Com base em entrevistas, estudos acadêmicos e relatórios internacionais, especialistas apontam que o avanço tecnológico no setor energético, embora traga ganhos operacionais, vem acompanhado de vulnerabilidades estruturais e de um cenário de ataques mais frequentes, automatizados e com potencial de impacto no mundo físico.
Por Susana Taboas
A crescente digitalização do setor elétrico, aliada à convergência entre sistemas de TI e OT, tem ampliado de forma significativa a exposição a riscos cibernéticos, colocando infraestruturas críticas no centro de ameaças cada vez mais sofisticadas.

Não se trata de uma percepção isolada, mas de um consenso que emerge de diferentes fontes — acadêmicas, institucionais e de técnicos do mercado.
Uma infraestrutura crítica cada vez mais exposta
Ao analisar estudos recentes e a cobertura especializada internacional, observa-se que a digitalização das infraestruturas energéticas trouxe ganhos operacionais importantes, mas também ampliou significativamente os riscos.
Ambientes de Tecnologia Operacional (OT), responsáveis pelo controle de sistemas físicos como geração e distribuição de energia, não foram originalmente concebidos com foco em segurança, como apontam estudos acadêmicos recentes (arXiv, 2025).
Além disso, relatórios globais indicam que a crescente convergência entre TI e OT vem eliminando barreiras que antes funcionavam como proteção natural. Segundo o relatório de cibersegurança em OT da Fortinet, essa integração aumentou a exposição e criou vetores de ataque (Fortinet, 2025).
O setor elétrico no centro das ameaças
A análise de relatórios internacionais e publicações especializadas mostram que esse setor está entre os setores mais visados globalmente.
Levantamentos recentes da Nozomi Networks indicam que energia e manufatura permanecem entre os segmentos mais afetados por vulnerabilidades em sistemas industriais (ICS) (Nozomi Networks, 2025).
O volume de fragilidades também chama atenção:
- Mais de 600 vulnerabilidades em sistemas industriais identificadas recentemente
- Diversas vulnerabilidades com alto potencial de exploração
- Crescente exposição de redes OT, inclusive sem fio
(Nozomi Networks, 2025)
Outro dado particularmente sensível, citado em estudos acadêmicos recentes e amplamente divulgado em análises internacionais, aponta que cerca de 70 mil dispositivos OT estão expostos diretamente à internet, muitos com falhas conhecidas e sem atualização (arXiv, 2025). Esse tipo de evidência ajuda a dimensionar a escala do desafio enfrentado pelo setor.
Ataques mais sofisticados e persistentes
A partir do que temos acompanhado em relatórios globais como o Global Threat Landscape Report, 2025 e na cobertura da imprensa internacional, o perfil das ameaças também evoluiu.
O cenário atual é marcado por:
- uso crescente de inteligência artificial em ataques
- campanhas automatizadas em larga escala
- ransomware direcionado a infraestruturas críticas
Além disso, dados recentes indicam que cerca de metade das organizações com ambientes OT já registraram incidentes de segurança, evidenciando que o problema deixou de ser potencial e passou a ser recorrente (Brasiline, 2025).
Quando o risco deixa de ser apenas digital
Um dos aspectos mais relevantes — e recorrente nas análises internacionais — é a natureza dos impactos. No setor elétrico, um ataque cibernético pode ultrapassar o ambiente digital e atingir diretamente o mundo físico.
Isso significa riscos como:
- interrupção no fornecimento de energia
- paralisação de serviços essenciais
- impactos econômicos em cadeia
- comprometimento da segurança pública
Estudos recentes destacam que ataques a sistemas OT têm potencial direto de afetar infraestruturas físicas críticas (arXiv, 2025).
Esse é o ponto central da discussão atual: o risco deixou de ser apenas tecnológico e passou a ser sistêmico.
Uma agenda que se tornou estratégica
Outro movimento que se destaca, a partir da análise de relatórios e da evolução do debate global, é a mudança de prioridade dentro das organizações.
A cibersegurança em OT deixou de ser um tema restrito às áreas técnicas e passou a ocupar espaço na agenda estratégica.
Segundo o relatório global da Fortinet – Fortinet, 2025
- mais de 50% das organizações já colocam OT sob responsabilidade direta do CISO
- cerca de 80% planejam seguir esse caminho
Esse movimento reforça que estamos diante de um tema de governança, risco e continuidade de negócios.
Conclusão: um setor crítico diante de um risco crescente
A partir do conjunto de entrevistas, estudos e análises que temos acompanhado no CryptoID, somado ao que vem sendo publicado por organismos internacionais e empresas especializadas, o cenário é claro:
O setor elétrico está sob pressão crescente.
Essa pressão resulta de uma combinação de fatores:
- vulnerabilidades estruturais em sistemas OT
- aumento da conectividade e da superfície de ataque
- sofisticação crescente das ameaças
- integração entre ambientes industriais e digitais
Ao mesmo tempo, há avanços importantes em governança e conscientização. Mas ainda existe um descompasso entre o ritmo da transformação digital e a maturidade em segurança. E é justamente esse descompasso que define o momento atual.
Mais do que um desafio tecnológico, trata-se de um tema estratégico, com implicações econômicas, sociais e até geopolíticas. A questão, portanto, não é mais se o setor enfrentará incidentes relevantes — mas quando, com que escala e com quais consequências.
Sobre Susana Taboas
Susana Taboas | COO – Chief Operating Officer – CryptoID. Economista com MBA em Finanças pelo IBMEC-RJ e diversos cursos de extensão na FGV, INSEAD e Harvard University. Durante mais 25 anos atuou em posições no C-Level de empresas nacionais e internacionais acumulando ampla experiência na definição e implementação de projetos de médio e longo prazo nas áreas de Planejamento Estratégico, Structured Finance, Governança Corporativa e RH. Atualmente é Sócia fundadora do Portal Crypto ID e da Insania Publicidade.
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