mas, quando recebem as condições adequadas, conseguem alcançar todo o seu potencial. O ITEC quer construir caminhos para identificar esse potencial e transformar oportunidade em mobilidade social“, afirma.
A graduação prevê a proporção de um professor para cada dez estudantes. Os docentes atuarão em regime de dedicação integral e terão baixa carga horária em sala de aula, com parte do tempo destinada à orientação e ao acompanhamento individual dos alunos.
A residência no campus e a convivência diária entre estudantes e professores também fazem parte do modelo. A proposta é estabelecer uma comunidade acadêmica em que os docentes atuem como referências dentro e fora da sala de aula, inclusive no acompanhamento de estudantes com diferentes trajetórias educacionais.
A primeira turma do Instituto, que será instalado na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), terá 60 bolsistas integrais.
“Sabemos, contudo, que mesmo quando o curso é gratuito, muitos estudantes enfrentam dificuldades para se manter em outra cidade, arcar com moradia, alimentação e outros custos. Isso pode levar à evasão ou à necessidade de trabalhar logo no início da graduação, o que impacta diretamente a formação. O ITEC nasce para oferecer um ecossistema em que o estudante tenha quatro anos para se dedicar ao aprendizado, com residência no campus, apoio acadêmico e financeiro, e convivência diária com colegas e professores“, explica Villas.
Formação de criadores de tecnologia
O projeto do ITEC parte da premissa de ampliar a formação de profissionais capazes de desenvolver tecnologia no Brasil, e não apenas utilizar ferramentas existentes.
Segundo Villas, a formação em Ciência da Computação oferece fundamentos que podem ser aplicados a diferentes áreas tecnológicas, incluindo inteligência artificial, computação quântica e robótica.
“A inteligência artificial é uma revolução, mas a Ciência da Computação não é apenas escrever código. É compreender problemas, projetar soluções, avaliar riscos e usar a tecnologia de forma consciente. Ferramentas de IA podem acelerar o aprendizado e o desenvolvimento de produtos, mas não substituem a necessidade de formar pessoas capazes de entender o que estão fazendo e criar tecnologia com impacto positivo para a sociedade“, diz.
Na formação proposta pelo ITEC, esse domínio será trabalhado em duas frentes. A primeira envolve conhecimentos de lógica, programação e sistemas necessários para compreender e validar tecnologias desenvolvidas com apoio de inteligência artificial. A segunda está relacionada à capacidade de conceber novos modelos, arquiteturas e aplicações.
Entre os fundadores do ITEC estão Cristiano Franco (Poatek), Marcelo Lacerda e Sérgio Pretto (Instituto Terráqueos), pioneiros da internet no Brasil, e Edward Wible, cofundador do Nubank, além da Fundação Behring e da Telles Foundation.
A chegada de Leandro Villas ocorre durante a etapa de implantação acadêmica da instituição.
“O Leandro representa exatamente o tipo de liderança que o ITEC buscava: excelência acadêmica reconhecida internacionalmente somada a um compromisso genuíno com oportunidade e mobilidade social. É o profissional certo para conduzir a formação da nossa primeira turma“, afirma Cristiano Franco, idealizador do ITEC.
Sobre o ITEC
O ITEC – Instituto de Tecnologia e Computação é uma iniciativa filantrópica e sem fins lucrativos idealizada por expoentes da computação, da tecnologia e da educação no Brasil. Sua missão é formar a nova geração de talentos para protagonizar o futuro da tecnologia no país e na América Latina. Para isso, propõe uma graduação de ensino superior de excelência exclusivamente dedicada à Ciência da Computação, em regime residencial e integral, e com um programa estruturado de inclusão social e suporte personalizado.
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