Na NRF 2026, o Google apresentou o UCP –Universal Commerce Protocol que é uma nova arquitetura para o varejo mundial
Susana Taboas, economista e co-fundadora do Crypto ID, em no seu novo artigo apresenta os principais destaques da NRF 2026: Retail’s Big Show, a maior conferência de varejo do mundo, que está sendo realizada de 12 a 14 de janeiro de 2026 em Nova York. No texto completo, a autora contextualiza o evento e apresenta ricos cases de uso que ilustram como grandes players estão reinventando operações, experiências e tecnologias no varejo global. Entre as tendências abordadas, um dos pontos centrais é a proposta do Google, que na NRF 2026 não se limitou a apresentar novas ferramentas, mas trouxe uma nova arquitetura para o varejo mundial, com foco em integração de dados, inteligência artificial e plataformas abertas para impulsionar experiências personalizadas e operações mais eficientes.
Por Susana Taboas

Na NRF 2026, o Google não apenas apresentou ferramentas, mas propôs uma nova arquitetura para o varejo mundial
O grande destaque foi o lançamento do Universal Commerce Protocol (UCP), apelidado por especialistas de “o HTTP do comércio”, criado para padronizar como agentes de IA realizam transações entre diferentes plataformas.
O Universal Commerce Protocol (UCP), anunciado pelo Google na NRF 2026, é considerado um dos marcos mais importantes para o futuro do varejo digital. Ele foi desenhado para resolver um problema: como diferentes Inteligências Artificiais e agentes autônomos podem “conversar” e realizar transações entre si de forma segura e padronizada.
O que é o Universal Commerce Protocol?
Mas o que é na realidade o que é o UCP, veja aqui alguns pontos para vc começar a conhecer esse assunto:
1. O “HTTP do Comércio”
Assim como o protocolo HTTP permitiu que qualquer navegador acessasse qualquer site na internet, o UCP pretende ser a linguagem comum para o comércio. Ele permite que um agente de IA (como o Gemini) entenda o inventário, os preços, as promoções e os métodos de finalização de compra de qualquer varejista que adote o protocolo, sem a necessidade de integrações manuais complexas para cada loja.
2. Viabilização do “Comércio Agêntico”
O UCP é a espinha dorsal para que a IA deixe de ser apenas uma ferramenta de busca e passe a ser uma ferramenta de execução.
- Como funciona: Se você pedir à IA para “comprar os ingredientes para um jantar saudável”, o UCP permite que a IA identifique os produtos em diferentes varejistas, verifique a disponibilidade em tempo real e processe o pagamento de forma nativa.
3. Foco em Identidade e Segurança
Para profissionais de tecnologia e identidade digital, este é o ponto mais crítico. O UCP estabelece padrões de confiança:
- Autenticação: Garante que o agente de IA tem autorização do usuário para realizar aquela compra.
- Segurança de Dados: Padroniza a forma como os dados sensíveis (pagamento e endereço) são transmitidos entre o “cérebro” da IA e o sistema do lojista, reduzindo fricções e riscos de fraude.
4. Descentralização e Alcance
Diferentemente de sistemas fechados (“jardins murados”), o Google posicionou o UCP como um protocolo aberto. Isso significa que:
- Pequenos Varejistas: Podem competir com gigantes, pois, ao adotar o protocolo, seus produtos tornam-se “visíveis” e “compráveis” por qualquer agente de IA.
- Experiência Sem Costura: O consumidor pode iniciar uma compra numa rede social, continuar via comando de voz e finalizá-la num assistente virtual, com todos os sistemas compartilhando a mesma base de dados técnica através do UCP.
Por que o UPC é relevante para o mercado brasileiro?
Com a evolução do Drex e a maturidade do PIX, um protocolo como o UCP pode ser o elo que faltava para integrar o dinheiro programável e a identidade digital ao ecossistema de compras automatizadas por IA.
Para entender o UCP (Universal Commerce Protocol) na prática, imagine que estamos saindo da era dos “sites e carrinhos” para a era dos “agentes inteligentes”.
Hoje, para comprar algo, você precisa ir ao site da loja, procurar o produto, criar um login, preencher o endereço e colocar o cartão. O UCP é o “manual de instruções universal” que permite que uma IA faça tudo isso por você, em qualquer loja, sem que o programador da IA precise escrever um código específico para cada site (como Amazon, Magazine Luiza ou um pequeno e-commerce).
Funcionamento detalhado em três níveis
1. Na prática para o Consumidor (O “Fim do Carrinho”)
Imagine que você está conversando com o Gemini ou qualquer assistente de IA e diz: “Meu filtro de água vence amanhã, compre um novo igual ao anterior, mas veja se tem alguma oferta melhor hoje”.
- Sem UCP: A IA te daria um link. Você clicaria, abriria o navegador, faria login e compraria.
- Com UCP: A IA “conversa” com o servidor das lojas que usam o protocolo. Ela verifica o estoque, aplica seu cupom de fidelidade automaticamente, calcula o frete para o seu endereço (já salvo no seu perfil de identidade digital) e pergunta: “Encontrei por R$ 80 na Loja X com entrega amanhã. Posso confirmar?”. Você diz “sim” e a compra está feita. Você nunca saiu da conversa.
2. Na prática para o Varejista (O “Plug and Play”)
Para quem vende, o UCP resolve o pesadelo das integrações.
- Antes: Para vender no Google Shopping, no Instagram e via assistentes de voz, o lojista precisava de integrações diferentes para cada um.
- Com UCP: O lojista instala o protocolo uma única vez em seu servidor. A partir daí, qualquer agente de IA do mundo (não só do Google, mas também da OpenAI, Apple ou outras) consegue “ler” o catálogo e processar vendas naquela loja.
- Controle: O lojista continua sendo o “dono da venda”. O dinheiro cai direto para ele e ele mantém os dados do cliente para o pós-venda.
3. O “Motor” por trás (Como funciona tecnicamente)
O UCP é composto por quatro pilares técnicos que garantem a segurança:
- Descoberta de Capacidades: A IA pergunta ao servidor da loja: “Você aceita cupom de desconto? Você entrega em São Paulo? Você aceita PIX?”. O servidor responde usando a linguagem padronizada do UCP.
- Negociação: A IA envia os dados do pedido (itens + endereço). O servidor da loja devolve o valor final com impostos e frete.
- Identidade e Pagamento (AP2): O protocolo usa o padrão AP2 (Agent Payments Protocol). Em vez de enviar o número do seu cartão, ele envia um “token” seguro. Isso garante que a IA nunca veja seus dados bancários reais, apenas uma permissão única para aquela compra.
- Handoff (Escalonamento): Se a compra for complexa (ex: escolher a data de entrega de um sofá), o UCP tem uma função de “entrega para humano”, onde ele abre uma janela específica da loja apenas para aquele detalhe e depois volta para a IA.
1. Por que UCP é um “Protocolo”?
Pense no e-mail. Você pode usar Gmail e enviar para um Outlook porque ambos falam o protocolo SMTP. O UCP quer fazer o mesmo com as compras: não importa qual IA você usa ou em qual loja você compra, elas se entendem por que falam a mesma “língua comercial”.
Para quem trabalha em finanças e negócios é importante saber que a camada de segurança e custódia do UCP é onde reside o verdadeiro valor disruptivo. O Google não quer apenas facilitar a compra; ele quer padronizar como a identidade financeira é transmitida entre máquinas.
Aqui está o detalhamento técnico e estratégico sobre a segurança e custódia de dados no Universal Commerce Protocol:
2. O Conceito de “Trust Anchors” (Âncoras de Confiança)
No UCP, o Google introduziu o conceito de que cada transação deve ser validada por uma “âncora de confiança”.
- O que muda: Em vez de o site do varejista ser o responsável por armazenar e validar seus dados, o protocolo utiliza o Google Wallet (ou outros provedores de identidade compatíveis) como o cofre central.
- Na prática: Quando a IA realiza uma compra em seu nome, ela não tem acesso aos seus dados reais. Ela solicita uma “assinatura de transação” à sua âncora de confiança. Isso elimina o risco de o varejista (ou a própria IA) sofrer um vazamento e expor seus dados bancários.
3. Custódia de Dados: “Zero-Knowledge” por Design
Um ponto crucial para a LGPD e regulamentações financeiras que o UCP aborda é a minimização de dados:
- Tokenização de Atributos: Em vez de enviar seu endereço completo e CPF para o varejista apenas para uma cotação de frete, o UCP utiliza tokens de atributos. O varejista recebe apenas um “OK” (validação) de que o comprador é maior de idade ou reside em uma zona de entrega específica.
- Segregação de Funções: O Google atua como o orquestrador, mas não necessariamente como o custodiante. O protocolo permite que bancos e emissores de cartões sejam os custodiantes das chaves de pagamento, enquanto o UCP apenas transporta o “consentimento digital” do usuário.
4. Segurança das Transações: O Protocolo AP2
Dentro do UCP, o motor de pagamento é o AP2 (Agent Payments Protocol). Para você, na área financeira, este é o ponto técnico mais interessante:
- Autorização Dinâmica: A IA recebe uma autorização de “teto de gastos”. Se o pedido final (com impostos e frete) exceder o limite autorizado pelo usuário no início da conversa, o protocolo bloqueia a transação automaticamente.
- Anti-Spoofing de Agentes: O UCP utiliza certificados digitais para garantir que o “agente” que está tentando comprar é, de fato, um agente legítimo e autorizado por você, e não um bot malicioso tentando drenar contas.
4. O Papel da Identidade Digital (e-CPF / e-CNPJ)
No contexto brasileiro, o UCP abre uma porta imensa para a integração com a Certificação Digital:
- Assinatura de Transações: No futuro, transações de alto valor feitas via UCP poderiam exigir uma assinatura via Certificado Digital (armazenado em nuvem ou no celular) para autorizar o agente de IA a finalizar a compra.
- Compliance Automático: Para compras B2B, o protocolo pode verificar automaticamente a regularidade do e-CNPJ da empresa compradora antes de liberar a transação no servidor do vendedor.
Aqui estão os principais cases e soluções apresentados pelo Google no NRF 2026:
Walmart: O Case de “Comércio Agêntico”
Em um painel histórico com Sundar Pichai (CEO do Google) e John Furner (CEO do Walmart US), foi demonstrada a integração profunda do varejo com a IA generativa:

- Gemini no Walmart: Agora, os produtos do Walmart e do Sam’s Club estão disponíveis diretamente via Gemini. O usuário pode pedir uma solução (ex: “preciso de itens para um jantar romântico”) e a IA monta o carrinho e finaliza a compra usando o estoque do varejista.
- Expansão da Wing: A parceria de entrega por drones foi ampliada para mais 160 localidades nos EUA, incluindo cidades como Houston e Orlando, visando reduzir drasticamente o tempo entre o “eu quero” e o “eu tenho”.
Home Depot: IA nas Gôndolas
A Home Depot apresentou o agente “Magic Apron” (Avental Mágico), focado em levar o conhecimento técnico dos funcionários para o bolso do cliente:
- Navegação e Projetos: O agente ajuda no planejamento de projetos complexos de reforma, gerando listas de materiais automaticamente para profissionais e guiando o cliente até o corredor exato da loja física.
- Multimodalidade: O cliente pode tirar foto de uma peça quebrada ou de um esquema elétrico, e a IA identifica o produto compatível no inventário local.
Papa Johns: O Primeiro Caso de Checkout Nativo
A rede de pizzarias foi a primeira a implementar as capacidades de Omnichannel do Gemini Enterprise:
- Venda Consultiva: Mais do que apenas anotar o pedido, o agente da IA sugere acompanhamentos (upsell) baseados no contexto do pedido e busca ativamente os melhores cupons de desconto para o cliente, aumentando o valor da venda e a satisfação simultaneamente.
Inovações Tecnológicas “Invisíveis”
- Gemini Enterprise for Customer Experience (CX): Uma nova plataforma que unifica vendas e atendimento. O exemplo citado foi o de beleza: se um cliente reclama de uma base, o agente faz uma avaliação de tom por foto, verifica o estoque da loja mais próxima para troca e aplica um crédito de cortesia na hora, sem intervenção humana.
- Native Checkout: O Google anunciou que as compras agora podem ser finalizadas dentro das superfícies do Google (Busca ou App Gemini) via Google Pay, sem que o cliente precise ser redirecionado para o site do lojista, embora o lojista mantenha o controle total do relacionamento e dos dados.
- Kroger e Lowe’s: Ambas as redes estão utilizando o Google Cloud para criar “assistentes de vendas virtuais” que replicam a experiência de um especialista de loja dentro de seus aplicativos móveis.
Reflexão final: O Novo Horizonte da Confiança Digital
O lançamento do Universal Commerce Protocol (UCP) e do AP2 na NRF 2026 marca o início de uma transição profunda: estamos deixando para trás a “internet da informação” para consolidar a “internet da execução”. Para o ecossistema de identidade digital, isso significa que a nossa responsabilidade se expande. Não basta mais apenas proteger o acesso do usuário; agora, precisamos garantir a integridade e a autenticidade das decisões tomadas por seus delegados digitais.
A integração de protocolos globais com as infraestruturas brasileiras de ponta — como o Drex e a nossa robusta Certificação Digital — coloca o Brasil em uma posição de vanguarda. O futuro do varejo não será definido apenas pela inteligência da IA em vender, mas pela robustez do sistema em garantir que cada transação seja soberana, segura e transparente.
Índice
No Crypto ID, continuaremos acompanhando de perto essa evolução, pois em um mundo onde máquinas negociam com máquinas, a identidade permanece como a única e última fronteira da verdade.
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Sobre Susana Taboas
Susana Taboas | COO – Chief Operating Officer – CryptoID. Economista com MBA em Finanças pelo IBMEC-RJ e diversos cursos de extensão na FGV, INSEAD e Harvard University. Durante mais 25 anos atuou em posições no C-Level de empresas nacionais e internacionais acumulando ampla experiência na definição e implementação de projetos de médio e longo prazo nas áreas de Planejamento Estratégico, Structured Finance, Governança Corporativa e RH. Atualmente é Sócia fundadora do Portal Crypto ID e da Insania Publicidade.
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