Reforma Tributária exige que o varejo revise preços, simule impactos fiscais e adote estratégias para proteger margens e fluxo de caixa
A implementação gradual do novo modelo tributário brasileiro, com a transição para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), vai além das mudanças no cumprimento das obrigações fiscais. No varejo, setor caracterizado por margens apertadas e alta rotatividade de estoques, a Reforma Tributária deverá impactar a formação de preços, a gestão financeira e a competitividade das empresas.
De acordo com análises da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento (FENACON), a mudança para o modelo de tributação “por fora” altera a percepção dos custos e exige que a precificação deixe de ser predominantemente um cálculo contábil para assumir um papel estratégico nas decisões de negócio.
Outro desafio é acompanhar a atualização contínua da legislação tributária. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) aponta para a publicação diária de dezenas de atualizações legais no Brasil. Nesse contexto, falhas na gestão de créditos tributários e erros de classificação fiscal podem comprometer as margens operacionais sem que seus efeitos sejam imediatamente percebidos pelas empresas.
Precificação e gestão de margens durante a transição tributária
O varejo reúne milhares de unidades de manutenção de estoque (SKUs, na sigla em inglês), com produtos sujeitos a diferentes tratamentos tributários. Entre os fatores que precisam ser considerados estão as regras aplicáveis à cesta básica nacional, os regimes favorecidos e a redução progressiva dos incentivos estaduais de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A transição prevista até 2033 exigirá que as empresas administrem simultaneamente os sistemas tributários atual e novo. Essa convivência aumenta a complexidade operacional e torna a gestão do fluxo de caixa um dos pontos críticos para o setor.

“O maior desafio para o varejo na Reforma Tributária não é a falta de acesso às leis, mas a capacidade de transformar milhares de alterações normativas, projetos de lei e regulamentações em decisões práticas para proteger a rentabilidade”, afirma Diogo Brito, Product Director da NTT DATA.
O executivo também destaca os efeitos do Split Payment, mecanismo de recolhimento tributário associado à liquidação financeira das operações.
Segundo ele, a disponibilidade de caixa das empresas passa a depender, entre outros fatores, da eficiência com que as áreas de compras e fiscal identificam e aproveitam os créditos tributários gerados ao longo da cadeia de suprimentos.
Inteligência preditiva aplicada à gestão fiscal
Para antecipar os efeitos das mudanças tributárias, a análise de dados e o uso de inteligência artificial (IA) podem apoiar a simulação de cenários e a avaliação dos impactos sobre os resultados das redes varejistas.
Nesse contexto, a NTT DATA desenvolveu o RADAR FISCAL, plataforma de inteligência fiscal integrada ao GUEPARDO Analytics. A solução conecta bases de dados das empresas, como arquivos do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) Fiscal, a modelos de simulação quantitativa. Com isso, permite projetar a evolução das alíquotas efetivas em diferentes cenários e avaliar a composição dos custos dos produtos.
A análise orientada por dados possibilita simular como as novas alíquotas poderão afetar a rentabilidade de cada categoria de produto e canal de venda, incluindo comércio eletrônico e lojas físicas, antes da implementação das mudanças na operação.
Segundo Brito, o cruzamento de dados de compras também pode contribuir para a avaliação das condições tributárias associadas aos fornecedores. A análise permite identificar alternativas mais vantajosas sob o ponto de vista fiscal e acompanhar a tramitação de propostas e regulamentações para adequar preventivamente os cadastros fiscais, reduzindo o risco de passivos tributários não identificados.
“Na nova realidade do comércio varejista, enquanto o mercado reage às mudanças após a publicação das normas, as empresas líderes utilizam dados fiscais e modelos analíticos para tomar decisões estratégicas com antecedência. Entender exatamente como cada alteração legislativa afeta o preço final ao consumidor é o que vai definir quem preservará suas margens e sua competitividade na prateleira”, conclui o executivo.
Sobre a NTT DATA
A NTT DATA, 6ª maior empresa de tecnologia do mundo possui presença em 58 países e mais de 195.000 colaboradores. A companhia oferece um portfólio abrangente e sob medida de serviços e soluções para impulsionar os negócios.
A empresa domina diversas tecnologias combinadas com softwares próprios para criar soluções inovadoras e personalizadas que atendem às necessidades únicas das organizações. Atua em todas as áreas das empresas, desde a gestão de processos até a experiência do cliente, garantindo uma visão holística completa e integrada do seu negócio.
Como parte do grupo NTT DATA, tem como compromisso ajudar as empresas a se transformarem, crescerem e se tornarem mais competitivas, conectando seu profundo conhecimento em tecnologia às oportunidades de negócio, impulsionando o sucesso a longo prazo.
Inteligência artificial transforma a contabilidade e redefine o papel dos contadores
Emissão de NFS-e: o que muda para ME e EPP em novembro
A Coluna Contábil e Fiscal, é dedicada à relação do setor com tecnologia, digitalização e com a segurança da informação fundamental a atividade.
Acompanhe por aqui a série Especial Crypto ID sobre IR 2026
Imposto de Renda 2026: calendário e prazo de entrega da declaração
Imposto de Renda 2026: Receita Federal divulga novas regras e amplia uso de ferramentas digitais










