Lei Geral de Cibersegurança deve reforçar governança, proteção de dados e gestão de riscos no setor financeiro
A futura Lei Geral de Cibersegurança deverá ampliar as exigências de proteção digital no Brasil e colocar governança, gestão de riscos e resposta a incidentes ainda mais no centro da estratégia das empresas. Para o setor financeiro e as plataformas de pagamentos internacionais, a proposta chega em um ambiente já marcado por desafios como fraudes com inteligência artificial, deepfakes, phishing e roubo de credenciais.
Remessas internacionais e a nova Lei Geral de Cibersegurança: a confiança será ainda mais valiosa
Por Vinicius Gracia

Com a proposta de trazer mais clareza regulatória ao mercado brasileiro, a Lei Geral de Cibersegurança, que teve sua minuta apresentada em abril deste ano pelo CNCiber (Comitê Nacional de Cibersegurança), visa desenhar um novo padrão de proteção para infraestruturas públicas e privadas no País. No setor financeiro, essa regulamentação chega em boa hora.
Uma vez aprovada a lei, as empresas terão 180 dias para se adaptar. Mas a nova lei já nasce com uma missão clara: organizar as regras de segurança digital em nível nacional e criar tanto o Sistema Nacional de Cibersegurança quanto uma Autoridade Nacional responsável por fiscalizar o setor.
O segmento de envios e recebimentos internacionais de dinheiro, assim como todo o sistema financeiro, já opera sob um elevado nível de maturidade em gestão de riscos, segurança da informação e conformidade regulatória, resultado de anos de exigências impostas pelos órgãos reguladores.
Essa experiência coloca o setor em uma posição privilegiada para absorver as novas diretrizes da Lei Geral de Cibersegurança. Ainda assim, a legislação exigirá avanços adicionais em governança, transparência e integração das práticas de segurança.
Na prática, a cibersegurança deixa definitivamente de ser uma preocupação restrita às áreas técnicas e passa a integrar a agenda estratégica das organizações. Diretores, conselhos de administração e alta liderança assumem um papel central na definição da cultura de segurança, na gestão de riscos e na tomada de decisões sobre investimentos e resposta a incidentes.
Para quem atua com transferências internacionais e pagamentos digitais, confiança é um ativo essencial. Cada transação depende não apenas da eficiência operacional, mas também da capacidade de proteger dados, prevenir fraudes, garantir a continuidade das operações e preservar a integridade dos sistemas. Um único incidente pode gerar prejuízos financeiros, regulatórios e comprometer a reputação construída ao longo de anos.
As plataformas de câmbio digital enfrentam desafios ainda maiores. Além de lidar com moedas diferentes, legislações variadas e parceiros globais, precisam estar em alerta permanente contra fraudes impulsionadas por inteligência artificial, deepfakes utilizados para engenharia social, roubo de credenciais, ataques de phishing cada vez mais sofisticados e outras técnicas que exploram tanto vulnerabilidades tecnológicas quanto o comportamento humano. Os criminosos evoluem rapidamente, utilizando automação e IA para ampliar a escala e a sofisticação de suas ações.
Por outro lado, a tecnologia também é uma grande aliada da defesa. Inteligência artificial, análise comportamental, autenticação multifator e monitoramento contínuo já permitem identificar padrões suspeitos em tempo real, aumentando significativamente a capacidade de prevenção, detecção e resposta a incidentes.
Nesse cenário, a futura Lei Geral de Cibersegurança não deve ser vista apenas como uma obrigação regulatória, mas como uma oportunidade para elevar o nível de maturidade digital do país. Ao estabelecer diretrizes claras, fortalecer a governança e incentivar uma cultura de prevenção, a legislação tende a ampliar a confiança dos consumidores, estimular investimentos e contribuir para um ambiente digital mais seguro, resiliente e competitivo.
Em um mercado que movimenta recursos financeiros de pessoas e empresas em escala global, confiança digital é construída diariamente. Ela depende de tecnologia, processos, governança e da capacidade de antecipar riscos antes que eles se transformem em incidentes.
A segurança deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar um requisito indispensável à sustentabilidade dos negócios e à credibilidade perante clientes, parceiros e reguladores. Assim, quanto antes as empresas iniciarem sua adaptação, mais preparadas estarão para enfrentar um ambiente digital cada vez mais complexo e dinâmico.
Agradecimento
O Crypto ID agradece a Vinicius Gracia e à Remessa Online pela contribuição para esta discussão sobre os desafios da cibersegurança no setor financeiro.
Os insights compartilhados ajudam a ampliar o debate sobre proteção de dados, prevenção a fraudes, governança e confiança digital em um cenário de transformação tecnológica.
Phishing já chegou à sala da diretoria e a primeira hora pós ataque pode decidir o tamanho da crise
ANPD suspende lives do Discord no Brasil e reacende debate sobre segurança digital de menores
Agentes de IA ampliam produtividade, mas expõem empresas a novos riscos
O Crypto ID conecta tecnologia, regulação voltada à segurança da informação com inteligência editorial porque acreditamos no poder da informação bem posicionada para orientar decisões.
Conheça a coluna Cibersegurança.










